sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2016 09:10h Atualizado em 5 de Fevereiro de 2016 às 09:14h. Pollyanna Martins

Gestantes procuram fisioterapia obstétrica para estimular parto normal

A fisioterapia obstétrica estimula o parto normal, alivia dores musculares e ensina ainda a postura correta que a gestante deve ter durante a gravidez

Cada vez mais procurada pelas gestantes, a fisioterapia obstétrica estimula o parto normal. Segundo a fisioterapeuta, Heide Andrade, a fisioterapia obstétrica é desenvolvida no sentido de conscientizar a gestante de sua postura e desenvolver a potencialidade de seus músculos, para que se tornem aptos a conviver com as exigências extras que a gravidez e o parto solicitarão, promovendo o bem estar físico, corrigindo e tratando as alterações posturais acompanhadas ou não de dor.

 


Segundo a fisioterapeuta, muitas pessoas acham que a fisioterapia obstétrica é indicada apenas para gestantes com dor, mas não é. A fisioterapia abrange também as atividades cotidianas que necessitam ser adaptadas às circunstâncias da gestação. Orientações posturais em relação à amamentação e o treino específico da musculatura do assoalho pélvico (períneo) com o intuito de prevenir o desenvolvimento de incontinência urinária e/ou fecal e preparar esta musculatura para o parto vaginal também são trabalhados. “Quando uma paciente gestante chega aqui com dor eu tenho que acabar, ou tentar aliviar ao máximo essa dor, porque a dor é limitante para a paciente fazer exercício”, esclarece.

 


De acordo com Heide, a gestante pode iniciar a fisioterapia obstétrica a partir das 12 semanas de gravidez (após o terceiro mês), mas o tratamento deve ser indicado pelo obstetra. A fisioterapeuta ressalta que, a gestante que tem preparo físico consegue resistir melhor a um trabalho de parto mais demorado. “Se você está bem condicionada, é um ponto a mais que você tem, comparando, por exemplo, com uma [gestante] sedentária, que sobe um vão de escada e já está cansada. A mulher bem preparada fisicamente consegue resistir a um trabalho de parto prolongado”, orienta. A fisioterapeuta esclarece que todo o trabalho desenvolvido é voltado para o que o corpo da gestante vai pedir durante a gravidez. “Com o avançar da gestação, são demandas diferentes desses músculos. Os músculos ficam cada vez mais hipersolicitados, então é um trabalho individual”, detalha.

 


A fisioterapia obstétrica é baseada em treinamento aeróbico, alongamentos específicos e dentro do limite permitido para gestantes e reforço muscular. Para as gestantes que não fazem atividade física, são indicadas três sessões por semana. Já as pacientes que fazem algum tipo de atividade, a fisioterapia é indicada como complemento, uma vez por semana. “Os músculos que são hipersolicitados, por exemplo, são os músculos da lombar; o abdominal que fica extremamente fraco, e existe uma adaptação de abdominal para gestante. O músculo abre, e cria a abertura que nós chamamos de diástase abdominal, e isso gera um enfraquecimento muito grande, e é um dos principais causadores de dor na coluna”, explica. Conforme Heide, dores no corpo em gestantes é comum, mas não pode ser consideradas normais. As gestantes devem procurar um auxílio especializado para ajudar a aliviar. “A gestante não tem que sentir dor durante a gestação, por isso que a fisioterapia foca na demanda desses músculos”.

 

 


PERÍNEO
Outro reforço muscular importante, que é trabalhado na fisioterapia obstétrica, é o do assoalho pélvico, ou simplesmente, períneo. Conforme a fisioterapeuta, o períneo é um grupo muscular que, na mulher, fica entre a vagina, a uretra e o ânus. Heide conta que uma das perguntas mais frequentes das gestantes é se após o parto normal, elas terão o relaxamento vaginal. “Essa é a primeira pergunta que me fazem. O parto normal é considerado fator de risco para incontinência urinária e fecal, sim. Mas, principalmente em casos de partos mal conduzidos. Hoje, as mulheres estão se preocupando mais e buscando mais informação, e começam a fazer um reforço dessa musculatura, antes dessa exigência maior que é dada na gestação”.

