quinta-feira, 2 de Junho de 2016 12:56h Atualizado em 2 de Junho de 2016 às 14:01h. Jotha Lee

Imagem da Santa encontrada no Rio Itapecerica é entregue ao Museu Histórico

Peça de origem desconhecida foi motivo de denúncia no Ministério Público

POR JOTHA LEE

jotalee@gazetaoeste.com.br

 

Em 2014, Divinópolis viveu uma intensa onda de protestos em razão dos aguapés, planta que prolifera em águas poluídas, que cobriram totalmente o leito do Rio Itapecerica praticamente em toda sua extensão urbana.  Por falta dinheiro e por desleixo da prefeitura, a planta disseminou pelo leito do rio, aumentando o volume de poluição e provocando mau cheiro em diversos pontos da cidade, além de ter causado uma grande mortalidade de peixes, pela redução no oxigênio.

Depois de muitas manifestações, a prefeitura contratou um barco conhecido como papa-aguapés e disponibilizou homens e máquinas para que fosse providenciada a limpeza do Rio. Na manhã do dia 19 de novembro, durante operação nas proximidades do Estádio Waldemar Teixeira de Faria, os trabalhadores foram surpreendidos por um achado raro. No meio dos aguapés, eles encontraram uma imagem de santa. A estátua, feita em madeira e com 80 centímetros de altura, foi levada para o gabinete do prefeito Vladimir Azevedo (PSDB). Apesar da poluição do rio, a imagem estava bem conservada.

 

 

 

 

O barqueiro Alexandre Laredo, dono do papa-aguapés, deu à imagem o nome de Santa Rita do Itapecerica. Na ocasião, ele relatou que o ocorrido foi mesmo um milagre. "O que aconteceu foi que o rapaz estava na margem do rio empurrando os aguapés e chegou a cair dentro do rio. Só que ele caiu e voltou e não sabia nadar. Os colegas de trabalho tiraram ele do rio e o levaram para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Logo em seguida a imagem apareceu", contou ele.

A peça foi levada para o gabinete do prefeito, o que motivou uma denúncia ao Ministério Público pelo advogado Robervan Faria. Em sua petição, o advogado argumentou que a imagem deveria ser encaminhada ao Museu Histórico. “O gabinete não é lugar para ficar esse tipo de imagem. Nós temos um museu municipal, essa peça deveria ficar lá com acesso da população. Ela é uma peça muito importante para a sociedade, foi achada em um rio que é público e tem valor histórico e afetivo para os moradores da cidade. O local onde essa imagem vai ficar deveria ser escolhido em conjunto com a sociedade”, defendeu o advogado.

 

 

 

 

MUSEU

Finalmente a imagem da Santa Rita do Itapecerica foi encaminhada ao Museu Histórico. No último domingo o prefeito Vladimir Azevedo abriu a exposição “Divinópolis: do arraial à cidade centenária”, que segundo a Diretoria de Comunicação da prefeitura, é uma viagem pelos 104 anos de emancipação político-administrativa do município. A mostra reúne objetos que fazem parte do acervo cultural da cidade. São peças de arte, utensílios domésticos, material industrial, equipamentos de comunicação e destaca o acervo ferroviário, além de fotos e impressos que ajudam a contar também os 30 anos de existência do próprio museu.

Na abertura da exposição, o prefeito destacou a importância da ferrovia para o desenvolvimento do município. “Nestes 104 anos, estamos homenageado o grande vetor do desenvolvimento de Divinópolis, do arraial para a cidade centenária e uma das mais importantes metrópoles do país, a ferrovia, neste ano em que se celebra os 100 anos da instalação das oficinas ferroviárias em Divinópolis”, comemorou.

 

 

 

Vladimir Azevedo fez, ainda, a entrega oficial da imagem em madeira de Nossa Senhora que foi encontrada no Rio Itapecerica durante o processo de retirada dos aguapés, em 2014, para o acervo do Museu. “Esta imagem tem uma bela história, que será agora melhor detalhada pelos nossos historiadores e pelo Arquivo Público”, destacou.

Para o advogado Robervan Faria, autor da denúncia feita no MP, a peça agora está onde o povo poderá conhecê-la. “Acredito que como o prefeito disponibilizou a imagem ao Museu Histórico, o próximo passo será a realização de uma perícia minuciosa na peça, para identificar se trata de obra sacra desaparecida e devidamente catalogada”, assegurou.

 

 

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