sexta-feira, 14 de Outubro de 2016 10:28h Atualizado em 14 de Outubro de 2016 às 10:32h. Pollyanna Martins

Mamocentro disponibilizará 30 mamografias gratuitas para mulheres carentes neste mês

A ginecologista Heloísa Cerri explica a importância do exame para detecção precoce do câncer de mama

O Mamocentro disponibilizará 30 mamografias gratuitas para mulheres carentes neste mês, em prol da campanha Outubro Rosa. As interessadas devem ir às terças-feiras de manhã ao Mamocentro, ou ao edifício Millenium, na Rua Santo Antônio, n° 420, sala 204, para pegar o encaminhamento com a ginecologista Heloísa Cerri. De acordo com a médica, somente a mamografia é capaz de diagnosticar o câncer de mama em fase inicial. Dra. Heloísa explica que o câncer em fase inicial se chama microcalcificações agrupadas. A médica desmistifica a crença de que o autoexame detecta tumores em fase inicial. Segundo Dra. Heloísa, o autoexame detecta o câncer já formado na mama da mulher. “O diagnóstico precoce do câncer de mama só é feito pela mamografia, não tem outro método. A paciente tem lesões na mama, que são início de um câncer, que não são palpáveis, e não se veem nem pelo ultrassom”, explica.
Conforme a médica, apenas quando o câncer é descoberto na fase de microcalcificações que pode-se afirmar que o diagnóstico é inicial. Dra. Heloísa esclarece ainda que nem toda microcalcificação é um câncer de mama. De acordo com a médica, após a descoberta da microcalcificação, a área da mama é retirada com uma marcação e enviada para análise no laboratório. “Às vezes é uma alteração funcional benigna da mama”, informa. Segundo Dra. Heloísa, quando descoberto em fase inicial, o câncer tem 100% de chances de cura. A médica descreve que, quando as microcalcificações são descobertas, elas são chamadas de câncer de mama incito, ou seja, um câncer sem metástase. “Uma das características do câncer é a metástase e ele pode espalhar para qualquer parte do corpo, aí já é quase impossível controlar esse câncer. Mas quando o câncer é descoberto em fase inicial, dá para controlar”, detalha.
Dra. Heloísa explica ainda que quanto maior o tumor, pior o diagnóstico. Segundo a mastologista, o autoexame auxilia para a detecção de tumores já formados, porém, não em fase inicial. De acordo com a médica, 90% dos cânceres de mama começam na fase de carcinoma ductal, incito ou invasor. “Quando a gente encontra o câncer na fase incito, que é na fase de microcalcificações, e é o que a gente espera em todas as mulheres, o câncer está na fase inicial e o tratamento feito tem 100% de chances de cura”, ressalta. A mastologista critica o incentivo ao autoexame, pois, para Dra. Heloísa, esta é uma forma de o governo economizar dinheiro. “Você não faz um diagnóstico precoce se você já tem um tumor palpável. Mas, lógico, é preferível que você palpe um tumor de dois centímetros do que um de cinco centímetros. O prognóstico da mulher piora dependendo do tamanho do tumor”, esclarece.

 

IDADE
A indicação do Ministério da Saúde é que as mulheres façam a mamografia a partir dos 49 anos. De acordo com Dra. Heloísa, o ideal é que as mulheres de famílias que não têm risco comecem a fazer mamografia aos 35 anos, já as mulheres de famílias de risco, devem começar a realizar o exame depois dos 25 anos. A médica enumera ainda quais são os fatores de risco para as mulheres desenvolverem um câncer de mama. “Família de risco é quando existe muito câncer de mama na família, câncer de ovário, câncer de mama bilateral abaixo dos 40 anos, câncer de mama masculino, câncer de intestino e de próstata, em parentes de primeiro grau”.
O aumento no número de casos de câncer de mama também é preocupante. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), no ano passado, eram esperados 56 mil novos casos e, neste ano, são esperados 57 mil novos casos. Segundo Dra. Heloísa, houve um aumento no número de casos em mulheres abaixo de 40 anos e ainda não se sabe qual a causa do câncer de mama. “A gente considera toda mulher acima de 35 anos como de risco. Daí a importância da vigilância, da mamografia anual”, frisa. Apesar de ainda não existir uma causa específica para o surgimento do câncer de mama, a medica acredita que fatores ambientais e estilo de vida estão ligados ao câncer. “Eu acredito que fatores ambientais são algumas das razões mais importantes para a causa do câncer de mama”, avalia.

