quinta-feira, 28 de Maio de 2015 11:16h Atualizado em 28 de Maio de 2015 às 11:17h. Jotha Lee

Mais de 70% dos pacientes que precisam de internamento não conseguem leitos nos hospitais

Secretário de Saúde admite o caos na UPA e o estrangulamento do sistema

Pela primeira vez o secretário municipal de Saúde, David Maia, admitiu o caos na UPA 24h e o estrangulamento do sistema público de saúde em Divinópolis. Durante a audiência pública realizada na terça-feira na Câmara Municipal para discutir o assunto, ele destacou que o município hoje realiza muito mais do que é sua obrigação. “O papel primordial do município é atacar a atenção primária. É fazer o contato no bairro. É fazer o contato com o povo. E depois, acolher na especializada e depois encaminhar para as atenções superiores, que são papéis de alto financiamento e custeio, e de responsabilidade do Estado e da União, mas hoje, o município teve que assumir esse papel”, afirma.
O secretário admitiu o estrangulamento no atendimento da UPA 24h, que em função da falta de leitos hospitalares, se vê na obrigação de manter uma média de 40 pacientes internados por dia. Estatística da Secretaria Municipal de Saúde mostra que, em média, 359 pessoas são atendidas diariamente na unidade do bairro Ponte Funda e 125 mil pessoas foram assistidas nos últimos 13 meses.
O dado mais alarmante e que chama ainda mais a atenção para a precariedade do sistema de saúde na região, mostra que das 359 pessoas atendidas pela UPA ao dia, 24 precisam de encaminhamento para um leito hospitalar e apenas sete conseguem a vaga. Isso significa que, ao dia, 70,83% dos pacientes que precisam de internamento na região, não conseguem o leito hospitalar. Apenas 29,16% são encaminhados para as unidades hospitalares. Esse quadro caótico provoca a situação que se tornou comum na UPA, com pacientes sendo socorridos em macas nos corredores da unidade, que foi projetada para apenas 15 leitos. 
“Desse modo, nós temos uma conta. Faltam 17 pacientes para serem encaminhados. Onde eles são atendidos? Eles não são jogados em casa, porque a UPA é a única unidade de porta aberta. Pode chegar quem for que vai ser atendido. Mas as outras unidades são de porta regulada. Pode ir, se tiver autorização”, desabafa David Maia. “Muitas vezes os servidores da UPA são apontados como culpados por alguma situação. Na verdade eles são vítimas de um encaminhamento hospitalar que não acontece”, acrescenta.

 

ANGÚSTIA
O secretário de Saúde admite que a equipe médica que presta serviços na unidade vive em permanente angústia pela impotência diante da falta de leitos. “A UPA, que deveria fazer o primeiro atendimento e encaminhar o paciente para o leito hospitalar, é obrigada a ficar com o paciente internado, como se fosse um hospital. E aí gera a situação de angústia da equipe médica”, garante.
De acordo com portaria do Ministério da Saúde, uma unidade de pronto atendimento, do tamanho da UPA de Divinópolis, deve ter seis médicos durante o dia e três à noite. “Nós temos nove médicos 24 horas por dia e o corpo clínico já está pedindo mais, porque não dá conta de tratar todo mundo que está lá”, revela o secretário David Maia.
Ainda de acordo com o secretário, em média, 40 pacientes ficam diariamente na UPA a espera de leitos. “Esses pacientes precisam ser encaminhados para uma unidade hospitalar, seja ela qual for. A partir disso, sobe o custeio, pressiona a equipe de saúde, pressiona todo o sistema para baixo, porque as unidades de atenção básica precisam da UPA como referência”, assegura.
David Maia afirmou, ainda, que o Ministério da Saúde não participa dos debates. “Passamos quase 80% do nosso tempo discutindo hospital e a gente precisa de ajuda. O Ministério da Saúde não participa conosco do debate e ele é convidado todas as vezes. O governo do Estado passa por dificuldades tremendas. Esse ano, foram repassadas pelo Estado apenas duas parcelas de financiamento da UPA referentes aos meses de janeiro e fevereiro. Vamos entrar em junho e ainda não recebemos esses três meses de atraso. Chegamos num cenário de estrangulamento total”, finaliza.

 

Crédito: Arquivo/GO

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