terça-feira, 9 de Junho de 2015 12:03h Atualizado em 9 de Junho de 2015 às 12:12h. Jotha Lee

Hospital São João de Deus renegocia dívida de R$ 36,6 milhões com a Caixa

Com uma dívida global de R$ 120 milhões, o Hospital São João de Deus (HSJD) continua buscando mecanismos para sair da crise que afeta a instituição desde 2012, quando foi descoberto um rombo de R$ 84 milhões em suas contas

Sob intervenção administrativa desde o ano passado, o hospital continua à beira da falência. Várias propostas para saneamento da instituição já foram apresentadas, inclusive com a possibilidade de intervenção do Estado, mas nada concreto que possa apontar uma solução definitiva.
Com o caixa sob pressão, o hospital encontra dificuldades para honrar seus compromissos, especialmente com fornecedores, e busca soluções. Ontem, na sede da Superintendência da Caixa Econômica Federal (CEF) em Divinópolis, o hospital assinou a repactuação de uma dívida de R$ 36,6 milhões, contraída em 2012. O empréstimo original, de R$ 45 milhões, foi utilizado para a obra de ampliação física do hospital e ainda restavam 56 parcelas de R$ 870 mil para fechar o débito, atualmente em 36,6 milhões, com juros mensais de 1,10%.
Com a renegociação, intermediada pelo deputado federal Jaime Martins (PSD), o prazo para pagamento do débito foi prorrogado para 120 meses, o valor da parcela caiu para R$ 635 mil e a taxa de juros subiu para R$ 1,30%. Este mês, o Hospital não terá que desembolsar a parcela mensal, que venceria amanhã, e terá seis meses de carência para iniciar o pagamento do contrato renegociado.
De acordo com o superintendente regional da CEF, Marcelo Bonfim, a renegociação permitirá ao HSJD uma economia de R$ 4,6 milhões somente este ano, enquanto em 2016, o hospital economizará R$ 2,8 milhões. “Importante registrar que quando a dívida foi contraída, a taxa Selic estava em 7,25% e agora está em 13,75% ao ano. Apesar disso, a Caixa conseguiu manter os juros quase no mesmo padrão do contrato original, um pequeno acréscimo na taxa de juros, mas que com a folga do alívio mensal, vai ajudar muito ao Hospital São João de Deus”, afirmou.

 

PREJUÍZO
A assinatura do novo contrato com a repactuação da dívida aconteceu ontem na Superintendência da Caixa. Além do deputado Jaime Martins e do superintendente da CEF, Marcelo Bonfim, também participaram da reunião o superintendente do Hospital São João de Deus, Afrânio Carvalho e Ariston Silva, diretor da Dictum, empresa interventora que administra a instituição.
De acordo com Ariston Silva, o acordo vem sendo costurado há oito meses e o objetivo é aliviar o caixa do hospital. Segundo ele, a sobra de caixa de R$ 4,6 milhões será utilizada para pagamento de compromissos com médicos, funcionários e servidores. “Poderemos honrar esses compromissos de forma mais tranquila. Não quer dizer totalmente tranquila, porque a caminhada é longa, mas, como um paciente, o hospital está reagindo, pois saímos de um prejuízo de R$ 24 milhões, em 2013, para R$ 8 milhões, no ano passado”, assegurou.
O diretor da Dictum disse ainda que a dívida se mantém em R$ 120 milhões, porque a velocidade de seu crescimento foi reduzida. “Se a dívida continuasse crescendo na mesma velocidade que vinha ocorrendo anteriormente, estaria hoje em R$ 150 milhões”, admitiu. Segundo ele, essa dívida inclui fornecedores, débitos trabalhistas, impostos e médicos. “Estamos com negociações paralelas para acertar esses débitos trabalhistas com a maior urgência possível, pois não queremos dar prejuízo para ninguém”, garantiu.
Para o deputado Jaime Martins, essa renegociação chega em uma hora em que a crise do hospital está mais aguda. Para ele, a medida é imprescindível para manter o São João em funcionamento. “Esse será um dos pilares em que o hospital vai se assentar, para ter condições de promover essa sua reorganização interna”, avaliou. “Importante que o hospital já está tomando medidas de economia, cortando gastos e adiando pagamentos menos urgentes, mas sem provocar desassistência e também é preciso de um plano para voltar com a assistência em sua plenitude”, ressaltou.
Marcelo Bonfim afirmou que o acordo só foi possível porque o hospital se manteve adimplente com a Caixa. “Isso é importante ressaltar e na avaliação da Caixa o hospital está buscando sua gestão, de melhoria de números, de resultados”, analisou. “Esse é mais um degrau que o hospital sobe na sua caminhada para se manter bem no mercado, manter 1.500 empregos e mais de 400 médicos”, concluiu Ariston Silva.

 

Crédito: Jotha Lee

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