quinta-feira, 5 de Março de 2015 10:33h Atualizado em 5 de Março de 2015 às 10:37h. Lorena Silva

Funcionários da Comunidade Missão Maria de Nazaré denunciam falta de pagamento da Prefeitura

Sem receber a dois meses, eles afirmam que não é a primeira vez que a situação ocorre

Desde janeiro, alguns funcionários da comunidade católica, Missão Maria de Nazaré, estão sem receber o salário, devido à falta de pagamento da Prefeitura - que mantém parte dos custos da associação por meio de convênios. Indignados, os trabalhadores alegam que essa não é a primeira vez que a situação ocorre e ainda apontam outras dificuldades na relação que mantêm com o Executivo.
De acordo com o cuidador social, Higor Francisco Ananias, que trabalha na unidade masculina da Casa de Maria Mãe Mestra há mais de um ano, a parceria com a Prefeitura é realizada por meio de dois convênios, já que a entidade possui quatro casas de abrigo no município. Segundo Higor, ele teria conhecimento de que, pelo menos os funcionários que trabalham junto com ele, já estariam com o pagamento do salário atrasado há dois meses, sendo que a última parcela paga foi a referente ao mês de dezembro.
“Desde que eu comecei a trabalhar na instituição ocorrem esses atrasos no pagamento. Fica uma situação muito ruim, porque a associação tem que se virar para conseguir esse dinheiro. E ela acaba tirando dinheiro do caixa dela para poder pagar os funcionários. Chega um momento, que ela não pode tirar mais do caixa, porque se tirar, não tem como ela pagar as contas dela”, argumenta o funcionário.
Apesar de ser coordenadora da unidade feminina da Casa de Maria Mãe Mestra, Maria José Souza é contratada com vínculos com a unidade masculina e, por isso, também está sem receber o salário. Além do atraso com relação a esse pagamento, a funcionária alega que a instituição enfrenta problemas ao pagar o aluguel, também, por falta de destinação do recurso pelo município.
“Com relação à comunidade, não temos nada para reclamar, pelo contrário. Ela tem fez o que pôde para nos ajudar. Mas acaba que paga um preço muito alto por essa falta de compromisso da Prefeitura. Muitos funcionários já deixaram de trabalhar no local, porque acaba que você vai trabalhar desmotivado”, desabafa Maria José.

 

CONTAS CONTINUAM
Higor conta que a situação tem se tornado insustentável, já que há casos de funcionários que até tiveram o nome incluído no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), depois que deixaram de receber o salário. “Têm pessoas que já estão com o nome no SPC e têm pessoas que estão alimentando o filho, então precisam comprar o alimento. Temos até uma que está grávida e vai ganhar o neném essa semana. Então como a gente fica com isso?”
De acordo com Maria José, a direção da comunidade já tentou contato por diversas vezes com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SEMDS), que responde pelo assunto, mas não receberam nenhuma resposta concreta. “A direção da comunidade já fez várias tentativas de falar com o secretário, e nada. Só nos enrolam”, diz.
Para Higor, o município deveria priorizar melhor os convênios firmados com as instituições que trabalham questões sociais. “Porque não é só nossa associação que passa por essa situação. Acho que eles precisam ir lá ver o trabalho de novo, porque acho que eles perderam a essência disso, de como é acolher, porque o que a gente faz lá é muito mais que acolhimento, a gente faz uma reinserção social e espiritual nos adolescentes.”

 

PREFEITURA
Em nota, a Prefeitura de Divinópolis informou que até a próxima sexta-feira (6) vai repassar os recursos à comunidade Missão Maria de Nazaré.

 

Crédito: Divulgação / Comunidade Missão Maria de Nazaré

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