quinta-feira, 24 de Março de 2016 10:22h Pollyanna Martins

Gestação é colocada em risco por falta de insulina fornecida pelo município

A dona de casa, Karyne Silva Santos, tem diabetes, está no terceiro mês de gestação e, desde dezembro, não recebe a insulina novorapid

A falta de medicamentos no município coloca em risco a vida de muitas pessoas que dependem do fornecimento para controlar pressão, diabetes, doenças mentais, epilepsias, entre outras doenças. Quando o remédio não é fornecido, e o paciente não tem condições de comprar, o jeito é recorrer à justiça, para que o direito seja garantido. Mas, em Divinópolis, nem recorrendo à justiça algumas pessoas conseguem os medicamentos e insumos que necessitam. Como o caso da dona de casa, Karyne Silva Santos, que está com a gestação em risco, pois a insulina novorapid que utiliza está em falta na Farmácia de Processos do município desde dezembro do ano passado.

 


A dona de casa tem diabetes, e recorreu à justiça em 2005 para receber a insulina. Segundo Karyne, desde então, o fornecimento do medicamento nunca faltou. Mas, grávida de dois meses do terceiro filho, em dezembro, a dona de casa teve uma surpresa ao ir buscar a insulina. “Desde dezembro que a insulina está em falta na Farmácia do Município, eu ligo e eles falam que não chegou, que foi feita a licitação, que a compra não foi liberada ainda. Na última sexta, eu estive lá e a funcionária me falou que estava só aguardando a empresa entregar a insulina”, conta.
Apreensiva pela falta do remédio, Karyne usa as redes sociais para pedir doações do medicamento. De acordo com a dona de casa, a falta dele faz com que tenha hipoglicemia e hiperglicemia, fator que pode comprometer o desenvolvimento do bebê. “Com a gravidez, o médico aumentou a dosagem, e o uso é essencial, porque eu estou tendo hiperglicemia e hipoglicemia, e todos dois são perigosos. A médica me explicou que pode me dar uma cetoacidose [acontece quando os níveis de açúcar (glicose) no sangue do paciente diabético encontram-se muito altos, e pode levar ao coma ou a morte], que prejudica tanto eu, quanto a criança”, explica.

 

 


A gestante faz acompanhamento semanal no Hospital das Clínicas, além do pré-natal na Policlínica em Divinópolis. Conforme Karyne, os médicos do Hospital das Clínicas cogitaram a possibilidade de interná-la, para acompanhar de perto a oscilação de sua glicose, mas a internação não foi feita, pois a dona de casa estava sem a medicação, e o hospital não tem esta insulina. De acordo com Karyne, por causa da falta do medicamento, ela assinou um termo de responsabilidade, assumindo todos os riscos que ela e o bebê estão expostos, caso haja alguma complicação em sua gravidez. “Eu estou colocando a vida de uma criança em risco, a vida do meu filho está em jogo. A minha família está juntando e comprando a insulina pra mim, porque tanto eu quanto o meu marido estamos desempregados”, conta.

 

 


RISCOS
Karyne está na 14ª semana de gestação, e os médicos a alertaram sobre o risco de a falta do tratamento correto interferir na formação do bebê. Segundo a dona de casa, devido ao descontrole da glicose, os médicos tentarão “segurar” o bebê até o 5º mês de gravidez, para, a partir de então, começarem a aplicar injeções para fortalecer os pulmões do neném, e assim prepará-lo para um possível parto prematuro. “Agora é o período em que a criança está formando, e esse descontrole pode afetar a formação dele. É uma corrida contra o tempo, e é muito frustrante a gente chegar lá [na Farmácia] não ter o remédio, e você ver que não tem condições de comprá-lo, e que a sua vida e a do bebê dependem disso”, lamenta. Emocionada, a dona de casa teme ainda pelo parto prematuro. “Eles [os médicos] querem adiantar o parto, para dar segurança para mim e para o neném. Agora, se o neném nascer daqui dois meses eu não tenho nada, roupas, móveis, nada”.

 

 


PREFEITURA
Em nota, a Prefeitura de Divinópolis informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a Insulina novorapid foi comprada da empresa Costa Camargo, e a ordem de compras nº 354 foi enviada para a empresa em 03/02/2016. “A empresa não entregou e, em último contato telefônico, informou entrega prevista para a segunda quinzena de março.”

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