quarta-feira, 1 de Julho de 2015 10:01h Atualizado em 1 de Julho de 2015 às 10:03h.

Jornalistas denunciam cerceamento do trabalho da imprensa

Os jornalistas da TV Candidés, de Divinópolis, afirmaram aos deputados da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG)

Os jornalistas da TV Candidés, de Divinópolis, afirmaram aos deputados da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) que teriam sido ameaçados e mantidos em cárcere privado por assessores da Secretaria de Estado de Educação, após entrevista realizada com a secretária Macaé Evaristo, na Escola Estadual Monsenhor Domingos, no dia 11 de março deste ano. A denúncia foi feita na audiência pública da comissão realizada ontem, a pedido do deputado João Leite (PSDB) e da deputada Celise Laviola (PMDB).
O deputado João Leite relatou que, na referida data, a repórter Nayara Lopes foi abordada por assessores da Secretaria de Educação, que a questionaram sobre a pauta da entrevista a ser feita com Macaé Evaristo. Apesar de a reportagem ter sido autorizada e feita, as mesmas pessoas teriam solicitado que as imagens fossem apagadas, sob a alegação de má-fé da jornalista.
De acordo com o parlamentar, o problema se deu quando Macaé Evaristo teria respondido a uma pergunta sobre a implantação do ensino da cultura africana nas escolas. “A secretária respondeu que nada havia sido feito sobre isso nos últimos anos. Depois teriam sido proibidos de fazer a matéria, sob a alegação de descumprimento de protocolo de entrevistas. Foram ameaçados e impedidos pelo diretor da escola de sair do estabelecimento até que as imagens fossem apagadas”, disse.
O cinegrafista da TV Candidés, Yan D'Masoyyteria, teria, ainda, sido pego pelo pescoço por suposto policial, que não teria sido identificado formalmente como militar. A equipe teria sido mantida em cárcere privado por mais de uma hora, até que o diretor da emissora, Flaviano Cunha, chegasse ao local. “Vários crimes foram cometidos, como cárcere privado e atentado à liberdade de expressão. Esta ação atinge em cheio os direitos básicos da democracia. Lamentável!”, completou o deputado João Leite.
A repórter Nayara Lopes explicou que foi orientada pelo diretor da TV Candidés a não apagar as imagens, por se tratar de cerceamento da liberdade de imprensa. Com isso, os assessores da Secretaria de Educação teriam ameaçado chamar a polícia, segundo ela.
O cinegrafista Yan D'Masoyy afirmou, ainda, que foi agredido por um homem que se apresentou como policial militar, sem, no entanto, estar fardado ou portando distintivo. “Fui impedido de sair da escola pelo diretor. Ficamos quase duas horas presos na escola. Isso nunca havia acontecido comigo”, lamentou.
O diretor de jornalismo da TV Candidés, Flaviano Cunha, disse que está levando o caso a público para alertar as demais emissoras de TV que não permitam o que chamou de atentados à liberdade de imprensa. “É um absurdo uma equipe de televisão ser cerceada e presa em um estabelecimento de ensino até que o diretor da emissora chegasse ao local. Eles alegaram que não teria sido cumprido o protocolo de entrevista, que exige o envio das perguntas para a secretaria para análise”, salientou.

Diretor da escola rebate acusações
O suposto atentado à liberdade de imprensa e as agressões cometidas contra o cinegrafista Yan D'Masoyy foram negados pelo diretor da Escola Estadual Monsenhor Domingos, Kleuver Luiz Alves Mota. Ele lamentou a forma como o episódio foi conduzido pela TV Candidés e defendeu que é salutar para a democracia a atuação da imprensa. “Não sei qual foi o desentendimento entre os jornalistas e os assessores da Secretaria de Educação e não presenciei qualquer ato de violência. Por questão de segurança, o portão da escola fica fechado, e em nenhum momento tive o intuito de aprisionar quem quer que fosse”, alegou. O diretor alegou ter dito apenas que gostaria de conversar com a equipe da TV. “Não vi atuação de policiais no momento, mas somente duas pessoas que estavam acompanhando a secretária”, finalizou.
Mal-entendido
A chefe de Comunicação da Secretaria de Estado de Educação, Carla Kreefft, explicou que, no dia 11 de março, data do ocorrido, a assessoria da pasta ainda não tinha sido criada. Ao assumir o cargo, ela teria sido solicitada para esclarecer os fatos. Para ela, a liberdade de imprensa é valorizada e considerada fundamental para o atual governo. “A secretária nunca deixou de atender a imprensa. Lamentamos o ocorrido por meio de nota oficial e considero que ocorreu um mal-entendido”, afirmou.
A assessora não confirmou todos os fatos relatados, lembrou que não foi lavrada ocorrência policial e confirmou que havia um militar à paisana naquela data, identificado como tenente Hélcio. “O militar negou ter cometido qualquer agressão física e ainda teria oferecido o registro do boletim de ocorrência a ambas as partes, que o recusaram”, destacou.

Providências
O presidente da comissão, deputado Sargento Rodrigues (PDT), considerou as acusações graves e afirmou que irá pedir à promotoria de Justiça de Divinópolis o esclarecimento dos fatos. O parlamentar afirmou, que segundo nota do 23º BPM de Divinópolis, foi designado um agente de inteligência com o objetivo de monitorar a Escola Estadual Monsenhor Domingos, tendo em vista a previsão de manifestação pública. “A Polícia Militar alega que a repórter teria feito a entrevista sem autorização da secretária Macaé Evaristo. O fato é grave. Vou pedir providências ao Ministério Público quanto ao ocorrido e solicitar ao comandante da PM que não permita a escalação de policiais para serviço de inteligência nesses casos", afirmou.

 

Crédito: Ricardo Barbosa / ALMG

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