sábado, 23 de Maio de 2015 07:16h Atualizado em 23 de Maio de 2015 às 07:25h. Jotha Lee

Imprudência de motoristas e pedestres coloca vidas em risco no anel rodoviário

Em dezembro do ano passado, concessionária Nascentes das Gerais, que administra a MG-050 através de uma Parceria Público-Privada (PPP), anunciou a duplicação de 10 quilômetros do anel rodoviário, contemplando o trecho compreendido entre os quilômetros 117

Cinco meses depois ainda não há sinal de início das obras e a concessionária ainda não tem previsão de quando poderá tocar as atividades.
O projeto não agradou aos moradores dos bairros marginais ao anel e também desagradou o segmento empresarial, que utiliza o Distrito Industrial Jovelino Rabelo. Isso porque o acesso ao Distrito não foi contemplado no projeto original com nenhuma modificação. Entidades representativas da classe empresarial garantem que são necessárias obras urgentes no local, pois o trânsito é volumoso e longos engarrafamentos são verificados em praticamente todas as horas do dia, gerando consideráveis atrasos e riscos, especialmente para pedestres, que não têm sinalização específica para cruzar a via ou uma passarela que permita uma passagem segura.
Lideranças comunitárias dos bairros Candelária, Jardim das Oliveiras, Santa Marta, Fonte Boa e Padre Libério garantem que a proposta da Nascentes das Gerais para a duplicação do trecho trará enormes prejuízos ao trânsito no local. De acordo com o ex-vereador Manoel Cordeiro, presidente da Associação de Moradores do Jardim das Oliveiras, cerca de 40 mil pessoas que residem nesses bairros poderão ser prejudicadas, pois o projeto vai tornar o tráfego ainda mais complicado na área. “Sem as modificações que sugerimos para o projeto, os engarrafamentos no acesso a esses bairros e no trevo do Bom Pastor, que ocorrem todos os dias, especialmente de manhã e a tarde, ficarão ainda maiores”, afirmou.

 

ABUSOS
Na semana passada a Nascentes das Gerais apresentou as primeiras modificações ao projeto, porém contemplando somente os acessos aos bairros Serra Verde, Nossa Senhora da Conceição e Alvorada. As modificações estão sendo analisadas pelo secretário de Estado de Transportes e Obras Públicas, Murilo Valadares, que já garantiu que as obras somente serão iniciadas quando houver consenso.
Cerca de 15 mil veículos trafegam todos os dias pelo anel. O trânsito é intenso na rodovia a qualquer hora do dia, porém no início da manhã e fim de tarde a situação se complica ainda mais, com longos engarrafamentos, que param o transito, especialmente no trevo de acesso ao Bairro Bom Pastor.
O volumoso fluxo de veículos parece não incomodar motoristas imprudentes que fazem conversões proibidas, abusam da velocidade, trafegam na contramão, conforme foi constatado pela reportagem do Gazeta do Oeste. Todo o percurso do anel rodoviário encontra-se em área urbana de grande densidade demográfica. A população se arrisca, caminhando pelos acanhados acostamentos e trafegando em bicicletas.
Boa parte dos pedestres ignora as passarelas e atravessa pelas pistas, mesmo com trânsito intenso. “A gente vem com muita pressa e não tem muito perigo. A gente precisa é ser rápida. Mas eu não tenho medo não. Nunca usei a passarela”, revelou uma dona de casa de 26 anos, fotografada quando atravessava o anel sob a passarela que liga os bairros Alvorada e Serra Verde.
Manobras arriscadas, feitas por motoristas imprudentes também são comuns. A condutora de um veículo, que seguia no sentido Formiga, decidiu retornar e entrar na cidade pelo acesso através do Bairro Alvorada. Deu marcha-ré ao veículos e fez o retorno na contramão e ainda ficou brava quando foi aborda pela reportagem.  Disse que estava apressada e ameaçou processo caso a foto fosse publicada.
Situações como essas ocorrem a qualquer hora do dia, já que não há policiamento ostensivo ao longo do anel. Para o líder comunitário Manoel Cordeiro, a duplicação é necessária e urgente, mas é preciso ser feita criteriosamente e ouvindo as reivindicações dos moradores. “A população que passa pelo anel diariamente sabe dos problemas. Nós conhecemos os problemas. Acidente acontece quase todo dia e o povo não respeita mesmo a sinalização, passarela também não é utilizada, é um conjunto de situações que exigem obras que respeitem e facilitem a mobilidade”, finaliza.

 

Crédito: Jotha Lee

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