terça-feira, 28 de Julho de 2015 11:29h Atualizado em 28 de Julho de 2015 às 11:31h. Pollyanna Martins

Lixo, insegurança e falta de iluminação é a realidade do bairro Padre Libério

Lotes no bairro estão tomados pelo lixo e o mato alto. É possível encontrar animais mortos jogas às margens da MG

Lixo, falta de segurança pública e iluminação escassa é a realidade que os moradores do bairro Padre Libério, em Divinópolis, convivem há mais de 15 anos. O bairro, que é cercado por empresas e lotes vagos, está tomado por entulhos. Basta andar alguns quarteirões para ver que a situação é de total abandono. Em alguns pontos do bairro encontramos animais mortos, que são jogados nos lotes vagos.
O bairro fica às margens da MG-050, em uma das entradas da cidade, por onde passam milhares de pessoas todos os dias. O lugar é ideal para que criminosos façam da mata da rodovia ponto de observação da rotina dos moradores. A recuperadora de crédito Márcia Maria Alves mora no bairro há 14 anos e conta que a situação sempre foi assim. A recuperadora de crédito reclama que, devido ao lixo acumulado nos lotes vagos, baratas, ratos, escorpiões e aranhas invadem a sua casa diariamente. “A situação sempre foi essa. Entra rato, barata, aranha e eu tenho criança em casa. Fica complicado, porque se não limpar a situação piora”, relata.
De acordo com Márcia, vários carroceiros despejam lixo no bairro e, para que o problema não se agrave, ela e outros moradores limpam o que podem dos lotes e do meio-fio das ruas. “Os vizinhos têm consciência e não sujam, mas o pessoal, muitos carroceiros que pegam fretes veem esses lotes abandonados e jogam aí”, conta. Em meio aos lotes vagos, há uma rua que mais parece uma trilha em meio ao lixo. A Rua Santa Maria Eufrásia Pelletier divide dois lotes e não recebe qualquer tipo de manutenção da Prefeitura. Conforme a recuperadora de crédito, até cães adultos são abandonados nos lotes que cercam o bairro. “Semana passada veio um rapaz em uma caminhonete, com um monte de cachorro vira-lata e abandonou todos no lote. A gente precisa de uma providência urgente”, cobra.

 

 

SEGURANÇA
Outra questão que preocupa os moradores é a falta de segurança pública do bairro. Às margens da MG-050 há uma barraca improvisada que, segundo Márcia, é de um andarilho. Márcia relata que o homem fica no local vigiando a rotina dos moradores do bairro e muitas vezes ela já se deparou com ele nu andando no mato alto dos lotes. “Ele [andarilho] já estragou o meu interfone, porque pede comida, cigarro, água, leite, café da manhã, ele pede tudo o dia inteiro. Ele grita palavrão a noite inteira, o dia inteiro e não deixa a gente dormir. Ali é um ponto de observatório dos bandidos. Eles ficam vigiando a gente, quando veem que não tem ninguém entram nas casas”, afirma.
Com medo dos constantes assaltos na região, o empresário Elias Antonio Santos reforçou a segurança particular da sua empresa. O empresário reclama do mato alto dos lotes, pois o local é ideal para que bandidos se escondam e cometam assaltos. “A gente tem um índice alto de arrombamento na região e nós estamos investindo em segurança, mesmo assim a gente fica com medo de trabalhar. Nós investimos na segurança privada. Colocamos alarme e agora vamos colocar um sistema de monitoramento para reforçar a segurança. O poder público aqui deixa muito a desejar”, lamenta.
Para agravar a situação do bairro, a iluminação pública é insuficiente. A Rua Madre Xavier Novôa é uma das ruas à beira da rodovia, e também é cercada por lotes vagos. O policial militar reformado Lindomar da Silva Couto precisa buscar a esposa todos os dias na Avenida JK, pois tem medo de que ela possa ser vítima de algum bandido. “A iluminação pública é precária, o mato alto só prejudica e o proprietário do lote em frente ao nosso prédio não dá a mínima para a limpeza. Eu busco a minha esposa na Avenida JK, porque a iluminação é precária. Ela para vir de lá para cá corre risco de ser assaltada”, frisa.

 

ABAIXO ASSINADO
Cansados da situação de abandono que enfrentam todos os dias, os moradores estão fazendo um abaixo assinado, que será entregue no Ministério Público de Divinópolis. No documento, eles pedem que a Promotoria de Justiça notifique o proprietário do lote para realizar uma limpeza no local, e que a Concessionária Nascentes das Gerais seja intimada para fazer a capina e o corte de árvores localizadas na faixa de domínio da via. Caso a situação não seja resolvida, o policial militar vai se mudar do bairro, pois não suporta o descaso diário. “Aqui não tem segurança, não tem iluminação, os lotes todos sujos, bichos são aos montes que saem do mato. Eu coloquei o meu apartamento à venda para sair da região, porque é uma região abandonada pelos políticos da nossa cidade”, ressalta.
PREFEITURA
A Prefeitura informou, por meio de sua Assessoria de Imprensa, que só pode fazer algo a respeito do problema depois que os moradores protocolarem a reclamação no setor de protocolo do órgão, que fica na Rua Pernambuco, n° 60, Centro, ou no site www.divinopolis.mg.gov.br.

 

Crédito: Pollyanna Martins

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.