quinta-feira, 1 de Junho de 2017 09:15h Mariana Gonçalves

Grupo leva acalento e alimento a pessoas que recorrem à Unidade de Pronto Atendimento Padre Roberto, em Divinópolis

Um grupo que envolve mãe, filha, sogra, genro, amigo (a) e pai – enfim, cidadãos do bem, que se uniram com um único propósito: levar acalento e, principalmente, alimento a pessoas que recorrem à Unidade de Pronto Atendimento Padre Roberto, em Divinópolis, (UPA) 24h.

O grupo de voluntários, intitulado de SOS UPA, escolhe um dia de cada semana para levar até a unidade de saúde alimentos que são servidos gratuitamente a pessoas que ali estão ou na espera de atendimento – ou como acompanhantes, pessoas hospitalizadas, ou mesmo aqueles que estão ali a trabalho. Nossa equipe de reportagem conversou com algumas integrantes deste grupo para saber mais detalhes de todo este trabalho. O projeto teve início com Maria do Carmo (Carminha), em nosso bate papo, participaram também as voluntárias Laura Carvalho e Letícia Dias.

“Estava acompanhando um parente meu lá na UPA e ficava vendo as dificuldades, o sofrimento, não só na questão da doença, mas as dificuldades de se ter um lanche principalmente para os acompanhantes, me parece que somente os internos têm essa alimentação, como eu estava ali – pensei em ajudar, mas não sabia como”, comentou a idealizadora da ação. Carminha conta ainda que o parente o qual ela acompanhava infelizmente faleceu. “Depois de um ano, minha filha veio me falar de um pessoal que levava cafezinho para o Hospital São João de Deus, e eles levaram uma vez lá na UPA um caldo, mas tiveram dificuldades de alguém fazer, e nisso, minha filha pediu para que eu fizesse, para que eles levassem e distribuíssem”, lembra.

A partir daí, Carminha decidiu tomar a iniciativa como sua também e iniciou uma rede de contatos entre sua família mesmo, com a sogra e cunhada. “Nós começamos então, o dia que eu não podia levar, elas levavam. No início, comecei a produzir os alimentos sozinha, mas como estava ficando difícil, a Laura Carvalho começou a vir me ajudar, estava fazendo 3 kg de caldo de feijão, depois passamos para 6 kg, caldo de batata, começamos com 15 kg, depois já fizemos 25 kg”, conta.

DOAÇÕES

Por se tratar de um grupo voluntário, o SOS necessita de doações, podem ser de alimentos, como pacotes de feijão, bacon, linguiça, peito de frango, sacos de batatas, copos descartáveis para servir os caldos, talheres, guardanapos, ou mesmo ajuda humana (para fazer a distribuição dos alimentos na UPA).

“No início, tínhamos quatro tipos de cardápios, pão com molho, pão de queijo, suco diet, mas como está na época de frio, os caldos estão sendo a preferência (de feijão, batata e mandioca)”, destaca Carminha.

Falar de doação nem sempre é fácil e às vezes conseguir todos os ingredientes não é possível, mas, ainda assim, o grupo não desanima e quando isso acontece, eles mesmos se unem e tiram o dinheiro do próprio bolso para comprar os componentes alimentícios que faltam para compor os lanches servidos. Segundo Carminha, tanto a Laura quanto o seu esposo, fazem este tipo de ação com frequência, de arcar do próprio bolso os valores necessários para completar os lanches. Quem se interessar em ajudar o grupo pode entrar em contato com o SOS UPA por meio do WhataApp (37) 99779-3444 (falar com Daniele), ou por meio do número (37) 9 8839-5723 (falar com Carminha).

SOLIDARIEDADE

Segundo Laura, desde o início, a causa foi abraçada com muito carinho, principalmente devido ao seu objetivo. “Se conseguirmos doações, fazemos, se não conseguirmos, também fazemos – nem que seja do nosso próprio bolso. Se todo mundo pensar mais no próximo, pelo menos num pouco de cada um, já ajuda. Vemos a necessidade que o pessoal tem do alimento ali (UPA)”, afirma Laura.

“Se tivéssemos condições de fazer essa ação em mais vezes da semana, com certeza eu faria, porque isso para mim é ainda muito pouco, sinto que podemos ajudar mais, e quando estamos lá, distribuindo, vemos o tanto que é gratificante”, afirma Carminha.

Quem também falou sobre como é satisfatório e gratificante todo este trabalho foi a voluntária Letícia. “Semana passada mesmo tinha um senhor lá que pegou com a gente quatro potes de caldo, ele estava com muita fome. Teve uma senhora também lá desde o meio-dia sem comer nada, então é muito gratificante poder fazer esse trabalho, poder ajudar as pessoas de alguma forma”, encerra.

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