 

SINAIS
A médica explica que qualquer nódulo que aparecer na mama deve ser investigado; além de secreções marrons, vermelhas e transparentes. Segundo Dra. Heloísa, secreções esverdeadas são comuns, pois são de dilatação dos canais da mama. “Secreção marrom pode ser sangue, vermelha, que é tipicamente sangue, ou transparente, como água, que a gente chama de água de rocha, essas são as secreções que as mulheres devem tomar cuidado”, explica. De acordo com a mastologista, mamilos que coçam ou dão casca também devem ser investigados. Conforme a médica, muitas vezes as pacientes passam pomadas de corticoide, achando que é eczema, mas pode ser um câncer. “Às vezes, embaixo desta área que está descascando pode ter um carcinoma de paget, e este carcinoma é sério, porque ele fica sem ser diagnosticado durante um ano inteiro”, informa.
Outros sinais do câncer de mama são a retração do mamilo e a pele de laranja. Segundo a médica, o aparecimento do câncer muitas vezes pode causar a mudança na forma da mama e a retração do mamilo. “Um teste que a mulher pode fazer é apertar a mão na cintura, fazendo força e ela vai ver um ponto que fica fundo. A forma da mama muda um pouco”, descreve. Segundo a mastologista, as mulheres precisam saber ainda que todos os cânceres são malignos. Dra. Heloísa explica que câncer é maligno e a diferença é que alguns são insidiosos e outros rápidos, que causam metástase precoce. “Câncer é sempre maligno, o comportamento deles que é diferente. Uns têm comportamento mais agressivo e outros são menos agressivos”, esclarece.

 

POLÍTICAS PÚBLICAS
Segundo a médica, faltam políticas públicas para que as mulheres tenham acesso à mamografia, principalmente a partir dos 35 anos. De acordo com a mastologista, muitas pacientes desistem de fazer o exame, pelo tempo de espera. Dra. Heloísa critica ainda o estímulo do governo para que as mulheres façam o autoexame. Conforme a médica, este é apenas um método que o governo tem para economizar dinheiro e não fazer mamografias pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Todas as mulheres têm que ter acesso à mamografia, considerando que a principal causa de morte na população feminina é o câncer de mama”, reforça.

 

REPOSIÇÃO HORMONAL
De acordo com Dra. Heloísa, há um mito de que a reposição hormonal causa o câncer de mama. Segundo a mastologista, as fases do câncer de mama são: iniciação, promoção e progressão, que é quando ele se espalha. A médica afirma que a iniciação do câncer não é causada pela reposição hormonal. Dra. Heloísa explica ainda que apenas a reposição hormonal com estrogênio e progesterona aumenta o risco de câncer de mama. “A reposição hormonal não é o iniciador do câncer de mama. Se a mulher tiver que ter o câncer de mama, ela terá com hormônio ou sem hormônio. A reposição hormonal é um promotor, se a mulher está com câncer, a reposição vai acelerar o processo”, informa.

 

QUALIDADE DO EXAME
A radiologista Thaís Abreu de Castro explica que a qualidade da mamografia interfere diretamente no diagnóstico da paciente. Segundo Thaís, já existe um programa nacional de qualidade em mamografia, só que ainda não foi implementado. A radiologista ressalta que um exame que não é bem feito não dá à mulher a tranquilidade de que naquela mamografia não tem nada. “É importante que o equipamento e o método tenham resolução para conseguir detectar coisas muito pequenas. Tem também que existir algo que nós chamamos de contraste, ou seja, uma diferença entre o câncer e o tecido que está em volta dele, que permita a gente diferenciar o que é um e o que é outro”, detalha.
Thaís frisa ainda que, com a falta de políticas públicas, é essencial que a mulher faça uma “vaquinha” anual para se dar de presente uma mamografia. A radiologista acrescenta que este é o melhor presente que a mulher pode se dar. “A mamografia ainda é o método de escolha para a detecção precoce de um câncer de mama. A mulher fazendo a mamografia está investindo na sua saúde, no seu bem estar, na sua qualidade de vida”,
finaliza

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