terça-feira, 2 de Fevereiro de 2016 08:59h Pollyanna Martins

Hospital São João de Deus tenta renegociar pela terceira vez dívida com a Caixa

Promotor público afirma que não tem nada definido, mas foi pedida uma carência maior para o início do pagamento da dívida

O Hospital São João de Deus (HSJD) está tentando renegociar pela terceira vez a sua dívida com a Caixa Econômica Federal (CEF). A dívida de mais de R$ 36 milhões já foi negociada em 2012 e em junho do ano passado. Em uma reunião realizada na manhã de ontem (1), com o superintendente da Caixa Econômica Federal, Marcelo Bonfim, o superintendente da Fundação, Geraldo Corrêa, Afrânio Emílio Carvalho, o promotor público, Sérgio Gildin, o deputado federal, Jaime Martins, o secretário de Saúde, Davi Maia, o prefeito de Divinópolis, Vladimir Azevedo, o vice-prefeito, Rodrigo Resende e o vereador e presidente da Comissão de Saúde, Edimilson Andrade, solicitaram ao banco o prolongamento da carência para iniciar o pagamento do débito do hospital com o banco.

 


A dívida foi feita em 2012, quando o hospital fez um empréstimo de R$ 45 milhões para a obra de ampliação física do hospital. Em junho do ano passado, quando houve a segunda renegociação, a dívida estava em aproximadamente R$ 36,6 milhões e ainda restavam 56 parcelas de R$ 870 mil para a quitação. O deputado federal, Jaime Martins, intermediou a negociação e o prazo para pagamento do débito foi prorrogado para 120 meses, sendo que o valor da parcela cairia para R$ 635 mil e a taxa de juros, que antes era de 1,10%, subiria para R$ 1,30%, além de uma carência de seis meses para o início do pagamento da dívida.
De acordo com o deputado, que está mais uma vez intermediando a negociação, foi pedida ao banco a carência de um ano para o pagamento da dívida, e que as parcelas não ultrapassem R$ 500 mil. “Estamos indo para a terceira renegociação, o objetivo é obter mais uma carência, para dar tempo que o hospital se estruture no ponto de vista financeiro e solicitar mais um alongamento no perfil da dívida, de tal forma a reduzir este desembolso abaixo de R$500 mil mensais”, informa.

 


Segundo o promotor público, Sérgio Gildin, não há nada definido ainda entre o hospital e o banco. Caso a Caixa aceite a proposta do HSJD, o dinheiro que seria pago ao banco vai ser investido no hospital. “Nós pedimos uma melhora no prazo de financiamento que o hospital tem com a Caixa Econômica Federal, para que isto seja mais um ponto na recuperação do hospital, ou seja, o hospital vai deixar de pagar essas parcelas durante um período para que este dinheiro seja utilizado dentro do hospital mesmo, para aumentar os serviços do hospital”, explica.

 


DEFINIÇÃO
O promotor ressalta que foi feita apenas a proposta, e que ainda não tem nada definido entre o banco e o hospital. Conforme Gildin, o acordo com a Caixa não mudará a repactuação feita com o Sistema Único de Saúde na última semana, quando a União, e os governos Estadual e Municipal se comprometeram em ajudar o hospital. “Não tem nada certo, estamos conversando sobre a possibilidade disto [acordo] acontecer. A Caixa não se comprometeu com nada, se não fizerem o acordo, também não muda o dia-a-dia do hospital. A recuperação do hospital não depende disto. Seria algo a mais”, reforça.

 


De acordo com Jaime Martins, antes de receber o parecer do banco, o hospital irá abrir a sala vermelha, passar a receber R$ 400 mil por mês, receber R$ 4,5 milhões do Governo Estadual para quitar parte da dívida com os médicos, e reativar os leitos de CTI. Ainda segundo o deputado, ficou definido apenas que na próxima semana, mesmo com o feriado de carnaval, o hospital apresentará formalmente para a Caixa Econômica Federal um estudo com a reestruturação que a instituição terá. “O hospital apresentará um estudo do fluxo de caixa, com esta reestruturação, e uma justificativa plausível, para que a Caixa inicie formalmente este processo de renegociação da dívida”, esclarece.

 


Após a entrega do estudo, será feita uma reunião técnica entre a direção do HSJD e técnicos da Caixa para aprimorar a proposta. “A reunião de adequação será feita no final do mês, quando a Caixa aprova a proposta ou a adéqua, para que ela seja encaminhada para a diretoria da Caixa Econômica Federal. A diretoria da Caixa não toma uma decisão sem um parecer favorável da Superintendência da Caixa”, conclui.

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