sábado, 21 de Novembro de 2015 02:22h Atualizado em 21 de Novembro de 2015 às 02:24h. Mariana Gonçalves

Mais de dois mil estudantes saem às ruas para cobrar igualdade racial

O Dia da Consciência Negra aqueceu as discussões referentes à igualdade social em várias regiões do país

Em Divinópolis, com o apoio da Secretaria Estadual de Ensino, a Superintendência Regional de Ensino e o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (SindUTE-MG), mais de dois mil estudantes caminharam pelas principais vias do centro, na 1ª Caminhada da Promoção da Igualdade Racial, partindo da Praça da Catedral com destino à Praça do Santuário, onde lá foram realizadas uma exposição de trabalho dos estudantes e ainda apresentações musicais.
Para a coordenadora do Sind-UTE, Maria Catarina Vale, o momento é de grande emoção, mesmo que em passos lentos, as discussões a respeito da situação do negro na sociedade têm chegado às grandes esferas de poder no país. “É uma satisfação estar fazendo o que faço hoje. A Secretaria de Estado da Educação, tendo à sua frente uma secretária negra, determinou que todas as regionais fossem para as ruas nesse dia 20, com isso, temos aqui estudantes, sindicatos representados por seus ativistas, movimentos, essa é uma caminhada que busca, principalmente, a sensibilização. Queremos que aquele aluno seja ele, negro ou não, volte para a sala de aula e dê continuidade a essa luta abolicionista, ao fim do racismo. Estou muito feliz com a bandeira a qual estamos levando há tanto tempo”, destaca Maria Catarina.
Quem também conversou com a nossa reportagem foi a pedagoga, Carolina Damasceno, para falar do negro, não deveria ser algo tão “escondido” na sociedade, além disso, ela diz que, para uma mudança é necessário que as pessoas estejam mais abertas a também fazer uma mudança de valores, que envolve também uma revisão da cultura brasileira. “Se tem um negro e um branco e algo acontece no lugar, logo desconfiam de quem? Do Negro! E isso está totalmente errado, as pessoas precisam, urgentemente, entender que cor não faz caráter, os nossos políticos devem aceitar e fazer valer, de fato, o ensino de disciplinas afro na escola, isso é um direito do ser humano, o conhecimento da nossa história, que tem ligação direta com os negros, não deve ficar escondido, omitido. É uma vergonha que, em pleno século XXI, a gente ainda tenha que conviver com questões banais, como é o preconceito”, completa.

 

 

ZUMBI DOS PALMARES

O dia 20 de novembro faz menção à consciência negra, a fim de ressaltar as dificuldades que os negros passam há séculos. A escolha da data foi em homenagem a Zumbi, o último líder do Quilombo dos Palmares, em consequência de sua morte. Zumbi foi morto por ser traído por Antônio Soares, um de seus capitães.
A localização do quilombo ficava onde é hoje o estado de Alagoas, na Serra da Barriga.
O Quilombo dos Palmares foi levantado para abrigar escravos fugitivos, pois muitos não suportavam viver tendo que aguentar maus tratos e castigos de seus feitores, como permanecerem amarrados aos troncos, sob sol ou chuva, sem água e sofrendo com açoites e chicotadas. O local abrigou uma população de mais de vinte mil habitantes.
Ao longo da história, os negros não foram tratados com respeito, passando por grandes sofrimentos. Pelo contrário, foram escravizados para prestar serviços pesados aos homens brancos, tendo que viver em condições desumanas, amontoados dentro de senzalas.
Muitas vezes, suas mulheres e filhas serviam de escravas sexuais para os patrões e seus filhos, feitores e capitães do mato, que depois as abandonavam.
As casas dos escravos eram de chão batido, não tinham móveis nem utensílios para cozinhar. As esposas dos barões é quem lhes concedia alguns objetos, para diminuir as dificuldades de suas vidas. Nem mesmo estando doentes eram tratados de forma diferente, com respeito e dignidade. Ficavam sem remédios e sem atendimento médico, motivo pelo qual inventaram medicamentos com ervas naturais, ações aprendidas com os índios durante o período de colonização.
Algumas leis foram criadas para defender os direitos dos negros, pois muitas pessoas não concordavam com a escravização. A Lei do Ventre Livre foi a primeira delas, criada em 1871, concedendo liberdade aos filhos dos escravos nascidos após a lei. No ano de 1885, criaram a Lei dos Sexagenários, dando liberdade aos escravos com mais de sessenta anos de idade.
Porém, com a Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888, foi que os escravos conquistaram sua liberdade.

 

 

MARCHA DA PERIFERIA

Também na data de ontem, foi realizado pelos membros do Sindicato dos Trabalhadores da Educação Municipal do Município de Divinópolis (SINTEMMD), juntamente com lideres comunitários de mais de dez bairros do município, pais e alunos de algumas escolas da cidade, a Marcha da Periferia, cujo propósito, além de ressaltar a questão do negro na sociedade, é também chamar a atenção dos representantes locais da política para os problemas de infraestrutura enfrentados por grande parte da população nas regiões em que residem.
A diretora do SINTEMMD, Maria Aparecida de Oliveira, mais conhecida por Cida, conta que, ontem pela manhã, foram registrados os protocolos para os deputados Domingos Sávio, Jaime Martins e Tolentino. A Copasa e a Prefeitura de Divinópolis também receberam os documentos, que, segundo a sindicalista, cobram uma posição imediata para problemas que há tempos perduram em Divinópolis. “Para os deputados e vereadores, estamos solicitando uma CPI em relação às várias obras que temos paradas, com problemas na cidade, o tratamento de esgoto e a saúde pública, principalmente, ligada à UPA 24 horas e ao São João de Deus. Já na Copasa, o pedido é de ressarcimento para quem já pagou a taxa de esgoto desde 2013, ou o tratamento de esgoto imediato. Em relação à população, queremos que essa marcha não fique só aqui, que a população continue reunindo, formando suas frentes de luta, para que elas surtam efeitos, para que a periferia seja uma coisa diferente a partir daqui”, afirma
A necessidade de maior urgência no Bairro Jardim Copacabana, para a presidente da associação de moradores da região, Márcia Alves Cardoso, é referente ao tratamento de esgoto, pois, hoje, o esgoto é despejado nas ruas. “Precisamos da rede de esgoto, posto de saúde, um CMEI, Escola e área de lazer, essas são todas as necessidades do bairro, porém, a de maior urgência é o esgoto, porque temos um caminhão que vai fazer a limpeza das fossas, mas isso não é o que queremos. Temos direito a rede de esgoto, pagamos nossos impostos em dia”, encerra Márcia.

 

 

Créditos: Mariana Gonçalves

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