quinta-feira, 11 de Junho de 2015 10:56h Atualizado em 11 de Junho de 2015 às 10:57h. Mariana Gonçalves

Fiemg lança campanha para conscientizar e orientar os empresários sobre a escassez hídrica

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Regional Centro-Oeste iniciou uma campanha junto às indústrias e às entidades representativas do setor produtivo mineiro para tentar evitar o agravamento da crise hídrica no Estado

Como parte das ações, foi realizado na manhã de ontem, no auditório da FIEMG em Divinópolis, o seminário “Escassez Hídrica na Indústria – como se prevenir”.

O analista ambiental da federação, Deivid Lucas de Oliveira, ministrou a palestra sobre “Gestão de Água e Efluentes e Alternativas de Reuso”. De acordo com o analista, a intenção foi mostrar aos empresários um panorama geral da crise hídrica no Brasil, focando a situação de Minas Gerais e principalmente da Região Centro-Oeste. “A escassez hídrica é algo novo, não esperávamos por um problema desses, neste momento. Objetivamos orientar as indústrias e a sociedade de modo geral sobre o uso consciente da água. ‘O que eu devo fazer’, ‘pequenas atitudes que fazem a diferença’ e ‘como vou conseguir aplicar isso dentro da minha empresa para eu ter uma gestão eficiente da água’”, explica.

Nos últimos meses, os brasileiros sentiram na pele o que é ficar sem água. Diversas regiões do país ficaram praticamente 100% desabastecidas, uma realidade que, segundo Deivid, ainda tende a se agravar mais. “Infelizmente, pelos dados que temos, nos últimos anos o nível de chuvas caiu bastante, principalmente no nosso Estado. E a tendência, por dados estatísticos, é que a crise continuará por mais três anos. Mesmo que tenhamos passado por um período de chuvas nos últimos meses, os reservatórios continuam abaixo do seu nível normal, daí é bem provável que em novembro tenhamos uma situação de escassez pior do que a vivida no final do ano passado”, destaca o analista. 

PRATIQUE

Economizar é simples, basta um pequeno esforço de cada cidadão para seguir as dicas repassadas pelo analista. “Para os empresários, estamos focando no seguinte: identificar as formas de uso no meu processo industrial, saber a quantidade de água que uso e se realmente ela é necessária e como posso diminuir esse consumo. Identificar formas de reuso, aquele influente que até então eu lançava no corpo hídrico, ou seja, no leito de um rio, será que após o tratamento é possível utilizar em uma outra etapa do meu processo industrial? Além disso, estimulamos o uso consciente da água,  principalmente com os colaboradores, atitudes de fechar a torneira enquanto escova os dentes, diminuir o tempo do banho, entre outras ações”, afirma.

ENVOLVIMENTO DE TODOS

“Esse evento é resultado de um compromisso que a Fiemg e outras entidades firmaram com o Governo do Estado. As tarefas de responsabilidade da federação incluem trabalhar a parte de educação ambiental. Temos uma proposta de economizar pelo menos 30% de água em todas as unidades ligadas a federação. Então, na nossa campanha a proposta é reduzir o consumo e levar essa ideia de economia para dentro das empresas. Tivemos problemas pontuais, principalmente aqui na região Centro-Oeste, de empresas que tiveram de parar o processo produtivo por falta de água”, relata Deivid.

SUPRAM
Quem também participou do evento representando a Superintendência Regional de Regularização Ambiental (Supram) Alto São Francisco, bem como a pessoa do superintendente Nalton Sebastião Moreira da Cruz – que estava em um compromisso agendado anteriormente em Belo Horizonte – foi o diretor de apoio técnico, Silvestre de Oliveira Faria.

Silvestre falou sobre a situação e iniciativas da Supram Alto São Francisco e sobre os processos de outorga. O técnico disse que, no ano passado, houve uma renovação do quadro técnico da Supram, mas nem todas as vagas foram preenchidas, o que tem dificultado e atrasado alguns dos procedimentos de responsabilidade do órgão. “Tivemos uma reposição muito lenta de técnicos e isso fez com que algumas das nossas demandas fossem acumulando. Então, a primeira coisa que o novo governo fez foi pedir para que fizéssemos um levantamento de todos os processos de licenciamento que estavam parados dentro da Supram e demais documentações. Esse relatório foi encaminhado para Belo Horizonte, porém ainda não temos uma resposta. Em contrapartida, estamos tentando, dentro do possível, dar andamento nas outorgas solteiras encaminhando esses documentos para o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) do Alto São Francisco. Estamos tirando uma boa quantidade de outorgas que estavam sob nossa responsabilidade e estamos providenciando a contratação de mais quatro técnicos para repor o quadro da Supram”, encerra.


Crédito: Mariana Gonçalves

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