terça-feira, 24 de Março de 2015 10:17h Atualizado em 24 de Março de 2015 às 10:24h. Lorena Silva

Gasolina sobe pela terceira vez em dois meses por causa do ICMS

Economista explica de que forma o reajuste reflete no bolso do consumidor

Alguns postos de combustíveis de Divinópolis já repassaram para os consumidores mais um aumento no valor da gasolina. Esse é o terceiro reajuste registrado este ano, somente nos meses de fevereiro e março. O motivo foi a alteração na base de cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), que passou de 27% para 29%, no caso da gasolina, e reduziu de 19% para 14%, no caso do etanol.
Com a mudança, que ocorreu por determinação da Lei 21.527 - sancionada pelo ex-governador Alberto Pinto Coelho em 16 de dezembro – o litro médio da gasolina ficou, em média, R$ 0,07 mais caro na refinaria. Para calcular o valor do ICMS, cada Estado faz uma coleta de preços e encontra um valor médio sobre o qual o imposto será aplicado. Em Minas Gerais, o chamado Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final (PMPF) era de R$ 3,362 e subiu para R$ 3,422.
“Os impostos da gasolina estão subindo e refletindo diretamente na revenda. O governo de Minas reajustou a tabela do ICMS e isso impactou no nosso negócio. O nosso custo aumentou em torno de R$ 0,07 a R$ 0,10”, explica o diretor regional de Divinópolis do Sindicato de Comércio Varejista de Derivados do Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro), Roberto Rocha.

 

REAJUSTE
Em Divinópolis, o consumidor já sente o aumento do valor da gasolina em alguns postos de combustíveis. Em um dos postos da Avenida Paraná e também em um situado na entrada do bairro Interlagos, por exemplo, o valor cobrado pelo litro da gasolina no início do mês era de R$ 3,27. Já no último final de semana, o valor já havia sido alterado para R$ 3,35 – um acréscimo de R$ 0,08.
Segundo Roberto, nos últimos dias alguns postos já aumentaram o valor e outros ainda mantêm o valor antigo. “Isso pode ser em função de estoque ou de outros vários fatores que implicam nessa questão do impacto no repasse. Mas eu creio que dentro de dez, quinze dias, a maioria já deva ter repassado [o aumento para o consumidor]. Porque hoje não tem como segurar essa alta que teve”, justifica.
O primeiro aumento no valor do combustível ocorreu no dia 1º de fevereiro, com a elevação do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre os combustíveis – R$ 0,22 na gasolina e R$ 0,15 no diesel. Duas semanas depois, no dia 16 de fevereiro, houve novo aumento, também devido à mudança na taxação do ICMS.

 

IMPACTO NO BOLSO
De acordo com o economista Leandro Maia, o aumento no valor da gasolina implica em dois principais reflexos – no índice da inflação mensal e anual e no custo de outros serviços e produtos. “Você pode ter o aumento dos custos de transporte, coletivo e de pessoas de um estado para o outro, e também o custo de transporte de mercadoria, que na realidade, no final das contas vai refletir no preço final [do produto].”
Leandro dá o exemplo de produtores agrícolas, que precisam transportar o produto até determinado município. “O custo do frete acaba aumentando. Então o proprietário do estabelecimento, para não arcar sozinho com essa despesa, acaba repassando isso para os produtos. Donos de supermercados também repassam o aumento do custo da produção para o consumidor”, pontua o economista.
Para o economista, para não sentir tanto o impacto dos aumentos, o consumidor vai precisar abrir mão de alguns gastos. “Vai ter que fazer opções, deixar de consumir bens um pouco mais supérfluos para consumir os bens necessários. Isso acaba gerando uma limitação, uma restrição maior do orçamento do trabalhador, que acaba tendo que trabalhar cada vez mais”, finaliza.

 

Crédito: Lorena Silva

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