quarta-feira, 6 de Maio de 2015 11:22h Atualizado em 6 de Maio de 2015 às 11:25h. Pollyanna Martins

Mais de 80 funcionários demitidos do HSJD estão sem receber direitos trabalhistas

Sindicato vai procurar o Ministério Público do Trabalho e a Justiça do Trabalho para solucionar a situação

A crise que afeta o Hospital São João de Deus (HSJD) parece estar longe de ter seu fim. Após os médicos abandonarem a clínica médica da instituição alegando falta de pagamento, o hospital não pagou os direitos trabalhistas de mais de 80 funcionários, que foram demitidos de janeiro até abril deste ano.
Segundo a diretora do Sindicato Profissional dos Enfermeiros e Empregados em Hospitais, Casas de Saúde, Duchistas e Massagistas de Divinópolis (Sindeess), Denísia Aparecida da Silva, os servidores dispensados procuram o sindicato para tentarem uma solução, uma vez que são orientados pelo próprio setor de Recursos Humanos do hospital a requererem seus direitos na Justiça. “Ainda tem mais gente para ser demitida. O que é pior é que continua o mesmo esquema. As pessoas que são demitidas não estão recebendo os seus pagamentos, e suas verbas rescisórias. Para poder receber, o advogado do sindicato está entrando com uma ação na justiça para os ex-funcionários poderem receber pelo menos o FGTS e o seguro-desemprego”, explica.
Ainda de acordo com a diretora do sindicato, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que é liberado pelo juiz do trabalho, continua em atraso. Denísia conta que muitos pais de família demitidos do hospital procuram o sindicato em situação de desespero, pois não têm como pagar as suas contas e comprar comida para casa. “Eu fico mais preocupada com as mães que são arrimos de família e não têm dinheiro. Ontem [segunda-feira] saiu uma mãe daqui chorando, porque não tinha dinheiro para comprar fralda e leite para a filha que é bebê”, relata.

 

FUNCIONÁRIOS DE CARREIRA
Conforme Denísia, de janeiro a abril deste ano foram demitidos mais de 80 funcionários. Após este período, o sindicato não realizou um novo balanço. Ainda de acordo com a diretora, dentre os servidores dispensados de suas funções, vários têm mais de sete anos que trabalham no hospital. “Isso não deveria estar acontecendo. Tem funcionária que trabalha no hospital há 26 anos e foi demitida semana passada. A maioria tem cerca de sete anos de casa pra mais”, informa.
Para ficar a par da situação, Denísia solicitará ao Ministério Público do Trabalho e à Justiça do Trabalho uma reunião em caráter urgente. A diretora irá protocolar o documento nos órgãos, uma vez que há rumores de um documento do Ministério Público do Trabalho proibindo o HSJD de contratar novos funcionários até que a situação com os servidores demitidos esteja resolvida. “Eu vou protocolar a solicitação da reunião nos dois órgãos. A gente tem que ter um respaldo. Porque os trabalhadores estão sem receber, passando necessidade, e a gente quer uma solução. Alguns funcionários que foram demitidos não receberam nem o salário do mês”, relata.

 

ACORDO
A diretora do sindicato revela que o hospital fez um acordo com o Ministério Público do Trabalho, porém não teve acesso a este acordo. Segundo Denísia, em uma audiência trabalhista de um dos funcionários demitidos, a advogada do hospital alegou ao juiz que não havia levado documentos, pois a instituição estava em acordo com o Ministério. “Eu não tive acesso a este documento, mas eu gostaria de ter. Já estamos olhando com o advogado como fazemos para ver este acordo, porque a gente tem que saber que tipo de acordo eles fizeram. Nem os funcionários não sabem que acordo é este”, esclarece.

 

POSICIONAMENTOS
A Procuradoria Regional do Trabalho informou, através de sua assessoria de imprensa, que o Ministério Público do Trabalho em Divinópolis não tem casos recentes dos trabalhadores do HSJD em apuração, e alegou desconhecer qualquer determinação ou orientação para o hospital não contratar novos funcionários. A assessoria disse ainda que os processos em andamento são referentes às demissões que tiveram no hospital no início do ano passado, e sobre terceirizações ilícitas de médicos na instituição.
A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que os promotores públicos, Sérgio Gildin e Ubiratran Domingues, irão se reunir hoje com o secretário estadual de Saúde, Fausto Pereira, para encontrarem um novo modelo de gestão para o hospital, apesar de o encontro não estar confirmado na agenda do secretário.
Nossa reportagem tentou falar com a assessoria do HSJD, porém não conseguiu entrar em contato.

Crédito: Pollyanna Martins

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