quarta-feira, 1 de Abril de 2015 11:37h Jotha Lee

Implantação de crematórios é retirada da pauta da Câmara

Discussão sobre iniciativa do Executivo reabre debates sobre situação dos cemitérios

O Projeto de Lei do Executivo que autoriza a implantação de crematórios através da iniciativa privada em Divinópolis, causou um intenso debate ontem na sessão ordinária da Câmara, a primeira e única da semana, já que a partir de hoje o Legislativo entra em recesso em função da Semana Santa. O projeto institui a prática de cremação e incineração de restos mortais ou parte de corpos de humanos em Divinópolis.
Pelo projeto fica autorizada a instalação e funcionamento de fornos crematórios e incineradores através de empresas administradoras de cemitérios ou suas respectivas prestadoras de serviços funerários. Isso significa que, caso a proposta seja aprovada, os possíveis crematórios a serem instalados na cidade serão somente através da iniciativa privada, com a cobrança pela prestação de serviços. Em Minas Gerais, o preço das cremações praticados hoje estão acima de R$ 6 mil. É o caso do serviço prestado pelo Parque Renascer, cemitério localizado na região de Contagem, cujo preço não sai por menos de R$ 6,4 mil.
Com base nesses valores, o vereador Adair Otaviano (PMDB) afirmou que famílias de baixa renda não terão nenhum benefício com a implantação dos crematórios. “Pobre não vai passar nem perto, já que não vai ter dinheiro para bancar esse valor”, disparou.

PRESSA
A discussão em torno da matéria durou mais de 40 minutos, entretanto todos os vereadores concordaram que a iniciativa é bem vinda, apesar dos pontos divergentes. Entretanto, o que causou debates acima do tom, foi a pressa em que se tentou aprovar a proposta. A matéria não constava da pauta da sessão de ontem e foi incluída de última hora com pedido de urgência.
O primeiro a se manifestar foi o vereador Delano Santiago (PRTB), que pediu sobrestamento de 60 dias. Ele contestou os argumentos de que os crematórios são de interesse da saúde pública. “Não é emergência, porque não é interesse para sua saúde, porque os escorpiões estão sopitando lá no cemitério de Ermida. Isso sim, é urgência. Isso sim, é questão de saúde pública”, disparou. “Como é que nós estamos pensando em crematório, se não a gente não tem cemitério?”, interrogou.
Embora a implantação de crematórios esteja prevista para a iniciativa privada, o vereador Edmar Rodrigues (PSD) acredita que são necessários para aliviar a situação dos cemitérios. “Todos os cemitérios da cidade estão sujos, a administração não consegue dar a manutenção e nesse sentido temos mesmo que ter o crematório”, afirmou.
O vereador Adair Otaviano também criticou a pressa para se votar o projeto. “Temos que parar com essa mania de que quando há projeto de interesses particulares, eles serem votados como se fosse uma sangria desatada”, criticou.
Como a maioria dos vereadores queria votar o projeto na sessão de ontem, mas há um acordo de cavalheiros de que não se vota contra um pedido de um colega, o pedido de dois meses de sobrestamento feito por Delano Santiago seria aprovado, não fosse a interferência do vereador Marcos Vinicius Alves da Silva (PSC), que pediu sobrestamento de 15 dias. Nesse caso, o regimento interno da Câmara determina que prevalece o pedido de menor tempo e o sobrestamento foi concedido ao vereador do PSC.

 

Crédito: Jotha Lee

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