sábado, 24 de Setembro de 2016 11:11h Amilton Augusto

Falta qualidade nos bairros de Divinópolis

Enormes crateras em vias de transporte coletivo, falta de calçada em avenidas próximas a escolas e a igrejas, lixo despejado em qualquer lugar e mato fazem parte do cenário de muitos bairros da periferia de Divinópolis

A qualidade da Adminis­tração Pública de uma cidade pode ser medida através do cuidado e da manutenção destinada às vias públicas, às praças e à infraestrutura dos bairros, especialmente os periféricos. Nos últimos tem­pos, os divinopolitanos têm sofrido com inúmeros buracos e irregularidades que se apre­sentam nas ruas e avenidas em toda a cidade.

Enormes crateras em vias de transporte coletivo, falta de calçada em avenidas pró­ximas à escola e à igreja, lixo despejado em qualquer lugar e mato fazem parte do cenário de muitos bairros da periferia de Divinópolis. Enquanto em bairros mais valorizados, imo­biliariamente, a manutenção e a reformulação do trânsito seguem padrão de primeira linha.

O Gazeta do Oeste foi até alguns bairros de Divinópolis para conhecer a realidade da infraestrutura desses lugares. Será que é seguro para uma criança de bairros afastados voltarem da escola? Como estão os bairros de Divinópo­lis? Procuramos a prefeitura e alguns moradores para conhe­cer melhor essa parte quase esquecida da cidade.

PANORAMA GERAL

Percorremos algumas vias de acesso aos bairros afasta­dos da cidade, como o Del Rey, Candidés, São Bento e Cande­lária, para abordar e conhecer essa realidade. Mesmo em tempos de seca, com pouca ou quase nenhuma chuva, é possível encontrar muitos buracos, alguns enormes, nas vias asfaltadas, que servem como passagem de ônibus coletivo.

O professor Roberto Pe­reira sai de carro todos os dias para o trabalho e reclama da falta de cuidado com a cida­de. “Andar nas ruas de alguns bairros de Divinópolis está complicado. Há buracos por todos os lados, como aqui na Avenida Mar e Terra, que dá acesso ao bairro Candelária e ao bairro Jardim das Oliveiras. A prefeitura faz o recapeamen­to, mas não sei por que a pista continua irregular, seja pela má qualidade do remendo, que forma um degrau, seja pelo surgimento breve de um novo buraco no mesmo lugar. Aqui no Candelária, a prefei­tura sempre vem fazer algum remendo, tapam os buracos até com terra. Agora, veja se pode, você tapar buraco com terra. Quanto tempo será que vai durar o trabalho realizado de um dia inteiro por homens da prefeitura?”, reclamou o professor.

A avenida possuía várias curvas, não tem calçada e chega a ser estreita, devido à grande quantidade de carros, ônibus e caminhões que tra­fegam ali. Uma escola pública e várias igrejas se encontram próximo da avenida, que serve de acesso para crianças que disputam espaço entre o mato e os carros. Para a doméstica Maria de Lourdes, se torna perigoso levar ou buscar o filho na escola. “Tenho que passar por aqui, nesse lugar perigoso, com minha criança. No final da tarde, quando acaba a aula, aqui fica muito movimentado e várias vezes os carros passam quase raspando na gente”, contou.

Já na Rua dos Flambo­aynts, no bairro Del Rey, um buraco enorme toma conta da rua de uma margem à outra. Um morador, que não quis se identificar, informou que o problema é maior do que parece. “O nosso bairro sem­pre foi esquecido, foi o último a receber alguma coisa. Esse buraco já está aqui tem uns seis meses e nunca ninguém veio aqui para tomar uma providência”, contou.

Já no bairro São Bento, as ruas, que nem sequer re­ceberam algum tipo de piso, servem como depósito de lixo e criadouro de animais peçonhentos. Frutos da falta de consciência dos cidadãos, que jogam lixo nos lotes e nas ruas e da falta de eficiência do serviço de coleta de lixo, transitar pelas ruas do bairro pode trazer perigos.

PREJUÍZOS

Além dos riscos de aci­dente que os buracos esque­cidos nas vias podem causar, existem também os prejuízos mecânicos que afetam os veículos. Irregularidades no pavimento podem danificar vários sistemas do veículo e causar prejuízos financeiros grandes.

De acordo com o mecânico de automóveis, Carlos Silva, quando o motorista passa em um buraco, várias partes do carro sofrem. “O veículo só se locomove porque está em contato com o solo e, por isso, as rodas, pneus e sistema de amortecimento são os que sofrem com os buracos. Vários problemas podem acontecer, desde um simples desalinha­mento até a perda total do sistema de amortecimento e também pneus”, comentou.

RESPOSTA DA PREFEITURA

Em nota, a Prefeitura de Divinópolis respondeu o se­guinte: “a Prefeitura de Divi­nópolis investiu nos últimos anos em infraestrutura em dezenas de bairros do muni­cípio. Foram pavimentadas e calçadas, em 8 anos, perto de 100 km de ruas. Somente nos últimos quatro anos, R$ 12 milhões foram investidos na pavimentação de ruas na cidade.

A Prefeitura de Divinópolis reconhece a falta de infra­estrutura de alguns bairros, mas os investimentos desde 2009 permitiram diminuir a forte escalada de abertura de 200 loteamentos nos anos 80 sem qualquer tipo de infra­estrutura.

Neste ano, por exemplo, as obras de drenagem e as­faltamento do itinerário das linhas de ônibus chegaram no bairro Belo Vale. Foram 11,7 mil metros quadrados de pavimentação asfáltica e 106 metros de rede de drenagem pluvial, com investimento de R$ 570 mil.

Na zona rural, também foram aplicados recursos mu­nicipais. A Prefeitura de Divi­nópolis finalizou o calçamento de 14 quarteirões na comuni­dade de Buritis. Ao todo, foram 7,5 mil metros quadrados de pavimentação poliédrica.

A Prefeitura de Divinópo­lis, em parceria com os mora­dores, desenvolve sete frentes de calçamento neste momen­to em bairros da cidade. Neste ano, 220 quarteirões recebe­ram calçamento poliédrico em Divinópolis, de acordo com o Setor de Calçamento da Se­cretaria Municipal de Opera­ções Urbanas. Trabalhadores finalizaram, por exemplo, o calçamento na Rua Atenas, no bairro Padre Eustáquio, e na Rua Antonina Maria Pereira, no Davanuze.

No bairro Nova Holanda, as ruas Santarém e Três Pon­tas recebem os serviços de calçamento.

Referente à demanda da Avenida Mar e Terra, do bair­ro Candelária, os serviços de manutenção já estão na pro­gramação e chegam ao bairro nos próximos dias. Referente ao bairro Del-Rei, a Prefeitura conta com apoio da população para informar sobre o proble­ma. Funcionários vão verificar qual é a situação da rua e se o buraco é de responsabilidade do município.

A Prefeitura de Divinópolis define, junto com a comu­nidade, quais áreas recebem investimentos. O município tem a Diretoria de Relações Institucionais e Comunitárias para atender as associações de bairro e definirem quais obras são necessárias. O bairro Sidil recebeu investimentos na área escolar de intensa movimen­tação de carros e pedestres”, concluiu.

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