quinta-feira, 12 de Outubro de 2017 08:33h Nayara Leite

Horário de Verão começa à meia-noite do domingo

Para usuários, redução pode ser de até 5% no consumo, devido ao menor tempo de utilização da iluminação artificial

Há quem ame e quem odeie. Mas o fato é que a partir da zero hora deste domingo (15), terá início o horário de verão 2017. E os relógios deverão ser adiantados em uma hora a partir da meia noite.

A medida adotada pela Companhia Energética de Minas Gerais S.A. (Cemig) visa à economia de energia, aproveitando o maior tempo de incidência da luz do sol.

O horário de verão é valido para os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal. As regiões Norte e Nordeste não participam dessa medida.

O horário de verão vai até o dia até 17 de fevereiro de 2018.

ECONOMIA

Segundo avaliações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), nos últimos anos, o horário de verão alcançou uma diminuição média de 4,5% no consumo por eletricidade no horário de pico e uma economia diária de 0,5%. A economia no período em que o horário de verão vigora equivale à demanda de uma cidade como Brasília durante 30 dias.

Com a medida, a Cemig pretende espera uma redução na demanda máxima de 4%, equivalente a 350 megawatts (MW) de potência, nos 126 dias em que o horário de verão estará em vigor. “Para se ter uma ideia, essa economia poderia abastecer a demanda de pico de um município de 800 mil habitantes, equivalente à soma da população de Juiz de Fora e Sete Lagoas, em Minas Gerais”, salientou a Companhia em nota.

Em Minas Gerais, a Companhia acredita que a economia será de até 0,5%, que representa cerca de 110 mil megawatts/hora (MW/h), suficiente para abastecer Belo Horizonte por nove dias.

Para os usuários, tanto residenciais, quanto comerciais, a redução pode ser de até 5% no consumo, devido ao menor tempo de utilização da iluminação artificial.

O engenheiro de planejamento energético da Cemig, Wilson Fernandes Lage, destacou que o objetivo dessa mudança é aumentar a segurança da operação do sistema elétrico brasileiro. “Nesse período, há uma redução da demanda máxima por energia durante o horário de pico de consumo, que ocorre entre 18h e 23h”.

O engenheiro avaliou, ainda, que a alteração do horário não tem relação com o aumento do consumo de energia, decorrente das altas temperaturas, normais nessa época do ano, quando há uma maior utilização de equipamentos como aparelhos de ar-condicionado, geladeiras, ventiladores e freezers. “Devido a esse aumento, o consumo na parte da tarde não é alterado com o horário de verão, mas a mudança colabora para que não haja a ocorrência de um segundo pico de consumo, já que as pessoas passam a aproveitar por mais tempo a luz natural do dia, evitando assim a ligação simultânea de chuveiros, por exemplo, e da iluminação artificial”, detalhou.

OS RESERVATÓRIOS

A Cemig evidenciou a redução no consumo de energia como benefício secundário, porém sempre desejável, já que as condições de geração de energia estão prejudicadas pelos baixos níveis de água nos reservatórios, devido à sequência de anos com chuvas reduzidas. “A situação dos reservatórios das usinas hidrelétricas alcançou níveis preocupantes e, ainda que não haja risco de desabastecimento de energia elétrica, é preciso reforçar as ações relacionadas ao uso consciente e combate ao desperdício”, salientou.

No município de Divinópolis e região, a necessidade dos consumidores de energia elétrica é atendida por todo o conjunto de usinas do Sistema Interligado Nacional (Sin), e não apenas pelas usinas mais próximas. Contudo, a Cemig possui duas pequenas centrais hidrelétricas localizadas nas proximidades do município de Divinópolis: PCH Cajuru e PCH Gafanhoto. A primeira, por ser a primeira usina de cabeceira na cascata do Rio Pará, possui um reservatório mais significativo, com um volume útil de 132,46 hm³ e uma faixa de operação de variação de 8 metros, desde seu nível mínimo ao máximo. No dia 11 de outubro de 2017, o armazenamento verificado é de 25,31%, situação mais confortável que no ano de 2016, quando o reservatório estava com 13,17% da capacidade. Já a PCH Gafanhoto, possui um reservatório operado a fio d’água, ou seja, a vazão que chega na usina passa na mesma quantidade pelas turbinas e é restituída ao Rio Pará. Assim, seu reservatório não tem capacidade de regularização de vazões.

BANDEIRAS

Criado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o sistema de bandeiras tarifárias sinaliza o custo real da energia gerada. O funcionamento das bandeiras tarifárias é simples: as cores verde e amarela, além da vermelha, que tem patamares 1 e 2, indicam se a energia custará mais ou menos em função das condições de geração.

Atualmente, a bandeira tarifária praticada neste mês de outubro é a vermelha, no patamar 2, que indica a necessidade de operar usinas térmicas, mais caras, para compensar a baixa geração hidráulica pela falta de chuvas.

Desde que o sistema de bandeiras começou a ser praticado em janeiro de 2015, este mês é a primeira vez que é acionado o patamar 2 da bandeira vermelha, que, na prática, acrescenta R$ 3,50 a cada 100 kW/h (quilowatts/hora) consumidos.

EMPASSE

O horário de verão é praticado desde 1931 e passou a ser permanente em 2008, através do Decreto Presidencial nº 6.558.

Neste ano houve um empasse sobre a implantação do horário de verão. Mas ficou definido pelo Ministério de Minas e Energia que a medida vigorará normalmente. Já em 2018, não há decisão oficial.

A dúvida em relação à continuação da prática ou não surgiu após a apresentação de estudos realizados pelo ONS, que apontavam que a mudança não seria mais eficaz do ponto de vista econômico, diferentemente dos anos anteriores, pois o consumo de eletricidade pela população está sendo mais influenciado pela luminosidade e temperatura do que pelo horário.

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