quarta-feira, 10 de Outubro de 2012 11:04h Daniel Michelini

Estudo aponta que remédios para emagrecer podem causar infarto

Após a recomendação passada pela Agência Europeia de Medicamentos (Emea, em inglês), falando sobre a suspensão da venda de sibutramina - uma das substâncias mais utilizadas para emagrecimento -, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu alertar médicos e farmacêuticos brasileiros sobre o tema.

 

A decisão do comitê baseou-se em um estudo realizado com 10 mil pacientes que mostrou aumento de 16% na incidência de infarto e derrame em pessoas com problemas cardíacos que tomaram o medicamento. Para a Emea, os riscos da substância são maiores do que os benefícios.

 

No Brasil, embora a bula do medicamento já mencione como possíveis eventos adversos a elevação da pressão arterial e arritmias cardíacas, a única contra indicação é para pessoas com histórico de anorexia.

 

Em 2010, a Anvisa recebeu 37 notificações de eventos adversos do uso de sibutramina - 14 relacionadas a problemas cardiovasculares. Não houve mortes.

 

"Podemos manter o nível de alerta atual, ampliar as contraindicações e as restrições de venda ou até mesmo proibir a substância no País", afirmou em nota o presidente da Anvisa, Dirceu Barbano.

 

O cardiologista Ricardo Henry afirma que o risco não é grande: “O uso desses medicamentos podem sim ocasionar em uma doença cardíaca. Porém, as chances de isso acontecer com uma pessoa que não obtém histórico de doenças cardiovasculares é pequena. A pessoa que possui este histórico deve tomar cuidado” disse.

 

Infarto

 


Relatório da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife), órgão das Nações Unidas, aponta que o Brasil é o país que mais consome remédios para emagrecer no mundo. A sibutramina inibe o apetite e aumenta o gasto energético, mas são os efeitos colaterais em determinados usuários que preocupam os médicos. Os remédios podem causar gosto estranho na boca e boca seca, náusea, estômago irritado, constipação, problemas para dormir, tontura, cólicas menstruais, dor de cabeça, sonolência, dor nos músculos e articulações. Os efeitos mais preocupantes podem atingir os pacientes com distúrbios cardiovasculares.

 


A nutricionista Marcella Cardozo explica que a indicação de remédios de emagrecimento deve ser analisada para cada caso.

 

"O tratamento para emagrecer, através de medicamentos, deve ser individualizado. Os medicamentos devem ser prescritos criteriosamente a pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m², e com IMC igual ou superior a 25 kg/m², acompanhado de outros fatores de risco, como a diabetes", explica.

 

Ricardo Henry garante que uma dieta saudável também pode trazer resultados positivos. A ingestão de remédios é indicada para pacientes que necessitam do auxílio no emagrecimento.
"O remédio deve ser adotado juntamente com hábitos saudáveis de vida, que compreendem alimentação equilibrada e atividade física regular. Para quem não tem o IMC superior aos valores considerados sobrepeso, não é recomendado tomar o medicamento", conclui Henry.

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