terça-feira, 20 de Setembro de 2016 15:05h Jotha Lee

“Eu sei o que vou encontrar, mas eu também conheço os caminhos”

Aos 84 anos, completa­dos no dia 11 de julho, ainda esbanjando saúde de ferro, o ex-prefeito Galileu Teixeira Machado, tenta mais uma vez se eleger prefeito de Divinópo­lis. Candidato pela Coligação “Experiência e Trabalho por Divinópolis”, formada pelos partidos PMDB, PV, PDT e PMN, o ex-prefeito tem como candidato a vice, o médico Rinaldo Valério. Numa en­trevista de 80 minutos, ele se negou a responder uma única pergunta. “Como o senhor avalia a atual administração?” “Prefiro não falar, porque eu tenho o maior apreço por ele [atual prefeito Vladimir Aze­vedo]. Ele é meu adversário, não meu inimigo”. Todas os demais questionamentos ele respondeu com seu jeito sim­ples, sempre reafirmando um de seus bordões preferidos. “Eu sou candidato do povo. Me perguntam por que me visto dessa maneira [calça jeans surrada, camisa de malha e tê­nis] e eu sempre respondo que eu sou um homem do povo e sempre fui assim”. Quando se fala em administrar a cidade, ele não vacila ao deixar claro que conhece as dificuldade que o próximo prefeito vai ter. “Eu sei o que vou encontrar, mas eu também conheço os caminhos”.

QUAIS OS PRINCIPAIS PONTOS O SENHOR PRETENDE ATACAR DE IMEDIATO SE FOR ELEITO?

Gostaria de dizer que eu estou andando muito pela cidade, fazendo contatos nas zonas rural e urbana, com as entidades de classe e isso me permitiu começar a elabora­ção de um plano de governo, mas que ainda não foi fecha­do. Eu tenho experiência de três mandatos e sei que não é possível fazer um bom plano sem ouvir o povo. Começamos a elaborar esse plano, mas estamos, ainda, ouvindo as comunidades para chegarmos a um programa de governo que atenda aos desejos da população.

O SENHOR ESTÁ ANUNCIAN­DO QUE VAI REABRIR O ANTI­GO PRONTO-SOCORRO, ONDE FUNCIONARAM A PREFEITU­RA E O TERMINAL RODOVI­ÁRIO. ISSO SERÁ EM CURTO PRAZO?

Tenho como candidato a vice-prefeito um médico [Ri­naldo Valério], com 36 anos de profissão e com larga experiên­cia na vida pública. Vai nos aju­dar muito na questão da saúde pública, já que ele é médico do sistema há 29 anos. Como médico, será ele quem dará as coordenadas da área de saúde. Já conversamos sobre isso e é ideia dele, que certamente fará parte do nosso plano de governo, a criação de mais três UPAs: no São José, Bom Pastor e outra na região do Niterói, e a UPA Central. Havendo a entrada de recursos, que eu sei que vai haver, nós faremos um Pronto-Socorro no antigo local que ele era, ampliado, digno de Divinópolis e da população.

O SENHOR FICOU CONHECIDO COMO O PREFEITO CONSTRU­TOR DE PONTES. AGORA O SENHOR ANUNCIA A CONS­TRUÇÃO DE UMA PONTE NO REALENGO. QUAL SERÁ O BENEFÍCIO DESSA OBRA?

A grande vantagem, como disse Ronan Tito [político mi­neiro, ex-senador e ex-deputa­do federal] na inauguração da ligação do Danilo Passos com o Bom Pastor é que a ‘ponte liga os povos’. Para aqueles que cri­ticam a construção de pontes é preciso perguntar: ‘o que a po­pulação prefere, fazer pontes ou comprar canoas?’. Eu acho que fazer pontes é melhor. Fiz todas as pontes da cidade, ex­ceto o viaduto [Porto Velho] e Niterói, todas as outras foram feitas no meu mandato. Vou continuar construindo pontes, porque sei que são necessárias. Eu tenho a intenção de fazer uma ponte ligando a região Sudeste [composta por 36 bairros, incluindo Aeroporto, Jusa Fonseca, Dona Rosa, Da­vanuze, Nações e Ponte Funda] ao Hospital Regional. São mais de 40 mil moradores, como essa gente toda vai ao Hospital Regional, tendo que dar uma volta imensa pelo Centro da cidade? É uma viagem. Essa ponte vai sair da Quinta das Palmeiras, atravessar o Itape­cerica e chegar ao Belvedere II. Vamos urbanizar a região, Formando um meio anel ro­doviário. Se eu for eleito, essa ponte vai acontecer.

