quinta-feira, 19 de Novembro de 2015 08:59h Atualizado em 19 de Novembro de 2015 às 09:11h. Jotha Lee

Mais de 600 pessoas esperam por uma cirurgia pelo SUS em Divinópolis

Falta de prestadores de serviços pelo SUS contribui para congestionamento do sistema

A questionada prestação de serviços no sistema de saúde de Divinópolis é motivada por diversos fatores, cuja responsabilidade deve ser dividida pelos governos municipal, estadual e federal. Um dos fatores que mais pesa para a deficiência visível no atendimento aos pacientes que dependem do SUS, é a sobrecarga do sistema, que tem origem no crescente volume de pacientes sem que haja resposta adequada na contratação dos serviços e, na maioria dos casos, pela falta do prestador de procedimentos especializados, especialmente quando se trata de cirurgias. 
A pedido do Gazeta do Oeste, a Diretora de Regulação da Secretaria Municipal de Saúde, Maria Inês Ribeiro Leão, fez um levantamento que constata que a sobrecarga é inevitável e que o sistema dá a resposta dentro do seu limite. De acordo com a estatística, de janeiro de 2010 a julho de 2015, foram atendidos na região, através da regulação feita por Divinópolis, 5.035 pacientes que dependiam de um procedimento cirúrgico eletivo (programado). Em contrapartida, nesse mesmo período, 614 pessoas continuam na fila aguardando por uma cirurgia.
Inês Leão atribui esse alto volume de pacientes à espera do procedimento exatamente pela falta do prestador de serviços credenciado pelo SUS. “Algumas [cirurgias] a gente tem o prestador do serviço e são feitas com maior rapidez, outras demoram muito e algumas nem prestador tem. A gente fica buscando prestadores”, explica. “Temos vários pacientes com cirurgias marcadas para Belo Horizonte e nós não temos acesso à regulação da capital. Eles é quem vão chamar os pacientes, porém de acordo com a oferta de serviços em disponibilidade”, acrescente.

 

 

OTORRINO
O maior volume de pacientes à espera de cirurgia depende dos serviços de um otorrino. São 189 pessoas, algumas aguardando há cinco anos. Inês Leão admite essa dificuldade e explica que a grande demanda se deve à indisponibilidade de otorrinos. “Otorrino é a maior demanda e a que leva mais tempo para ser realizada. A gente não tem prestadores para todo tipo de cirurgia. O tempo de espera é longo, porque não tem o prestador do serviço. Não tendo o prestador, simplesmente temos que falar com o usuário que não tem quem faça”, argumenta.
A diretora de Regulação em Saúde diz que a situação melhorou em relação aos últimos anos, depois de uma decisão do Estado que determinou aos 34 hospitais da macrorregião, que integra 54 municípios, a prestação de serviços pelo sistema. Segundo Inês Leão, pacientes de Divinópolis estão sendo encaminhados para cidades vizinhas para a realização de vários tipos de cirurgia. “Historicamente Divinópolis sempre fez tudo pelo menos para nossos usuários. Hoje a gente tem que referenciar [encaminhar para outras cidades]. Isso ocorre não somente porque a gente não tem o prestador, mas também porque não temos todas as especialidades”, esclarece.

 

Ela explica que em 2013 e 2014 o Estado realizou uma mediação sanitária na região, que consiste em um diagnóstico da assistência hospitalar regional. Inês Leão informa que o diagnóstico apontou que os hospitais das cidades integrantes da macrorregião deveriam participar com mais efetividade do atendimento regional. “Com a sobrecarga do nosso sistema e com a perda de prestadores de serviço a região teve que se organizar, porque ela praticamente não fez nada durante vários anos. Os municípios da região estão se organizando, cada um atendendo em uma especialidade de cirurgia. Cada município vai ter que realizar algum tipo de procedimento, porque a gente não consegue mais atender tudo no próprio município”, afirma.
Segundo Inês Leão, a participação de toda a região no processo, foi necessária diante das dificuldades enfrentadas por Divinópolis. “A gente está passando por uma crise com o único prestador que a gente tem, que é o Hospital São João de Deus, então o Estado entendeu que os demais hospitais da região têm que se organizar para oferecer algum serviço. Antes isso não acontecia. Nós éramos referência de atendimento, mas não tínhamos como utilizar serviços de outros municípios, a não ser Belo Horizonte que tem uma rede enorme de assistência pelo SUS. Isso é natural do sistema”, explica.
A judicialização da saúde, ferramenta utilizada por pacientes do SUS que recorrem à justiça para obter o serviço, ocorre exatamente porque a falta de prestadores de serviços credenciados gera os atrasos e aumenta as filas de espera. Segundo Inês leão, de janeiro a julho desse ano, o município gastou na compra de serviços somente em cirurgias R$ 35,2 mil somente para atender a mandados judiciais. 
Não há perspectiva de acabar com as filas de espera para uma cirurgia. Maria Inês Ribeiro Leão diz que enquanto não houver aumento da oferta de serviços, essa situação deve continuar. “Divinópolis não consegue suprir a demanda pelo volume e porque não tem a oferta de todos os serviços. Para alguns procedimentos a gente é ágil, para outros nem tanto e para outros não se consegue o prestador. Nós temos filas de procedimentos específicos e não temos os prestadores em lugar nenhum. O tempo de espera é habitual dentro da organização do sistema”, finaliza.

 

Créditos: Jotha Lee

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