quinta-feira, 17 de Março de 2016 10:10h Atualizado em 17 de Março de 2016 às 10:13h. Pollyanna Martins

Medicamentos continuam em falta na Farmácia Central

Usuários precisam recorrer ao programa Farmácia Popular para não ficar sem os medicamentos

Medicamentos continuam em falta no estoque de remédios da Farmácia Municipal Central, de Divinópolis. O Gazeta do Oeste acompanha a situação dos usuários que vão até o local para buscar a medicação, mas voltam para a casa com as mãos, muitas vezes, vazias, como no caso da idosa, Geralda Alcizía de Araújo, que pega remédios na farmacinha há 16 anos, e já voltou para a casa “com as mãos abanando”. A idosa toma Clorana, Sinvastatina, Captopril, Caverdilol, Marevan e Omeprazol. “Sempre faltam remédios aqui, de todos que eu tomo hoje, eu consegui pegar o Clorana, Captropil, Sinvastatina e Omeprazol, faltaram os dois que são os mais importantes”, enumera.

 

 

 


A idosa conta que, em fevereiro, a situação foi a mesma, ela saiu de casa para buscar os remédios, mas voltou sem boa parte deles. Preocupada com a saúde, a idosa aperta o orçamento de casa para não ficar sem o medicamento. “Eu tenho que comprar, porque eu tomo dois Caverdilol por dia, e um Marevan por dia. Eu não posso ficar de jeito nenhum sem os remédios. Nesses anos todos que eu pego remédio aqui, muitas vezes eu voltei para casa com as mãos vazias, sem nenhum remédio”, conta. A idosa afirma que não tem condições de comprar os remédios, pois não tem pensão, nem salário. Para poder pagar os remédios que faltam na farmacinha, ela e os familiares fazem uma “vaquinha”. “Cada vez que eu vou comprar o Caverdilol fica em R$ 50 as duas caixas que eu gasto por mês. A minha família que me ajuda a comprar, mas se depender só de mim, eu não tenho dinheiro para poder comprar. Faz muita falta quando eu venho buscar remédio aqui e não tem”, ressalta.

 

 


Quem enfrenta a mesma situação que Geralda, é a salgadeira, Maria Oseni Lopes Ramos. Nossa reportagem abordou a salgadeira na saída da Farmácia Municipal Central, e ela também conseguiu apenas parte dos remédios que toma para hipertensão. “Eu tomo o Losartana, o Propranolol, o Hidroclorotiazida, o Sinvastatina, o Clonazepam, e o Sertralina. Hoje eu consegui pegar só o Losartana, o Hidroclorotiazida e o Propranolol, e eles não me falaram quando vai ter. Essa situação [de falta de remédio] é constante, todo mês eu venho aqui e nunca consigo pegar todos os remédios”, conta.

 

 

 

Além de buscar remédios para ela, Maria Oseni busca ainda remédios para a filha, Patrícia Lopes Ramos, que tem epilepsia. A jovem precisa tomar todos os dias Tegretol e Gadernal, mas está há dois meses sem os medicamentos, que são fornecidos pela Farmácia Municipal, e o resultado da falta dos remédios foi uma crise de epilepsia que aconteceu nessa segunda-feira (14). Ainda com a boca machucada e o braço roxo, devido à crise, Patrícia voltou para a casa sem a medicação. “Ela foi levada pra UPA, e o médico de lá receitou os remédios que ela já toma, como aqui não tinha, uma amiga minha me deu alguns remédios, porque a mãe dela toma os mesmos remédios com a mesma dosagem”, relata.

 

 


COMER X REMÉDIOS
Assim como Geralda, a salgadeira saiu da Farmácia Municipal em busca dos remédios que estão em falta. Maria Oseni conta que se cadastrou no programa Farmácia Popular para poder comprar os remédios e, assim, não ficar sem a medicação, que deve ser tomada diariamente. “Dá medo de ela ficar sem o remédio, de eu ficar sem o meu remédio. Tenho medo também por causa da minha situação financeira, eu não estou trabalhando, e eu já estou chegando a um ponto que ou eu dou a alimentação certa para ela, ou eu compro remédio. Ou come, ou toma remédio, para quem tem um salário, não tem como fazer os dois”, frisa.

 

 


PREFEITURA
Em nota, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Divinópolis informou apenas que “O Captopril não está em falta, temos a apresentação 25 e 50mg. Sinvastatina foi adquirida na BH Farma, estamos aguardando a entrega (ainda está dentro do prazo). Com o orçamento aberto em janeiro, os produtos estão, gradativamente, sendo adquiridos, visando à normalização do estoque”.

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