 


Dentro da fisioterapia obstétrica o períneo é trabalhado. A fisioterapeuta diz que a musculatura é reforçada, e a paciente recebe orientações de como fazer o exercício, que pode ser feito também em casa. Quando a gestante chega à 34ª semana de gravidez é ensinado o alongamento do períneo, para auxiliar no parto normal. “A hora que chega o coroamento, que é quando a cabeça do neném está saindo, é a hora que o músculo precisa mais alongar. Se a gente trabalha essa musculatura antes, por meio da massagem perineal, muitas vezes não tem necessidade de episiotomia [corte feito entre a vagina e o ânus durante o parto normal], com lacerações mínimas, porque cuidaram bem deste períneo”, orienta.

 

 


PARTO NORMAL
A fisioterapeuta afirma que a procura pela fisioterapia obstétrica aumentou, pois as mulheres estão se informando cada vez mais sobre o parto normal. Segundo Heide, as gestantes estão se cuidando mais durante a gravidez, e buscando também um bem estar pós-parto. “Eu já recebi mulheres que estão pensando em engravidar e já estão cuidando do corpo”, conta. A fisioterapeuta orienta ainda que a gestante deve estar acompanhada de uma boa equipe médica para evitar traumas e violências obstétricas durante o parto. “Essa mulher foi bem assistida por toda equipe, foi bem orientada, ela estava tranquila, ela se preparou para aquilo? O parto normal não teve sucesso, mas também não explicam o motivo? A orientação que eu dou é que a gestante tenha bastante informação, se sentir segura com aquela equipe que foi escolhida. Quando a mulher é bem preparada, a chance de ela ter um parto mal sucedido é mínima”, indica.

 

 


JOÃO
Muito aguardado pelos pais, João ainda está na barriga da mamãe, a nutricionista Angélica Silveira Lima, mas pode chegar a qualquer momento. A nutricionista conta que, antes de engravidar, já tinha uma alimentação balanceada e, com a gravidez, adequou poucas coisas ao cardápio. “Quando a mulher tem um hábito saudável, ela não precisa mudar muito, e nem comer em maior quantidade só porque engravidou. Não existe isso de comer por dois. Se ela comer por dois ela vai ter um excesso de ganho de peso, que não é bom”, explica.
A nutricionista está na 39ª semana de gestação, e ensina que, no início da gravidez, devido às náuseas, a dieta é adaptada de acordo com a aceitação. Angélica ganhou em toda gestação apenas 8 quilos. “Normalmente, a gente orienta a comer de três em três horas, mas no primeiro trimestre de gestação, a mulher tem necessidade de comer de duas em duas horas, apesar de o bebê não ter necessidade calórica no início. Mas, por causa das náuseas, se a gestante se alimentar em intervalos menores, ela vai diminuir os sintomas”, orienta.

 


De acordo com a nutricionista, a gestante deve evitar alimentos industrializados, ricos em sal, açúcar em excesso e gordura para diminuir a retenção de líquido. Além de manter uma alimentação equilibrada, a nutricionista faz atividades físicas e recomenda que todas as gestantes façam. Angélica conta que continuou com a musculação durante a gravidez, e como já tinha optado pelo parto normal, procurou a fisioterapia obstétrica para estimular o parto. “Eu não tive nenhuma contraindicação da minha médica para continuar com a musculação, então eu faço a musculação três vezes na semana e incluí a fisioterapia uma vez na semana. O que eu tenho de dor, é dor na lombar, no quadril, que é característico no final da gravidez, mas a atividade física que eu tive durante toda a gestação ajudou a aliviar muito”, detalha.

 


Já na reta final da gravidez e com quase cinco centímetros de dilatação, a nutricionista diz que conseguiu trabalhar até o final da gestação. “A fisioterapia ajudou muito. O João já está encaixado, eu já estou com dilatação, e eu atribuo isso aos exercícios. Eu já estou preparada para o parto normal, e tranquila. Quando a gente prepara, fica mais tranquila e é importante diminuir a ansiedade para a hora do parto”, conclui.

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