sexta-feira, 23 de Setembro de 2011 14:56h Atualizado em 24 de Setembro de 2011 às 07:49h. André Bernardes

Lei Municipal de Cultura

A Gazeta conversou com uma especialista em gestão de projetos culturais que deu dicas importantes para montar um projeto consistente para a Lei Municipal de Incentivo a Cultura.

As inscrições para a Lei Municipal de Incentivo a Cultura já estão abertas e este ano o município aumentou o repasse de R$180mil para R$280mil, podendo aprovar mais projetos culturais. Os interessados podem procurar o edital no site da prefeitura e na próxima quinta feira receberão uma orientação na Biblioteca Pública sobre a montagem do projeto.


Uma comissão especial avaliará os projetos que devem conter orçamentos de no máximo R$28mil. São diversos pontos avaliados no projeto que devem ser feitos com atenção. Qualquer interessado em organizar algum evento cultural pode inscrever e para dar uma orientação sobre a montagem de projetos nossa reportagem procurou a gestora de projetos cultural Celma Bosque, que pontuou as maiores exigências da comissão avaliadora.


Para a especialista ao se desenvolver um bom projeto é necessário primeiramente ter conhecimento na íntegra do edital em que projeto será proposto, pois os editais são os norteadores para a viabilização de formatação de um bom projeto “Ter conhecimento específico da área de atuação em que você está disposto a propor um projeto, ou pelo menos se você não tiver conhecimentos técnicos e específicos busque parceiros que tenham conhecimentos na área que seu projeto será proposto, isso é fundamental para elaboração, ter um pré diagnóstico  da real situação do entorno que seu projeto está envolvido é de extrema importância, não querer propor "coisas" que a própria comunidade não irá consumir” explicou.


Prazos para entrega, formatação do formulário, documentação comprobatória de atuação cultural, documentações diversas são algumas exigências que todos que desenvolverem um projeto precisam estar atentos, pois servem como norteadores. “Para que tenhamos atenção redobrada na hora de elaborarmos um projeto, devemos ainda prestar atenção na parte textual do projeto, termos o cuidado de não sermos redundantes demais, o orçamento físico-financeiro deve estar de acordo com a proposta inicial, o cronograma de execução deve estar de acordo com todo o contexto do projeto, enfim, um bom projeto requer um pouco de atenção e dedicação, muita dedicação” explicou.


Celma diz que iniciantes têm dificuldade com os editais, pois existem algumas “pegadinhas” nos editais e a atenção precisa ser redobrada. “Particularmente considero que os editais de leis de incentivo não  são  para iniciantes e sim para aqueles que já possuem experiências de atuação. Mas nada é impedimento para pessoas que desejam iniciar na militância cultural inscreva um projeto cultural, porém é necessário somente um pouco mais de cuidado, pois as exigências e os detalhes nos pegam nas pequenas coisas, a cada projeto elaborado por mim e posteriormente aprovado, tenho a sensação de como se eu tivesse passado novamente no vestibular, ou se eu tivesse passado  num concurso público. Lá vai uma dica, todos nós estamos sujeitos a aprovações e reprovações, nem sempre quando um projeto seu for reprovado você deve desistir, procure sempre saber o porquê de tal reprovação e o aperfeiçoe para o próximo edital'” orientou.


O diretor de teatro Markus Marques teve um projeto reprovado no ano passado. Ele apresentou para  a comissão, um projeto de aulas gratuitas de teatro, passarela e dança, mas a comissão alegou que o projeto não seria uma ação continuada. “O projeto “Sanguinho Novo” é um projeto de aula de teatro gratuita que eu dou. Esse curso tem um período de oficinas, preparação do ator e depois nós montamos o espetáculo com cada turma que tem 25 atores cada e são quatro turmas. A rotina deste projeto nós damos o curso e descobrimos muitos talentos que continuam trabalhando e no final nós vendemos os ingressos para bancar o espetáculo. Como nós percebemos que a venda dos ingressos para algumas pessoas é complicado então eu apresentei o projeto onde eu acrescentei com oficinas de passarela, aula de história de teatro e dança e não faríamos a venda de ingresso, pois teríamos o dinheiro da lei. Mas não foi aceito, pois a justificativa que recebi foi que o curso não é um projeto de ação continuada. Eu não entendi, pois quando o curso terminar nós vamos continuar no outro ano. Fiquei desanimado” contou.


Celma explicou que a falta de critério de propostas, pensamentos não fundamentados, planilhas orçamentárias superfaturadas, falta da documentação exigida estão entre os principais fatores de reprovação, já os pontos importantes para ter um projeto consistente são:  qual o benefício que o projeto proposto trará para o coletivo,  viabilidade de execução, é um projeto de  descentralização do acesso a cultura. “Hoje escutamos muito falar em descentralização do acesso a cultura, não é mesmo? Parece que até virou moda no meio cultural e um jargão falar em "descentralização do acesso a cultura", mas vejamos, a descentralização vai muito além do que a efervescência de eventos culturais, pois em minha opinião eventos são importantes sim, mas são passageiros, devemos pensar e planejar ações continuadas que fortaleçam nossas políticas públicas de cultura” finalizou.

Leia Também

Imagem principal

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.