quarta-feira, 22 de Junho de 2016 13:45h Carina Lelles

Manifestação contra a violência é organizada em Divinópolis

Após a morte de uma comerciante, no último domingo, e de uma dona de casa, morta em um sinal de trânsito, no final de maio, o empresário Geraldo Barros e o Clube dos Amigos organizam uma manifestação contra a violência

POR CARINA LELLES

carina.lelles@gazetaoeste.com.br

 

Pelas redes sociais, o convite para a manifestação, que será realizada às 15h do dia 10 de julho, na Praça do Santuário, já ganhou diversos compartilhamentos. O texto convida a população para uma manifestação pacífica para exigir das autoridades o fim da violência. “Estamos vivendo uma situação insuportável. Viramos reféns dos bandidos. Ninguém está em segurança nem em sua própria casa. Vários estabelecimentos comerciais colocaram grades de proteção nas portas. Viramos prisioneiros, enquanto os bandidos estão soltos e fortemente armados. Onde estão os homens que fazem as leis? Onde está a justiça?”, questiona. “Chame seus amigos, vizinhos, colegas de trabalho. Que as escolas acionem seus professores e alunos. Vamos sair do comodismo. Um dia você pode ser a vítima”, conclui o texto.

Segundo Geraldo Barros, a iniciativa partiu após os últimos acontecimentos violentos em Divinópolis. “A situação que estamos passando extrapolou os limites. Ninguém tem segurança mais. Quando saímos de casa, não sabemos se vamos voltar. Os comerciantes estão instalando grades de proteção. Inverteram as coisas, o bandido está na rua solto, fortemente armado, e as pessoas de bem presas dentro de casa”, avalia.

 

 

 

Geraldo ainda ressalta que as pessoas estão perdendo as forças em exigir das autoridades uma medida mais drástica contra a violência. “A Polícia está fazendo o que pode, mas estão de pés e mãos atadas. Nossa manifestação tem que ter um eco em Brasília, porque não adianta nós ficarmos gritando aqui em baixo se os nossos legisladores não nos ouvir, são eles que mudam o nosso Código Penal, que é velho. A Justiça é lenta, morosa e ineficiente e quem paga esta conta somos nós. Temos que aproveitar esta comoção dos últimos acontecimentos para levar a população a cobrar uma solução”.

A concentração será na Praça do Santuário, às 15h, e depois haverá uma caminhada até a Praça da Catedral. O organizador pede à população que vá de camisa branca com uma tarja preta, simbolizando a paz e o luto.

 

 

 

 

Casos

Em Divinópolis, pelo menos cinco casos causaram comoção popular em 2016. Quatro resultaram em morte de trabalhadores, como foi o caso de Nivaldo Lopes Frazão, que era o presidente da Associação da Agricultura Familiar de Divinópolis (APRAFAD). Nivaldo foi morto em um assalto ocorrido na casa dele, na comunidade do Choro, zona rural de Divinópolis, em janeiro deste ano. Nenhum suspeito foi preso.

Em abril, Felipe Vilela Cordeiro Elias foi morto por engano no bairro Interlagos. A confusão começou em um bar por causa de futebol. Dois irmãos saíram do local e voltaram atirando contra os clientes. Os suspeitos acharam que Felipe estava seguindo eles e atiraram. O jovem morreu na hora. Os irmãos estão presos.

 

 

 

Em maio, Daniela Mesquita Chaves foi morta com um tiro no peito. Ela estava dentro de um carro, parada em um sinal de trânsito próximo à ponte do Niterói, com o marido e o filho, quando um criminoso atirou. Até hoje não há suspeito de ter cometido o crime.

No mesmo mês, uma criança, de dois anos, foi baleada enquanto dormia com a mãe no bairro Nações. Um bandido entrou na casa atirando contra o tio da criança, que se escondeu no quarto. A criança foi atingida e ficou dias internada, podendo ainda ficar com sequelas. O suspeito do crime está preso.

 

 

 

Em maio, ainda há outro caso em investigação, onde um jovem, de 20 anos, pode ter sido morto por engano. Caio César de Souza Araújo foi baleado dentro de casa, no bairro Sagrada Família. Os criminosos ainda acertaram tiros na mãe e no padrasto da vítima.

O último fato foi o de Vera Lúcia dos Santos Pugas, que foi baleada por um criminoso em uma tentativa de assalto na lanchonete que ela era dona. Um suspeito já foi preso de participação no crime já foi preso.

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