O SENHOR NÃO TEM NE­NHUM DEPUTADO DA CIDADE APOIANDO SUA CANDIDATU­RA. COMO O SENHOR PRETEN­DE SE RELACIONAR COM ELES?

Realmente. E eu vou evitar inchar a prefeitura, porque todos eles colocam lá [em cargos comissionados], dez, vinte, trinta, quarenta, cin­quenta pessoas. Tem deputado que tinha cinquenta pessoas nessa administração. Não vou ter esse compromisso com nenhum deputado. Agora, aquele que quiser nos ajudar, será muito bem vindo, agora, se não quiserem, tem outros deputados fora que podem nos ajudar. E eu tenho a vantagem de que o vice-governador do Estado é do meu partido e te­nho nele o caminho certo para buscar recursos em Brasília. Governo nenhum nunca me ajudou em nada. A não ser o José de Alencar [ex-vice-pre­sidente da República e ex-se­nador] que me deu o dinheiro para construção da trincheira da Goiás e também os recursos par a construção do Conjunto Habitacional Padre Herculano, governo nenhum nunca me deu nada. Tudo que fiz foi com dinheiro nosso.

COMO O SENHOR PRETENDE SE RELACIONAR COM A CO­PASA?

É preciso puxar um pouco pela história. O DNERU [ex­tinto Departamento Nacional de Endemias Rurais], quando saiu de Divinópolis com sua extinção, deixou um projeto de tratamento do esgoto para a cidade, que previa a constru­ção de 25 pequenas estações de tratamento em diversos pontos a cidade. Quando as­sumi o governo, eu peguei esse projeto e comecei a co­locá-lo em prática. Construí três miniestações: no Lagoa dos Mandarins, no Del Rei/Primavera e Candidés. Esta­vam prontinhas para entrar em funcionamento. Como eu perdi as eleições, foi tudo por água abaixo. Então veio o meu sucessor [Demetrius Pereira]. As estações prontinhas para funcionar, faltando só as liga­ções. Meu sucessor preferiu tirar os vigilantes, parece que já com intenção já de passar para a Copasa e hoje está tudo depredado. Está lá para quem quiser ver. Laboratórios to­dos quebrados, levaram tudo, pia, torneira, equipamentos, roubaram tudo. Hoje, todo o esgoto do presídio Floramar passa pela estação, que está entupindo porque não tem manutenção e está se espar­ramando pela área, causando um insuportável mau cheiro. Eu não engulo isso não. Se eu for eleito e, se juridicamente haver amparo, eu vou rever esse contrato de concessão do esgoto. Tem dinheiro para o município fazer isso. Eles queriam era passar o esgoto para a Copasa.

O SENHOR TEVE UMA RELA­ÇÃO TUMULTUADA COM OS SERVIDORES PÚBLICOS NO SEU SEGUNDO MANDATO, COM ATRASOS DE SALÁRIOS. O SENHOR TAMBÉM SE RE­CUSOU A ASSINAR UM COM­PROMISSO COM O SINTRAM. COMO O SENHOR PRETENDE SE RELACIONAR COM O SER­VIDOR PÚBLICO?

