quinta-feira, 24 de Dezembro de 2015 13:30h Atualizado em 24 de Dezembro de 2015 às 13:33h. Mariana Gonçalves

Família entra na justiça para exigir cirurgia ortopédica para idosa

No início desse mês, Aparecida Maria Rosa, 64 anos, deu entrada na UPA 24h, após ter sofrido uma queda e fraturado o ombro esquerdo

Conforme relata a filha, Andreia, a mãe precisaria ser submetida a um procedimento cirúrgico, que levaria em torno de dez dias para acontecer, segundo foram informados pela equipe da UPA, no entanto, até hoje a cirurgia não ocorreu.
Aparecida está há mais de uma semana internada, a família então decidiu procurar o auxílio de um parlamentar da cidade, que os indicou um advogado para agilizar o procedimento. “Procuramos o Adair Otaviano, que nos indicou um advogado e ele nos ajudou, para que ela (Aparecida) fosse encaminhada para Campo Belo para fazer a cirurgia. Mas, chegando lá, ela teve que voltar para trás, porque relataram que a cirurgia no papel estava indicada que seria de braço, e era de ombro, e lá não tinha ortopedista que fizesse, então ela voltou para a UPA, onde ainda permanece”, diz Andreia.
Para a filha da idosa, a situação em que ela se encontra é revoltante. “Acho um absurdo, a pessoa, principalmente com a idade que minha mãe tem, ficar nessa situação há mais de 20 dias, e ninguém fazer nada. É complicado, porque a pessoa na idade dela já tem a saúde dos ossos mais fracos, e com toda essa demora, quando sair a cirurgia, corremos o risco de nem ficar bom como deveria ser”, desabafa Andreia.

 

AÇÃO JUDICIAL

Diante de toda essa situação, o esposo de Aparecida procurou pela ajuda do Advogado Dr. Eduardo Augusto Silva Teixeira. “Conforme a família alegou quando veio me procurar no escritório, no dia 17, Aparecida foi conduzida pelo Sistema do SUS a Campo Belo, cerca de 200 km de Divinópolis, com o propósito de fazer a cirurgia. Ao chegar lá, o médico responsável negou fazer a cirurgia, alegando que não era a sua especialidade, obrigando a ela retornar para a UPA. Então, entramos com a documentação para a ação necessária”.
Conforme destacou o advogado, na ação, constam principalmente os transtornos gerados à Aparecida, uma vez que o profissional público tem o dever de zelar pela qualidade na prestação do serviço, sendo um cuidado necessário verificar se na cidade de Campo Belo, no hospital para o qual a paciente foi levada, se ele estava preparado com o especialista e todo aparato necessário para se fazer a cirurgia. “Ocorreu uma negativa ao atendimento dessa paciente, quando ela chega lá e tem que retornar à Divinópolis sem o devido procedimento realizado. Fora os transtornos que ela sofreu, porque foi uma viagem longa, com risco de algum acidente na estrada, e a frustração de ter tido todo um preparo para uma cirurgia que não aconteceu”, afirma o Dr. Eduardo.
Ainda segundo afirmou o advogado, a ausência de responsabilidades, tanto por parte do município, quanto do Estado, em cumprir os direitos da paciente, ainda mais se tratando de uma pessoa amparada pelo Estatuto do Idoso, foi fator de grande gravidade. “Um descaso e uma omissão no procedimento, aliás, houve um erro de procedimento, não era para esse hospital em Campo Belo que ela deveria ter sido encaminhada. A ação para requerer de imediato que fosse feita a cirurgia, seja em um hospital do SUS ou pela rede particular. Também estamos com um pedido de indenização por danos morais ao valor de 25 mil. A ação já foi distribuída no 3° Juiz Cível do Juizado Especial”, completou o advogado.

 

SUS

Conforme explicou o assessor de comunicação da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), a classificação das demandas de urgência para intervenções operatórias é feita pelo programa SUS Fácil, o assessor frisou também que a UPA 24h não possui autonomia para realização de tais classificações.
Segundo ainda alegou a Semusa, o SUS Fácil é um programa virtual que, de acordo com a identificação do problema do paciente, busca pela rede, unidades que possam o atender da melhor forma possível. No caso especifico da senhora Aparecida, o encaminhamento para a cidade de Campo Belo não se deu em um primeiro momento para a realização do procedimento cirúrgico. Seu deslocamento até essa unidade, conforme a assessoria da Semusa, foi apenas para uma avaliação médica, no sentindo de saber se a unidade estaria preparada para atender as necessidades apresentadas pela paciente, e como isso não ocorreu, a mesma retornou para a Unidade de Pronto Atendimento, e seu nome novamente foi para as buscas do sistema, de outra unidade que a atenda. Por fim, a Semusa esclarece que a família deveria estar ciente de que, em Campo Belo, não se tratava de um procedimento cirúrgico, pois é dever do médico que efetuou o atendimento a paciente na unidade fazer um laudo informando toda a situação.

 

Créditos: Mariana Gonçalves

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