quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2016 09:49h Mariana Gonçalves

Jogo de empurra revolta mães que brigam por direitos dos filhos com deficiência

Desde outubro sem receber medicamentos e fraldas, o grupo de mães cujos filhos com deficiência estão prejudicados por esta medida da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa)

Desde outubro sem receber medicamentos e fraldas, o grupo de mães cujos filhos com deficiência estão prejudicados por esta medida da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) vem tentando a duras penas resolver a situação, para que, tão logo as crianças voltem a ser assistidas - cada uma dentro de sua necessidade. No entanto, para cada uma das mães que procuram a Prefeitura a resposta tem sido diferente, a realidade informada a uma não é a mesma repassada à outra, a situação motivou uma mobilização por parte destas mães, ontem pela manhã, na porta da Prefeitura. O pedido era simples, alguém que pudesse informar o que, de fato, está acontecendo e quanto tempo mais as crianças teriam que esperar, mas novamente as mães ficaram sem saber, pois ninguém as atendeu, ao contrário, fizeram um jogo de empurra, conforme nos conta a dona de casa, Maria Aparecida Diniz Silva. “Fomos ao Gabinete do Prefeito e a Secretária dele nos disse que não era aqui que tínhamos que conversar, é na Semusa, com o Secretário Davi Maia. O problema é que, vamos à Semusa e ela nos joga para Prefeitura e vice-versa. É um descaso total, simplesmente ninguém pode conversar com a gente? A prefeitura deste tamanho e não tem ninguém aqui, não tem secretário, não tem prefeito? Só queremos os direitos dos nossos filhos”, desabafou Maria.

 

 


Enquanto a Prefeitura não resolve a situação, as mães estão tendo que se virar como podem. “Nós Ficamos indignadas, porque muitas mães estão passando dificuldade para comprar os suplementos, algumas não têm condições, inclusive, no meu caso, minha filha está sem um dos suplementos, que não consigo comprar desde dezembro, e está fazendo falta, medicação para evitar uma crise convulsiva estamos lutando e comprando, assim como as fraldas. Mas está muito difícil!” destaca a dona de casa.
As mães possuem uma ordem judicial, onde consta o dever do município em oferecer os materiais de acordo com a necessidade de cada criança. Ao todo, são mais de cinco famílias que estão passando aperto com esse problema.

 

 

 

E AÍ?

Maria relatou à nossa reportagem quatro respostas diferentes dadas às mães que procuram, via contato telefônico, algum posicionamento da Prefeitura. “Na segunda-feira, quatro de nós, mães, ligamos novamente para termos uma resposta, primeiro eu liguei, e nem me identifiquei, simplesmente perguntei e me disseram que não tinha previsão nenhuma, que não tinham feito nenhuma compra. Depois outra mãe, que é a Gracielle, ligou e eles disseram que já tinha feito a compra, mas não tinham previsão de chegar. Outra mãe, a Luciene, também ligou e falaram que estão aguardando, depois eu liguei, novamente, já me identificando e me disseram que a compra de fraldas foi feita, mas não tem previsão de chegar, e com relação a medicamentos e suplementos, disseram que os fornecedores estão atrasados” conta.

 

 

 


ABANDONO

As mães sentem que estão abandonadas pela administração pública, a situação tem desmotivado várias famílias. “Estamos com ordem judicial, procuramos a Semusa e eles não compraram nada. A questão toda é que envolve crianças, lutamos por elas e lá na Prefeitura ninguém quis descer e conversar conosco. Ficamos desoladas, dá vontade de parar e desistir, eles [Prefeitura] querem isso, que a gente desista. Queremos continuar, mesmo estando indignadas com essa falta de justiça”, encerra a dona de casa, Graciele Isabel Ferreira Araújo.

 

 

 

NEGOCIAÇÃO

De acordo com a assessoria de comunicação da Prefeitura, a administração segue em negociação com os fornecedores, “e aguarda o mais breve possível, normalizar o atendimento”.

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