quinta-feira, 22 de Setembro de 2016 14:47h PMD

Incidência da febre maculosa vai até outubro

Desde o registro de casos de Febre Maculosa Brasileira (FMB) no primeiro semestre deste ano em Divinópolis, a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) informou os profissionais de saúde da cidade e a população sobre a doença. Foram quatro casos registrados e duas mortes confirmadas. De junho a outubro é o período de maior incidência de casos.

 

A FMB é uma doença febril aguda, de gravidade variável, que pode apresentar desde as formas leves e atípicas até formas graves com elevada taxa de óbitos. É causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, transmitida pela picada de carrapatos contaminados, caracterizando-se por ter início súbito, com febre elevada, dor de cabeça e dor muscular intensa e/ou prostração seguida, em alguns casos, manchas avermelhadas na pele. A transmissão ocorre quando o carrapato permanece aderido ao hospedeiro por um período de 4 a 6 horas. A doença não é transmitida de pessoa a pessoa.

 

Os principais reservatórios das Rickettsias são os carrapatos da espécie Amblyomma cajennense, popularmente conhecidos como “carrapato estrela”, “carrapato de cavalo” ou “rodoleiro”. Os cavalos e roedores, como a capivara e o gambá, têm importante participação no ciclo de transmissão da febre maculosa e podem estar envolvidos tanto como reservatórios, quanto como amplificadores de Rickettsias, assim como transportadores de carrapatos potencialmente infectados.

 

A febre maculosa tem sido registrada em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, DF, Goiás, Ceará e Rio Grande do Sul.

 

De acordo com o bioquímico epidemiologista da Semusa, Osmundo Santana Filho, em Divinópolis foram confirmados, em 2016, quatro casos da doença – todos do sexo masculino, e destes, dois morreram. Todos os casos tiveram contato com a região de mata localizada no prolongamento do bairro Eldorado. Técnicos da Vigilância Ambiental, juntamente com técnicos da Superintendência Regional da Saúde, estiveram num local próximo a residência de uma das vitimas investigadas pela Vigilância Epidemiológica. No local foi feita uma varredura visando à captura de carrapatos para confirmar os casos.

 

São apontados como ambientes de maior risco, áreas de pastagens, as matas ciliares e a proximidade de coleções hídricas, principalmente se houver a presença de animais como cavalos e capivaras. “Registram-se casos de Febre Maculosa ao longo de todo o ano. Entretanto, a maior incidência da FMB ocorre no período de maior reprodução do vetor, no período de junho a outubro. Para todo caso suspeito de FMB é obrigatório fazer-se a notificação imediata, por se tratar de doença grave”, destacou o epidemiologista.

 

Prevenção da Febre Maculosa

Evitar áreas infestadas pelo carrapato e, se possível, usar calças e camisas de manga comprida e de cor clara para facilitar a visualização do artrópode.

Após a exposição a ambiente de risco, deve-se inspecionar o corpo para verificar a presença de carrapatos e retirá-los imediatamente.

A retirada dos carrapatos do corpo deve ser feita utilizando-se pinças (se disponível luvas também), o mais rápido possível, pois, quanto maior o tempo de permanência do carrapato aderido ao corpo, maiores as chances de contrair a doença, caso o carrapato esteja infectado pela bactéria Rickettsia. Lavar em seguida as mãos.

A retirada deve ser cuidadosa, realizando-se movimentos giratórios com o vetor, para garantir a retirada do carrapato inteiro, sem deixar o aparelho sugador aderido à pele, o que pode aumentar o risco de infecção.

Não se deve esmagar o vetor com as mãos ou entre as unhas, pois, isso aumenta o risco de infecção.

Deve-se fazer o rodízio de pastos e a capina da vegetação para controle da população de carrapatos, e o manejo adequado dos animais que são potenciais hospedeiros e reservatórios da doença, inclusive o controle de carrapatos em animais domésticos.

© 2009-2016. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.