sexta-feira, 24 de Julho de 2015 10:16h Atualizado em 24 de Julho de 2015 às 10:25h. Jotha Lee

Indústria não consegue reagir à crise e lidera demissões em Divinópolis

Presidente da Regional Centro-Oeste da Fiemg afirma que setor industrial está em estado de calamidade

A crise econômica que atinge o país, e que nos últimos dois anos afetou Divinópolis com maior impacto, foi sentida com mais severidade pelo município no mês de junho. O reflexo está no mercado de trabalho, afetado pela baixa na queda das vendas e na produção industrial. De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, em junho Divinópolis fechou 161 vagas de emprego com carteira assinada. Foi o segundo mês de 2015 com índice negativo. O primeiro foi abril, com 102 demissões.
Na região, a cidade que mais sentiu os impactos da crise foi Nova Serrana, que fechou 591 postos de trabalho somente no mês passado, todos do setor calçadista. A queda foi de 28% em relação a maio. Itaúna também sentiu os efeitos negativos e em junho fechou 313 vagas no mercado formal. Ainda na região Centro-Oeste, registraram quedas nas vagas com carteira assinada as cidades de Lagoa da Prata (-014%), Arcos (-0,77%) e Pará de Minas (-0,56%). 
Algumas cidades do Centro-Oeste conseguiram driblar a crise e apresentaram números positivos. Foi o caso de Oliveira, a primeira colocada na região e 9ª no Estado, que abriu 337 vagas, alta de 3,98%. Formiga também teve crescimento considerável, sendo a segunda colocada regional e a 19ª no Estado, com 174 vagas abertas, crescimento de 1,08%.

 

DIVINÓPOLIS
A situação em Divinópolis é mais grave diante da crise que afeta especialmente o setor industrial, com reflexos diretos em toda a economia do município. Os dois setores industriais mais fortes da cidade – confecção e metalurgia – estão demitindo. Em junho, a indústria local fechou 188 postos e o setor confeccionista fechou 56.
Um balanço dos últimos 12 meses mostra que Divinópolis não está conseguindo superar a crise e a tendência é de que ainda haverá novas demissões no mercado de trabalho, conforme previu ontem o presidente da Regional Centro-Oeste da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Afonso Gonzaga. “Nós ainda não estamos no fundo do poço, mas já estamos chegando lá. As demissões vão continuar, principalmente na indústria. Infelizmente a corda arrebenta do lado do trabalhador, porque a indústria não tem capacidade financeira”, avaliou.
De acordo com o Ministério do Trabalho, de junho de 2014 a junho deste ano, foram fechadas 439 vagas no mercado formal de trabalho em Divinópolis. Esse número só não foi maior porque o comércio e o setor de serviços tiveram desempenhos estáveis até maio deste ano. Nesse período, a indústria em Divinópolis fechou 852 postos, sendo 463 no setor metalúrgico e 234 na confecção. O setor de serviços, um dos campeões em abertura de vagas, também teve saldo negativo no período, com 48 vagas fechadas.
O comércio, embora as vendas estejam muito abaixo da expectativa, foi o segundo maior contratador no mercado formal da cidade nos últimos 12 meses, abrindo 222 novas vagas. Já a construção civil parece ter espantado a crise que afetou o segmento até o início do ano passado e foi o setor campeão em contratações nesse mesmo período, com 269 novos postos com carteira assinada.

 

INDÚSTRIA
Segundo Afonso Gonzaga, o setor em Divinópolis mais afetado pela crise é o industrial e já está em estudo a redução da jornada de trabalho e dos salários. “A indústria de Divinópolis vai de mal a pior. Na semana que vem devemos começar negociação para colocar em prática a MP 680 [Medida Provisória que permite a redução da jornada de trabalho e dos salários, sem demissões]. É a única solução que temos de imediato para tentar conter as demissões”, assegura.
Afonso Gonzaga lembra que os cortes feitos pelo governo no orçamento da União retiraram mais de R$ 17 bilhões do Ministério das Cidades. Segundo ele, isso vai aumentar as dificuldades na metalurgia, pois haverá paralisação de obras do PAC, um dos grandes consumidores da produção metalúrgica. Gonzaga faz uma previsão preocupante. “Tudo indica que 2016 também já está perdido, pois não há planejamento”. Segundo ele, o mercado externo se mantém estável e a região, que no ano passado exportou U$ 35 milhões, teve o mesmo desempenho esse ano.
Para o presidente da Regional Centro-Oeste da Fiemg, as perspectivas são ruins e esse quadro só será revertido se o governo federal conseguir equilibrar a crise nacional. Afonso Gonzaga admite que o atual momento é de calamidade. “A situação da indústria é de calamidade, ao ponto do empresário não saber se vai ter dinheiro para pagar seus funcionários”, finaliza.

Crédito: Jotha Lee

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