terça-feira, 12 de Maio de 2015 11:31h Atualizado em 12 de Maio de 2015 às 11:35h. Pollyanna Martins

Funcionários demitidos do HSJD pressionam superintendente da Fundação Geraldo Corrêa para receber direitos trabalhistas

Funcionários e membros de sindicato fizeram uma visita surpresa para o superintendente na manhã de ontem

Cansados da falta de posicionamento da administração do Hospital São João de Deus (HSJD) sobre o pagamento das verbas rescisórias de seus contratos, funcionários do hospital e membros do sindicato invadiram os corredores da diretoria da instituição na manhã de ontem, para cobrar do superintendente da Fundação Geraldo Corrêa, Afrânio Emílio Carvalho da Silva, uma data para o recebimento da verba.
Porém, a visita não saiu como esperada. Segundo a diretora do Sindicato Profissional dos Enfermeiros e Empregados em Hospitais, Casas de Saúde, Duchistas e Massagistas de Divinópolis (Sindeess), Denísia Aparecida da Silva, o superintendente se limitou a dizer que aguarda verbas do Estado para pagar os servidores demitidos. Bastante exaltada, a diretora disse estar cansada desta situação. “Não aguento mais fazer denúncias em todos os órgãos possíveis, o Ministério Público é conivente com toda esta situação, e ninguém faz nada nesta cidade. A gente tem que fazer uma ação, ir para a rua para tirar esse Ministério Público da cidade também, porque eles não estão fazendo nada para a classe operária”, desabafa.
Após fazer o seu desabafo, Denísia contou que questionou ao superintendente o motivo da falta do pagamento, que alegou estar esperando uma resposta do Estado para quitar a dívida com os trabalhadores. “Ele jogou a culpa para cima do Estado. Enquanto isso, as demissões continuam e os servidores não recebem sequer o seu pagamento mensal. Tem que esperar uma resposta do Estado, é isso que ele [Afrânio] disse”, relata.  De acordo com a diretora, cerca de 86 funcionários já procuraram o sindicato para que o setor jurídico do órgão recorra à Justiça e os servidores recebam pelo menos o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e o seguro-desemprego. “Têm funcionários que já estão passando necessidade, são pais de família, mães de família que tem criança para cuidar. Alguns já estão passando fome. O nosso jurídico está entrando na Justiça para ver se libera ao menos as folhas do seguro desemprego pra eles [funcionários]”, detalha.

REVOLTA
Ainda segundo Denísia, na semana passada o Ministério Público do Trabalho em Divinópolis, o Ministério Público e o superintendente da Fundação Geraldo Corrêa foram notificados sobre a situação dos trabalhadores. A técnica de enfermagem Marcia Renata Gomes foi demitida no dia 16 de Abril, e está até hoje sem o pagamento do mês. Ela trabalhou no hospital durante sete anos, e conta que a situação dentro da instituição é caótica, e que muitos colegas temem passar pela mesma situação. “Eu saí com uma mão na frente e a outra atrás, sem resposta do Afrânio, que não sabe o quê que fala com a gente. Aqui dentro estava difícil trabalhar. Faltam as coisas para os pacientes, para a gente, os funcionários fazem o que podem, fazem milagre. Eu trabalhava no centro cirúrgico, e os funcionários de lá também estão com medo de passar pela mesma situação”, ressalta.
Outra ex-funcionária que está revoltada com a situação é a operadora de telemarketing Patrícia Pereira dos Santos. A servidora trabalhou na instituição quase dois anos e foi demitida após cumprir uma licença médica. De acordo com Patrícia, ela tem Lesão por Esforço Repetitivo (L.E.R) em três lugares diferentes do braço, e foi demitida no dia 12 de fevereiro, um dia após sua licença médica acabar. Sem dinheiro para pagar o tratamento médico, e comprar comida para casa, a operadora de telemarketing vive hoje com a ajuda da mãe. “Um dia depois de voltar de licença eles me demitiram e eu não recebi nada. Só uma folha em branco e um depósito que eu não sei de que. Ninguém me explicou nada. Eu não assinei nada para o hospital. Nem as folhas do seguro-desemprego a gente consegue ter acesso. Eu não tenho condições de fazer exames, pagar remédios, pagar aluguel, água. Eu estou comendo porque a minha mãe me ajuda”, lamenta.
Conforme a ex-funcionária, o juiz liberou o seu FGTS, porém o valor depositado por um ano e nove meses de trabalho era de R$ 137, referente a apenas dois meses de trabalho. Ela conta que o setor de telemarketing no qual trabalhou é um dos setores que mais arrecada dinheiro para o hospital. Segundo Patrícia, a população doa dinheiro sem saber para onde essa verba vai parar. “A população doa muito sem saber para o que está doando. A gente arrecada muito dinheiro para o hospital, e aonde vai esse dinheiro? Eu não sei falar nem como eles [administração] pagavam as minhas comissões”, informa.

HSJD
Nossa reportagem entrou em contato com a assessoria do HSJD, porém fomos informados de que o superintendente da Fundação Geraldo Corrêa, Afrânio Emílio, estava em reunião no Ministério Público.

ESTADO
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou, através de sua assessoria de imprensa, que os repasses ao Hospital São João de Deus estão sendo feitos e o Estado tem reunido com os gestores responsáveis para resolver as questões. Em nota, a Secretaria afirmou ainda que em uma reunião realizada no dia 7 de maio entre SES-MG, Ministério Público Federal, Ministério Público de Minas Gerais, Secretaria Municipal de Saúde de Divinópolis, Cosems Regional e CIS-Urge, o Estado de Minas Gerais propôs participar da gestão assistencial do HSJD junto à Prefeitura de Divinópolis e Fundação Geraldo Corrêa. Sobre as verbas rescisórias, a SES esclareceu que é de responsabilidade do atual gestor do hospital.

 

Crédito: Pollyanna Martins

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