sexta-feira, 29 de Maio de 2015 13:00h Atualizado em 29 de Maio de 2015 às 13:07h. Pollyanna Martins

Exposição fotográfica “Meu parto cercado de amor” será realizada no Shopping Pátio até terça-feira

Evento tem como propósito marcar o Dia Internacional da Saúde da Mulher, o Dia Nacional da Redução da Morte Materna e a Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento

Começou ontem a exposição fotográfica “Meu Parto Cercado de Amor”, realizada pela rede de mulheres “Parto do Princípio”, pelo grupo Ishtar Espaço para Gestantes e pela a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa). O evento é gratuito e será no 1° piso do Shopping Pátio, a partir das 15h, até o dia 2 de junho. A mostra, que conta ainda com a parceria da Associação de Combate ao Câncer do Centro Oeste (Acccom), com a oficina educativa sobre a identificação precoce do câncer de mama e redução do risco de câncer de colo de útero, tem como objetivo marcar o Dia Internacional da Saúde da Mulher, o Dia Nacional da Redução da Morte Materna e a Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento.
Segundo a doula Rebeca Charchar, como ontem foi o Dia Nacional da Redução da Morte Materna, e o dia tem a ligação direta à qualidade assistencial ao parto, a exposição tem o intuito de lembrar sobre o parto respeitoso, ao apoio a mulher e a melhoria dos resultados perinatais. “Outra data comemorativa é a Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento, que é uma forma de chamar a atenção para o parto, de respeitar o parto como um momento importante. Que as pessoas querem viver e não sobreviver”, descreve.
A exposição mostrou cenas de mulheres em trabalho de parto ou durante o parto, recebendo apoio empático. A doula lembrou que o Brasil tem a maior taxa de partos cesárea no mundo e ressaltou que, com isso, a taxa de mortalidade materna também é alta no país. “Quanto mais cesárea a gente tem, mais morte materna e infantil a gente tem, relacionadas à via de nascimento. A partir do momento que a gente está promovendo o parto normal, nós estamos melhorando a qualidade da assistência, estamos mostrando para a mulher que ela tem a capacidade de viver uma experiência protagonizada e respeitosa”, frisa.
O evento contará também com rodas de bate-papo e troca de experiência, organizadas pelo grupo Ishtar, do dia 30 de maio a 2 de junho. De acordo com Rebeca, a mulher que se sente respeitada no parto tem mais chances de ter mais vínculo com o bebê e ter sucesso na amamentação. A doula explica que a gestante pode escolher como vai ganhar o neném, e se terá ou não intervenções durante o parto. “O grupo de apoio sempre acontece no último sábado do mês, e a gente desmistifica a assistência ao parto, que muitas vezes a dor que a mulher referencia como medo dela no trabalho de parto, é a dor das intervenções. A gente mostra para as mulheres que existem partos sem intervenções”, afirma.

 

CONVITE
O parto natural oferece menos risco para a saúde do bebê e da mãe. Conforme Rebeca, os riscos de infecções e hemorragias para a mãe, e os riscos respiratórios para o bebê são baixos. “A cesárea é uma cirurgia de grande porte e ela está sendo feita sem critério, e a gente não faz uma cirurgia sem critério. A mulher entra no consultório, faz um vínculo com aquele médico e a partir do momento que ele indica uma cesárea ela não se sente forte para poder trocar de médico. A mulher é forte, é capaz de receber informações e fazer uma escolha de forma consciente”, reforça.
Para as mulheres que estão com o parto cesárea marcado, e ainda tem dúvidas, ou não optou por um parto, a doula faz um convite. “A gente vai ficar aqui das 15 às 21 h, para acolher essa mulher que está com a cesárea marcada e não quer ir, porque ela quer um parto normal, que ela quer discutir a indicação. Quer saber como que ela faz para ter um parto natural na água, de cócoras, como que ela faz para ter isso. Nós vamos estar aqui para acolher essas pessoas, abrir as opções para que ela faça a escolha”, informa.
EXPERIÊNCIA
A funcionária pública Giselle Soares de Souza é mãe de Gustavo de quatro anos e do pequeno Rodrigo, de cinco meses. A servidora, que estava em uma das fotografias da exposição, conta que o parto do primeiro filho foi cesárea, pois não teve acesso a informação. Segundo Giselle, quando estava grávida de 37 semanas o médico realizou o parto. A servidora relembra que durante o parto do primeiro filho o marido não a acompanhou, mas ao optar pelo parto normal do segundo filho, a experiência foi transformadora. Ela teve o bebê no Hospital Sofia Feldman, em Belo Horizonte, para que o seu sonho de um parto na água fosse realizado. “Quando eu engravidei do Rodrigo, eu quis normal desde o princípio, então eu comecei a me informar e a participar das reuniões do grupo [Ishtar]. Foi do jeito que eu queria o parto na água. É emocionante, você sente mesmo o milagre de Deus.”, avalia.

 

Crédito: Pollyanna Martins

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