quarta-feira, 14 de Janeiro de 2015 10:17h Atualizado em 14 de Janeiro de 2015 às 11:22h. Mariana Gonçalves

Há mais de dez anos moradores cobram por melhorias na Rua Cruz de Sousa

O descaso em que se encontra a Rua Cruz de Sousa no bairro São Judas já foi alvo de denúncia aqui na Gazeta do Oeste em outubro do ano passado

Há mais de dez anos os moradores pedem que a Prefeitura de Divinópolis tome providências em relação à pavimentação da via. A população sofre com os buracos, a falta de infraestrutura e a constante poeira na rua que ainda é de terra. Quando chove, é o barro que toma conta do local.
A dona de casa Maria Aparecida Teixeira da Silva contou que a população vive duas difíceis situações. “Quando chove é muito barro e aí os carros não conseguem nem subir essa rua. Já quando o tempo está seco sofremos com a poeira, pelo menos lá em casa quase todos têm problemas respiratórios que se agravam mais ainda com a poeira dessa rua”, afirma.
Quem também mostrou indignação com relação ao estado da rua foi a filha de Maria, a costureira Luciene Aparecida Teixeira Ventura. Há mais de 20 anos ela mora no local e diz que no passar do tempo nada tem sido feito em prol dos moradores. Inclusive, a população concorda em pagar a mão de obra para fazer o calçamento da rua, mas a intervenção só pode ser executada se a Prefeitura implantar primeiro o serviço de drenagem pluvial.
“Me casei e saí da casa da minha mãe, mas continuo morando nessa mesma rua e nunca apareceu solução alguma. Antes tínhamos alguns vereadores que faziam o pedido para um trator passar e alinhar a rua, só que isso já não acontece também faz tempo”, destaca a costureira.
Luciene lembrou ainda da época em que a rua começou a ser calçada. Antes mesmo da pavimentação chegar ao quarteirão da casa dela as obras tiveram que parar, já que o serviço de drenagem não foi feito e, sem ele, as chuvas fariam as pedras do calçamento se soltar e rolar rua abaixo junto com a água. “Fizeram um desvio na Avenida Paraná para a água da chuva descer aqui, então a água desce pela Avenida Raimundo Correia e vem aqui para a Cruz de Sousa. A enxurrada vem muito forte, inclusive já chegou a levar praticamente todo o muro de frente da minha casa”, relatou.

 

SEM ACESSO
Devido à precariedade da rua, até guardar o carro na garagem se transforma um enorme problema para os moradores. “Temos garagem e não tem como entrar com o carro porque a rua está cheia de buracos. Pagamos todos os anos o IPTU caro, não temos acesso a quase nada nessa rua. Começou a calçar e houve tantos problemas que até o serviço que já estava feito teve que ser retirado”, diz a confeiteira Antônia Alves Martins.
O servente de pedreiro Francisco Ferreira Silva denunciou, além das péssimas condições da rua, a sujeira em que se encontram os lotes vagos próximos à residência dele. “Tem 20 anos que moro aqui e a rua sempre foi ruim. Muita poeira, mato nos lotes vagos então nem se fala. E isso acaba trazendo para dentro de casa um monte de bichos”, reclama.

 

PERIGO
“Todo mundo está disposto a pagar o calçamento, porém, precisamos da Prefeitura para manilhar e colocar a boca de lobo. Mas eles sempre dão desculpa que falta verba, que não tem projeto. Isso é uma vergonha, todos nós pagamos impostos e não estamos pedindo nada de graça para eles, isso é direito nosso. Falta boa vontade. Essa é a rua de acesso ao PSF do bairro, vejo subir aqui pessoas idosas e gestantes, inclusive já vi pessoas caírem e se machucarem aqui nesses buracos da rua. Além disso, essa é a única rua que liga o bairro São Judas à [Avenida] Paraná. Temos um fluxo bom de veículos e arrumar essa rua seria ainda melhor para o nosso bairro”, avalia a aposentada Siomara Daldegam de Melo.
Segundo a passadeira Maria Aliete da Silveira, a segurança da família está comprometida devido à situação em que se encontra a rua. “Minha porta fica sempre escorada por madeira. Quando chove, a água entra dentro da minha casa e passa para a casa dos fundos que é a do meu filho. Ficamos sempre preocupados com medo das paredes cair, porque a enxurrada é muito forte. Uma vez acionamos até o Corpo de Bombeiros porque achamos que a parede iria cair. Então é muito difícil, quando chove eu fico puxando a água para evitar que coisas ruins aconteçam.”

 

PROJETO
De acordo com a assessoria de comunicação da Prefeitura, o órgão já esta ciente da necessidade de obras de drenagem pluvial na rua, no entanto, para execução desse serviço, a Prefeitura precisa de um projeto que auxilie principalmente a vinda de recursos para o custeio da obra. A assessoria diz que projeto já existe na Usina de Projetos, mas no momento está passando por captação de recursos dos governos federal e estadual. E o órgão não soube responder quanto tempo vai levar para a verba ser captada e as obras começarem.

 

Credito: Mariana Gonçalves

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