quinta-feira, 14 de Janeiro de 2016 09:02h Atualizado em 14 de Janeiro de 2016 às 09:04h. Jotha Lee

Governo atrasa designação de professores e início das aulas na Uemg está ameaçado

Atendimentos já foram suspensos e quatro mil alunos do campus Divinópolis são afetados

Os quatro mil alunos do campus da Uemg/Divinópolis ainda não sabem se terão professores nas salas de aula a partir de 1ª de março, data marcada para início do ano letivo na instituição. Em dezembro do ano passado, venceram os contratos de trabalho dos 108 professores do campus Divinópolis, que trabalhavam sob vínculo contratual em razão da transição para a estadualização da Fundação Educacional de Divinópolis (Funedi). Com o fim dos contratos, a unidade não tem professores para o início do ano letivo e para a prestação de serviços que ocorrem nesse período.
Na segunda-feira, através de mensagem eletrônica, as coordenações dos cursos de graduação e pós-graduação encaminharam mensagem aos estudantes, comunicando a suspensão de suas atividades. “Como não há nenhum professor efetivo (concursado) que atue na unidade junto aos colegiados de curso, não há como nenhum dos procedimentos acadêmicos protocolados na instituição serem analisados, seja pelo coordenador ou colegiados, uma vez que não existe nenhum professor vinculado à unidade - situação que impede o cumprimento de qualquer prazo definido pela secretaria”, explica a nota.
A falta de professores levou à suspensão de todos os atendimentos, afetando diversos tipos de serviços, entre eles estudo de históricos, transferências, orientações de matrícula, reingresso e análises de notas. O comunicado enviado aos estudantes diz ainda que a Uemg hoje é “uma universidade sem professor em número suficiente para lidar com qualquer encaminhamento acadêmico, seja de ensino, pesquisa ou extensão”. Também foram suspensos os estágios curriculares ou extracurriculares, já que não há nenhum professor que possa responder pela atividade.
Ontem à tarde, professores e estudantes iniciaram um movimento para buscar uma solução. Cerca de 90 pessoas, entre alunos e educadores, se reuniram no auditório da instituição, ocasião em que a situação foi debatida. O professor Alexandre Simões, falando em nome dos professores, afirmou que a expectativa era de que os contratos fossem renovados automaticamente, já que havia um acordo fechado o final de 2014. Ele enumerou alguns prejuízos que poderão atingir a comunidade escolar diante do atraso na designação dos professores. “O primeiro prejuízo é as aulas não começarem em março e o segundo será o comprometimento do primeiro semestre”, explicou. “Outro grande prejuízo é a própria universidade não existir de verdade, porque universidade pressupõe continuidade. Porque não são apenas as aulas. Há as pesquisas, atividades de extensão, ela tem continuidade. Hoje, nós temos uma universidade só com alunos, sem professor”, ironizou.

 


ACORDO
Segundo Alexandre Simões, no final de 2014, quando houve a absorção da Funedi pela Uemg, houve um acordo entre o Estado e os professores. “Esse acordo previa que nós teríamos um primeiro ano de designação [regime de contrato], que concluiu em 2015, e que nós seríamos reconduzidos no segundo ano [2016]. A expectativa era de que nós fôssemos reconduzidos agora, até para o aluno ficar mais tranquilo. Ao final de 2016, o compromisso do governo é que seria realizado o concurso”, esclareceu.
O professor disse ainda que o risco das aulas não serem iniciadas em março é altíssimo. “Os próprios alunos já estão classificando essa situação como um apagão”, afirmou. “O semestre ser comprometido é um risco relativo, mediano. Agora, o projeto de universidade ser posto em jogo, aqui e em outras unidades, esse é o risco mais alto de todos, ou seja, a concepção de universidade, a seriedade da universidade mineira”, criticou.
Alexandre Simões disse ainda que o posicionamento sobre a questão dentro do governo do Estado é contraditório. “A AGE [Advocacia Geral do Estado] e a Seplag [Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão] autorizam nossa recondução automática. No entanto, a Casa Civil do Governo tem o entendimento oposto. O próprio governo não se entende”, finalizou.

 


EDITAL
De acordo com a professora Janaina Vilela, não há nenhum processo seletivo em andamento. Em razão do curto período até o início das aulas, ela teme que mesmo que o processo seja deflagrado, o começo do ano letivo já está comprometido.
O estudante Marlon Henrique Ferreira, representando os alunos da instituição, prometeu dura reação, caso não haja uma solução imediata. “Nós queremos os nossos professores e os nossos professores são os que estão na Casa”, afirmou. “Se as aulas não forem iniciadas em março, nós vamos nos posicionar e será um posicionamento sério”, ameaçou.
Em nota encaminhada ao Jornal Gazeta do Oeste, a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) garante que o processo seletivo já está em andamento e o edital já foi publicado. A nota, na íntegra: “Sobre o processo de contratação dos professores pelo Estado, a Secretaria de Planejamento e Gestão esclarece que já há um edital publicado, com inscrições abertas. Outro edital será publicado na próxima semana para nova seleção. Os professores que já atuavam na Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) podem concorrer às vagas abertas nos novos editais. A Seplag esclarece aos alunos que as aulas na unidade da Uemg em Divinópolis serão retomadas em março e o semestre letivo transcorrerá normalmente, inclusive para os alunos aprovados no último vestibular. Os docentes serão designados em fevereiro. Todos os esforços estão sendo despendidos pelo Governo do Estado para que a estrutura da Uemg em Divinópolis e o cronograma do ano letivo não sofram intercorrências”.

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