terça-feira, 8 de Março de 2016 09:46h Atualizado em 8 de Março de 2016 às 09:54h. Jotha Lee

Informações desencontradas aumentam tensão no São João de Deus

Hospital nega fechamento da maternidade e médicos fazem assembleia geral

O clima de tensão que tomou conta do Hospital São João de Deus (HSJD) nos últimos dias, em função do atraso no pagamento dos salários dos médicos da instituição, aumentou no início dessa semana e o atendimento da maternidade, que já foi paralisado no ano passado, pode ser novamente afetado. A diretoria do HSJD não presta informações com clareza e nega que haja qualquer indício de que a maternidade possa ser afetada, conforme a informação que circulou ontem.

 


Um médico, que pediu para não ser identificado, disse ontem ao Gazeta do Oeste, que os profissionais que atendem na maternidade encaminharam um ofício ao diretor-clínico do HSJD, Luciano Nogueira, para comunicar que vão iniciar uma paralisação parcial no atendimento, culminando com um apagão a partir de quinta-feira. O ofício, assinado pelo coordenador da Maternidade, Carlos Henrique de Sousa de Jesus, comunica que a partir de ontem a clínica não vai aceitar pacientes de emergência vindos de outros municípios. Ainda segundo o documento, a partir de hoje não haverá atendimento de emergência de obstetrícia e amanhã, pacientes em condições de alta serão enviados para casa, enquanto os que exigem cuidados especiais deverão ser transferidos para outros hospitais. Na quinta-feira, os médicos prometem suspender completamente o atendimento na maternidade.

 


O médico Carlos Henrique de Sousa, coordenador da maternidade, não se encontrava ontem a tarde no Hospital e em seu consultório a informação era de que ele tinha uma agenda cheia e não poderia atender à imprensa. O promotor Ubiratan Domingues, curador da saúde no Ministério Público, não foi localizado ontem a tarde para falar sobre o assunto.

 


UTI
Da mesma forma que ocorre na maternidade, informações desencontradas deixam dúvidas quanto ao funcionamento da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), que desde a semana passada não está aceitando novas internações. Através da assessoria de imprensa, o HSJD reafirmou ontem que o pagamento dos médicos está sendo efetuado com a primeira parcela de R$ 1,5 milhão liberada pela Secretaria de Estado da Saúde na semana passada. Esse dinheiro faz parte de um pacote de R$ 4,5 milhões liberados pelo Estado para ser utilizado no pagamento de salários atrasados.

 

 


Enquanto o hospital diz que “o pagamento está sendo efetuado”, os médicos marcaram para amanhã uma assembleia geral, com o objetivo de discutir a distribuição dos recursos e a forma de pagamento da classe. Segundo a fonte, o dinheiro de fato já está na conta do Hospital, mas a forma de pagamento está sendo contestada.

 


Enquanto não se chega a um consenso, o Centro de Tratamento Intensivo continua parcialmente paralisado e novos pacientes estão sendo recusados. O Hospital garante que as internações de urgência continuam sendo feitas normalmente. Informa, ainda, que essa semana o impasse envolvendo os médicos do CTI será solucionado. Sobre um possível apagão no atendimento da maternidade, o HSJD informa que, oficialmente, não recebeu nenhum comunicado e, portanto, não está tratando desse assunto. Informa, ainda, que ontem, o atendimento na maternidade transcorreu normalmente.

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