sexta-feira, 29 de Junho de 2012 14:12h Flaviane Oliveira

Falta de leitos de CTI em Divinópolis coloca pacientes em situação de risco

Durante as discussões da 8ª reunião do Siga Vivo que foi realizada em Divinópolis, o alto índice de acidentes foi apontado como situação preocupante no município.

Durante as discussões da 8ª reunião do Siga Vivo que foi realizada em Divinópolis, o alto índice de acidentes foi apontado como situação preocupante no município. Porém, mais preocupante que a taxa de acidentes é a falta de leitos para atender não só acidentados, mas também pacientes em situação grave que precisam de atendimentos por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

 


O neurocirurgião que atua no Hospital São João de Deus, Jairo Batista Netto fala da situação dos acidentes em Divinópolis e da falta de estrutura adequada para atendimento hospitalar, “A realidade de Divinópolis é uma realidade que é vista no país inteiro. Cada dia que se passa a gente  tem mais carros e estradas cada dia piores e infelizmente não tem um custeio para os hospitais do SUS. Em Divinópolis por exemplo, você não tem um Pronto Socorro, uma cidade que é uma referência em saúde da região não tem um Pronto Socorro, tem uma Unidade de Pronto Atendimento” explica.

 


Essa situação obriga os médicos a muitas vezes fazer uma escolha arriscada, “Então você as vezes tem que escolher o paciente que vai para o CTI. São aproximadamente 12 vagas no CTI do Hospital São João de Deus que é o Hospital que atende SUS. Então é lamentável a realidade hoje. Estou há 15 anos em Divinópolis e a situação hoje é pior do que quando eu cheguei aqui” avalia o médico.

 


Jairo fala ainda dos atendimentos prestados, “Um grande problema é que o paciente chega de urgência e ele não tem como dar continuidade ao seu tratamento. É um paciente que não tem vagas, precisa de uma tomografia e não tem uma tomografia. É um paciente que ele perde o tempo de tratamento. Então esse paciente vai ficar sequelado, vai gastar com fisioterapia, com fonoaudiologia, com tratamento neurológico prolongado e então quer dizer que se você computar esses custos, daria para fazer hospitais bem equipados com vários setores” ressalta o neurocirurgião.

 


O médico avalia que em Divinópolis são prestados cerca de dois mil atendimentos para acidentados por mês, com o registro de mais de dez acidentes por dia no trânsito da região e devido à precariedade da estrutura e falta de leitos, somente 20% dos atendidos chegam ao fim do tratamento.

 


Os casos mais comuns atendidos no município são de traumatismo de crânio grave, traumatismo raquimedular, “para o paciente é uma mudança de vida total, é muito comum no Pronto Socorro você ter dois a três casos de traumatismo raquimedular por dia e você muda a atividade do paciente. O paciente vai ficar paraplégico, tetraplégico e ele vai mudar a vida dele e a vida da família” destaca o neurocirurgião.

 

ATENDIMENTO HOSPITALAR

 


Alair Rodrigues de Araújo, clínico geral e diretor técnico do Hospital São João de Deus, que também esteve presente no encontro do Siga Vivo, falou da situação da falta de leitos não só para acidentados, mas também para a população em geral, “O Hospital São João de Deus tem hoje 400 leitos e tem um total de leitos de Terapia Intensiva, chamados de CTI, total de 23, 8 infantil, 15 adultos, sendo desses 15, 4 para a parte cardiológica e então na verdade a gente tem 11 leitos de CTI para pacientes adultos que é os que interessariam a maioria nessa questão de acidentes de trânsito” explica Alair.

 


Alair fala da necessidade da ampliação de leitos, “Um hospital do perfil do São João de Deus deveria ter 80 vagas do CTI que é 20% do total de leitos. A gente podia dividir 50 para adultos e 30 para crianças e hoje nós temos 15 de adulto quando deveria ser 50 e temos 8 quando deveria ter 30. É um verdadeiro terror tanto para as esquipes que estão ali assistindo, quanto para a direção do hospital para resolver esse problema, principalmente com a maioria da população.

 


O diretor técnico do hospital afirma que os pacientes em estado grave devido a traumatismos ou acidentes são chamados de politraumatizados e apesar da equipe médica, a falta de leitos é determinante, “O hospital tem equipe adequada para atender, neurocirurgião, tem cirurgião geral, cirurgião vascular, cabeça e pescoço, tem clínico, tem CTI, mas não tem vaga, tanto que para esses pacientes teriam que ter vagas reservadas. Vira um terror na hora que tem paciente esmagado, politraumatizado. Você liga para o Hospital e não tem a vaga” considera.

 


Alair completa, “É claro que quando tiver o Hospital Municipal vai ser a realidade, mas hoje é o hospital São João de Deus que atende a população SUS em Divinópolis e é  a referência para esses casos graves na região toda. Então ele é a referência para toda a região para os casos graves e urge o aumento de vagas de terapia intensiva no Hospital. Tem medidas sendo adotadas para a ampliação disso” ressalta.

 


Quando questionado sobre o risco de morte pela falta de leitos, Alair não descarta essa possibilidade, “Sim porque para receber o tratamento adequado devia ter que ir para uma vaga de CTI, se não tem a vaga não vai, fica aguardando no Pronto Socorro Regional ou quando está dentro do hospital fica em um leito comum, recebendo assistência que aumenta o Risco dele. O risco da própria vida e o risco de sequelas”. Ele explica ainda que esforços estão sendo realizados, “Estamos trabalhando junto ao governos, as autoridades, os órgãos competentes para assim com urgência aumentar essas vagas, temos uma previsão e acreditamos que se forem cumpridos todos os alinhamentos de convênios intermediados pelos nossos políticos e negociados pela direção do hospital, a gente acredita que o número que não é ideal mas que seria razoável deve acontecer dentro de um ano, não tem como ser com menos tempo” considera.

 

BUSCA POR SOLUÇÕES

 


De acordo com o secretário adjunto de saúde, Gilmar Santos, a defasagem de leitos de CTI é histórica no município e a busca por reverter essa situação é constante. Para o secretário, o essencial seria que Divinópolis tivesse uma média de 70 a 80 leitos. A solução apontada é a entrega do Hospital Público de Divinópolis, que contará com mais 30 leitos de CTI. Outra solução já buscada é  a captação de recursos do estado por meio do Pró-Hosp para a ampliação do número de leitos que já está programada para o próximo ano.

 


Gilmar avalia ainda que nos casos de risco de morte eminente, várias medidas são adotadas, entre elas a transferência do paciente para hospitais do estado e todas as ações possíveis estão sendo tomadas, para que dentro das possibilidades os atendimentos sejam prestados sem prejudicar os pacientes que dependem do SUS. Mais uma forma de garantir a melhoria dos atendimentos será a instalação da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e do SAMU que já está dentro dos planos da secretaria.

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