Eu pretendo ter a melhor relação possível com o servidor público. Com o dinheiro que entra dos governos estadual e federal, a prefeitura não pre­cisa tirar recurso próprio para obras. Com o dinheiro nosso que entra, dá para garantir os salários dos servidores e ainda sobra. Servidor público, estan­do tudo bem na questão sala­rial, você está bem com eles. É o que eu quero fazer. No meu tempo não tinha dinheiro. Ou fazia uma obra e atrasava o pagamento ou não fazia. Que­ro ter a melhor relação com o servidor. Eu não assinei o com­promisso e dei a justificativa. Eu não vou assinar algo que eu não conheço. Eu não sou o dono da minha candidatura. Nós vamos estudar o pedido do Sindicato e, se for viável, nós vamos assinar. Eu não vou assinar um documento para fazer bonito para servidor. Isso eu não faço. Não assinei e disse que vou encaminhar por escri­to o que for possível atender, porque eu não vou prejudicar minha administração para fazer bonito para pegar voto do servidor.

O SENHOR PRETENDE REVER ESSAS REIVINDICAÇÕES DOS SERVIDORES?

Vou analisar todas elas. O que puder ser feito, será, o que não for possível, não vou fazer. O prefeito que esta aí deu 3% de aumento para os servidores e agora fica a responsabilidade para o próximo prefeito. Situa­ção igual aconteceu com meu antecessor [atual deputado federal pelo PSDB, Domingos Sávio]. Ele criou o Diviprev [Instituto de Previdência dos Servidores] e não teve peito de implantar. Criou o Diviprev para ser implantado pelo seu sucessor. Fui obrigado a im­plantar por força da lei. Hoje, o Diviprev está aí numa situação difícil e a qualquer hora vai ex­plodir. Essa administração está terceirizando tudo e com isso não vai nada para o Diviprev. A saúde em Divinópolis está terceirizada. Terceirização não vai acontecer no meu governo, em nada, inclusive esse esgoto, se eu puder, eu vou rever esse contrato.

O ATUAL GOVERNO DEVE DEIXAR MUITAS OBRAS INA­CABADAS. O SENHOR VAI CON­CLUÍ-LAS?

Tudo que já foi iniciado, dentro das possibilidades, vamos terminar tudo. Não tenha a menor dúvida. Sei que vou encontrar uma prefeitura em muitas dificuldades finan­ceiras, mas isso teremos que analisar a forma de agir após assumir o governo. Eu sei o que vou encontrar, mas eu também conheço os caminhos. Eu sei que vou ter boas fontes de recursos. Tenho certeza que vou ser apadrinhado para con­seguir os recursos necessários. Eu vou ser parceiro do povo. Onde for necessário, eu vou levar as melhorias.

O SENHOR TEM UMA PENDÊN­CIA A SER RESOLVIDA COM A JUSTIÇA. COMO O SENHOR ESTÁ ENCARANDO ESSA DIFI­CULDADE?

Não estou encarando como nenhuma dificuldade. Absolu­tamente. O que foi pedido [em documentos] foi fornecido. A promotoria pública é quem pede o indeferimento de um candidato e o promotor não pediu a impugnação do meu registro. Está tudo conforme a exigência do Tribunal Su­perior Eleitoral e aqui não foi considerado. Toda certidão que foi exigida, foi fornecida, por isso o promotor não pediu minha impugnação, porque está tudo dentro da lei. [Galileu teve seu pedido indeferido pelo juiz Marcelo Salgado, da 102ª Zona Eleitoral, com base na Lei da Ficha Limpa. Seu recur­so foi indeferido em segunda instância e ontem o Pleno do Tribunal julgou dois agravos interpostos pelo ex-prefeito. Até o fechamento dessa edição, a decisão ainda não havia sido publicada].

QUAL A MENSAGEM O SE­NHOR DEIXA PARA O ELEITOR DIVINOPOLITANO?

Deixo a mensagem de que eu sou nascido e criado em Divinópolis e trago comigo uma bagagem de três mandatos para administrar a prefeitura. Isso me dá um know-how impor­tante para que eu aspire a volta à prefeitura e, pelo que eu conhe­ço de administração pública, eu vou dar o melhor possível para o povo, que está ansioso por um administrador que olhe para a população mais carente.

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