quarta-feira, 7 de Setembro de 2016 11:00h Atualizado em 7 de Setembro de 2016 às 00:47h. Pollyanna Martins

Gás de cozinha terá reajuste de 10% este mês

O aumento anunciado pelas Distribuidoras está, em média, a 10%, e refere a ajustes de custos operacionais

O gás de cozinha terá um reajuste de 10% este mês. O anúncio foi feito pela Associação Brasileira dos Revendedores de GLP (ASMIRG-BR). De acordo com a associação, o aumento será, em média, de 10%, e se refere a ajustes de custos operacionais, como aos dissídios coletivos, que ocorrem regularmente no mês de setembro. Ainda segundo a associação, além do aumento no preço de compra do gás de cozinha, as revendas também sofrerão com o aumento do custo referente aos acordos coletivos que ocorrem em setembro.

Conforme a ASMIRG-BR, o preço do GLP na Petrobrás sem impostos de um botijão de 13 kg é de aproximadamente R$ 13. Segundo a associação, a estatal mantém seu preço praticamente constante há mais de uma década, porém, o cenário tende a piorar com a possível venda, já anunciada da Liquigás para empresas do setor. “O risco de um monopólio em nosso setor é real e já denunciado por esta associação junto ao Gabinete da Presidência da República, CADE, TCU, CME e MME”, afirma. De acordo com o dono de um depósito de gás, que preferiu não se identificar, a situação se complica a cada ano, quando o reajuste do gás é divulgado. Conforme o empresário, no ano passado, houve dois reajustes, um das companhias de gás e outro do governo, e o aumento não foi repassado para os consumidores. O dono do depósito ressalta que não há mais como não repassar o aumento para os clientes. “Estamos vendendo gás com o mesmo preço, de R$ 55, só que agora vamos ter que tomar uma providência urgente e repassar a R$ 69, porque senão vamos fechar as portas”, explica.

De acordo com a ASMIRG-BR, o reajuste do gás de cozinha é a junção do novo preço de compra do gás com aumento, o aumento de custos relativos aos novos salários das categorias e a sua margem de lucro. “Como cada revenda tem um custo operacional específico, orientamos a todos que refaçam sua análise do impacto deste aumento e de seus custos”, orienta. Ainda conforme o empresário, o aumento do preço do gás em meio à atual situação econômica do Brasil dificulta também a permanência no ramo. “Infelizmente, todo mês de setembro já é previsto este aumento por causa da convenção coletiva dos petroleiros e, com isto, veio o aumento de 8,84% da SuperGasBras, que eu trabalho , e está complicado repassar o preço para o consumidor final. Isso tudo atrapalha, estamos sufocados”, reclama.

 

CLANDESTINOS

 

Segundo o empresário, além do aumento, a categoria agora tem outra ameaça: a venda clandestina de gás. O dono do depósito de gás relata que algumas revendas legalizadas vendem o gás com margem de lucro entre R$2 e R$3 para os clandestinos, e estes vendem gás a qualquer preço, sem custo algum. “Você tem uma empresa legalizada, funcionários uniformizados, treinados, uma frota de veículos toda nova, mas fica difícil trabalhar por causa dos clandestinos, essa é uma briga que temos nos 365 dias do ano”, denuncia. O empresário afirma ainda que a Agência Nacional do Petróleo não toma nenhuma atitude em relação à situação, e os clandestinos continuam atuando, sem pagar os impostos. “Os clandestinos não pagam impostos, não pagam na verdade nada, simplesmente compram um moto e saem vendendo gás a qualquer preço. O problema é que a ANP, que regula a venda de petróleo no Brasil, não toma nenhuma providência e, com isto, o setor está sofrendo muito”, finaliza.

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