quarta-feira, 13 de Maio de 2015 11:02h Atualizado em 13 de Maio de 2015 às 11:03h. Pollyanna Martins

Idosos reclamam da conservação das calçadas de Divinópolis

Filha de idoso conta que seu pai não sai na rua por medo de cair

A má conservação das calçadas de Divinópolis, além de dificultar o transporte de cadeirantes, é motivo para que muitos idosos tenham medo de andar no Centro da cidade sozinhos. E este medo fez com que um aposentado de 83 anos se confinasse em casa há mais de dois meses. Próximo à casa do idoso, no Centro de Divinópolis, existe uma calçada em péssimas condições. No mesmo quarteirão, há um desnível na calçada, onde a esposa do aposentado se acidentou e quebrou todos os dentes da frente.
Foi esse e outros motivos que levaram o aposentado a decidir não sair de casa mais. Segundo o idoso, que preferiu não se identificar, ele e a esposa se mudaram para o apartamento, que fica há um quarteirão da Prefeitura de Divinópolis, há nove anos e a situação é a mesma. No dia 27 de agosto de 2014, o idoso foi a Prefeitura e conversou com o vice-prefeito, Rodrigo Resende, que lhe prometeu notificar a dona do estabelecimento comercial até o dia 29 de agosto, para que a mesma reformasse o passeio. Porém, até hoje nada foi feito.
O idoso desabafa que paga mais R$ 1 mil de IPTU, mas não vê o dinheiro revertido em melhorias. “Eu não saio de casa por medo. Este ano paguei R$ 1.186 de IPTU, mas não saio de casa por medo de cair na rua. Quando eu preciso sair, me apoio no muro, ou dou a volta no quarteirão”, conta. Além da esposa, o próprio aposentado já viveu momentos de desespero há três anos.
A filha do idoso conta que seu pai caiu na esquina das ruas Sete de Setembro e Paraíba, onde permaneceu por mais de 40 minutos aguardando socorro. “Ele caiu na rua e não conseguiu levantar. Quem estava passando por lá achou que ele era andarilho e não o ajudou. Depois de 40 minutos um amigo do meu irmão passou, o reconheceu e o levou para o hospital”, relata. No hospital, foi constatado que o idoso havia quebrado um dedo.

 

RECLAMAÇÕES
Enquanto nossa reportagem tirava fotos da calçada, vários idosos que estavam indo ao Posto de Saúde Central reclamaram da má conservação do passeio do quarteirão. Na esquina da Rua Sergipe, há buracos na calçada que dificultam o acesso ao posto. O aposentado Jonas Teixeira Tavares contou que também mora no Centro de Divinópolis e leva a tia idosa para fazer tratamento no posto de saúde. Mas contratou uma acompanhante, pois tem medo que a tia se machuque nas calçadas da cidade. “A gente que é idoso tem que ter o máximo de cuidado. Eu vim trazer a minha tia, que está com mais de 80 anos, ao posto, mas tem que ter uma pessoa para segurá-la. Sozinha não tem jeito dela vir”, ressalta.

 

ESCOLA MUNICIPAL
A Prefeitura de Divinópolis, através de sua assessoria de imprensa, informou que as calçadas são de responsabilidade dos proprietários dos imóveis. A população deve denunciar no setor de Protocolo, que fica no 1º andar do órgão, na Rua Pernambuco, nº 60, Centro, ou no site www.divinopolis.mg.gov.br, no link do cidadão. Após fazer a denúncia, o fiscal vai ao local para notificar o proprietário, que terá um prazo para arrumar a calçada.
Caso o passeio precise de reforma, o proprietário terá 15 dias para regularizar a situação. Se a calçada precisar ser construída, o prazo é de 60 dias. Ainda de acordo com a Prefeitura, se o proprietário não solucionar o problema dentro do prazo estabelecido, será então aplicada uma multa.
Outro passeio que está em péssimo estado de conservação é o da Escola Municipal Adolfo Machado, no bairro Manoel Valinhas. No local, existe apenas um amontoado de concreto, misturado a terra. Apesar de a Prefeitura alegar que a calçada é de responsabilidade do proprietário, a situação do passeio da escola é crítica.
A assessoria da Prefeitura explicou que a calçada está danificada devido a uma árvore que tinha local. Com a retirada da árvore, o passeio estragou. A Prefeitura informou ainda que já há verba disponível para a reforma da calçada, e que o conserto já está no planejamento.

 

Crédito: Pollyanna Martins

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