quarta-feira, 23 de Março de 2016 09:45h Atualizado em 23 de Março de 2016 às 09:54h. Jotha Lee

Fundador da filial da Cruz Vermelha divinopolitana morre vítima do Mal de Parkinson

Foi sepultado no final da tarde de ontem, no cemitério Parque da Serra, o corpo do capitão da reserva do Exército Brasileiro, João Augusto Dias

Ele faleceu no início da madrugada, depois de dar entrada no Hospital São João de Deus. Capitão Dias, como se tornou conhecido especialmente por sua militância política e social, sofria do Mal de Parkinson e estava afastado da vida pública desde 2004. Aos 88 anos, o Capitão havia se afastado totalmente das articulações políticas, atividade que ele exerceu desde que conheceu o ex-prefeito Galileu Teixeira Machado (PMDB), de quem se tornou um dos aliados mais fiéis.

 

 


Um dos mais importantes legados deixados pelo militar da reserva foi a fundação da filial da Cruz Vermelha de Divinópolis, que além de importante serviço social, também contribui em caso de catástrofes e outros acidentes, como ocorreu, por exemplo, na grande enchente da década de 1990.
Além de se tornar figura pública importante pela fundação da Cruz Vermelha, João Augusto Dias também se destacou trabalhando nos bastidores da política. Filiado ao PMDB, ele foi o chefe de Gabinete em dois, dos três mandatos, do ex-prefeito Galileu Machado. Conhecido como linha dura, Capitão Dias jogava pesado com políticos, mesmo os de situação e tinha influência direta nas decisões do Executivo. No mandato 1989/1992, ele deixou a Câmara em pé de guerra, ao acusar os vereadores de “espírito de corpo” em função de um embate entre o Legislativo e o Executivo. A expressão, que por alguns foi compreendida como “espírito de porco” causou ainda mais mal estar entre os dois poderes.

 

 


ACADEMIA
Como militar da reserva do Exército Brasileiro, exerceu, dentre outras funções, a de Delegado do Serviço Militar. Capitão Dias também ocupava a Cadeira número 13, da Academia Divinopolitana de Letras (ADL), cujo patrono era Joaquim Coelho Filho. Ficou conhecido no meio literário pela obra “Memórias Diamantinenses”, homenagem à Diamantina, sua cidade natal. 

 

 


Ontem, o prefeito Vladimir Azevedo (PSDB) divulgou uma nota oficial através da qual lamentou a morte de João Augusto Dias. “Foi com pesar que tomamos conhecimento da morte do Capitão João Augusto Dias. Neste momento, relembramos a sua contribuição para o desenvolvimento e alcance do bem comum entre os divinopolitanos, seja como Chefe de Gabinete ou secretário de Governo, na Prefeitura Municipal”, diz a nota.
Vladimir Azevedo destaca, ainda, a conduta austera e a seriedade de Capitão Dias. “Sua conduta ilibada o colocou como referência quando o assunto era honestidade e discernimento do certo e do errado. Durante anos exerceu a função de Presidente da Cruz Vermelha, cuja unidade de Divinópolis foi fundada por ele. Deixa enorme lacuna no que tange à articulação política feita com respeito e seriedade”.

 

 


Capitão João Augusto Dias deixa a esposa Doroty, sua fiel companheira seja na política, seja na vida privada ou no trabalho social pela Cruz Vermelha. Tiveram os filhos Adinéia e Claudio, que lhes deram dois netos. Em 2014, Capitão Dias e Doroty comemoram as bodas de ouro. Eles se casaram no dia 31 de abril de 1964, na Igreja de São José, em Belo Horizonte.

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