quinta-feira, 2 de Maio de 2013 10:40h Daniel Michelini

Falta de opções no mercado prejudicam atendimento nas unidades básicas de saúde

Nos últimos meses, boa parte da população divinopolitana que necessita de atendimento em unidades públicas de saúde, especialmente no Pronto Socorro Regional e em postos de saúde, vem reclamando dos serviços nos locais, seja por ineficiência ou pela demora. No entanto, muitos acham que a situação é simples de resolver, mas não é isso que podemos perceber.


Segundo o secretário municipal de saúde, Dárcio Abud Lemos, o mercado atual não oferece o número e qualidades suficientes para ocupar as lacunas existentes nas unidades de saúde, como a Central, a do bairro São José e em Santo Antônio dos Campos (Ermida): “Existe uma falta de profissionais na área em todo o Brasil, e em Divinópolis a situação não é diferente. Nós temos um déficit de médicos e não conseguimos contratar para suprir todas as vagas que temos disponíveis”, afirmou o secretário, explicando que esse déficit se deve justamente à falta de mão de obra qualificada: “Fazemos os processos de seleção e não apareceram candidatos suficientes e qualificados para os cargos”.


Um exemplo apontado por Dácio Abud e que especifica este problema é a área da pediatria. Constantemente, a secretaria municipal de Saúde (Semusa) faz processos para médicos pediátricos, e muitas vezes, esses processos não possuem nenhum profissional selecionado.


Outro fator determinante apontado pelo secretário para que essa situação demore a ser resolvida é a questão salarial: “Temos uma concorrência desleal de alguns municípios da região, que oferecem um salário maior do que a média de mercado”, revelou Dárcio. Ainda de acordo com ele, essas cidades não possuem uma demanda tão grande quanto Divinópolis e, aliado ao salário mais alto, alguns profissionais preferem ir para estes locais: “É necessário entendermos que estes municípios que possuem populações menores do que Divinópolis, às vezes, tem ofertas de serviços limitados pela especialidade médica, desta forma tem um número menor de médicos e oferecem um atendimento que não faz um tratamento completo”.


Dárcio Abud confirma que muitas vezes os pacientes são encaminhados para Divinópolis, pelo fato de a cidade ser considerada referência em toda e região, causando um efeito de ‘inchamento’ nesse atendimento, aumentando a necessidade de um corpo médico mais qualificado: “Por isso que, constantemente, temos problemas nos atendimentos de emergência na cidade. Mas temos problemas também na atenção básica a saúde devido à falta de médicos”, declarou.


Para buscar amenizar a situação, existem várias ações que estão sendo realizadas ou ainda sendo estudadas pelas autoridades: “A frente nacional dos prefeitos irá discutir com o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a questão de suprir, com médicos do exterior, as equipes de saúde da família e atenção básica”, garantiu Dárcio Abud, dizendo ainda que é uma política do SUS (Sistema Único de Saúde) tratar e prevenir as doenças na atenção básica à saúde, de modo que diminua os casos de atendimento nas unidades de emergência e hospitais: “Essa anomalia existe no país todo, inclusive em Divinópolis. Esses médicos viriam apenas para a área da atenção básica à saúde. Os atendimentos nos postos de saúde estão comprometidos devido a isso”, afirma.


Outra política que está sendo adotada é em parceria com a Universidade Federal de São João Del Rei (Campus Dona Lindu) para a fixação completa dos profissionais em Divinópolis, fazendo residência na atenção básica à saúde: “Esse assunto é tratado como prioridade”, disse Dárcio Abud.


UPA PONTE FUNDA


Sobre a Unidade de Pronto Atendimento da Região Sudeste, Dárcio ressaltou que está faltando licitação para o término da obra: “Ainda nos resta adquirir alguns equipamentos e estamos na fase final de especificação, mesmo já possuindo a verba para a compra. Além disso, vamos fazer um processo de contratação para definir quem irá gerir a UPA Sudeste, que passa pela licitação dessa contratação também. A opção da prefeitura é buscar uma entidade para que consiga gerar tanto a UPA Sudeste quanto o Hospital Público”, finalizou.

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