terça-feira, 5 de Janeiro de 2016 09:15h Atualizado em 5 de Janeiro de 2016 às 09:16h. Jotha Lee

Médico diz que Hospital São João de Deus fecha se não houver solução imediata para estancar a crise

Reunião de emergência entre políticos, autoridade e promotoria buscará soluções

Há 20 dias, um dos naus antigos médicos que prestam serviços ao Hospital São João de Deus (HSJD), fez uma previsão catastrófica: se não houver estancamento imediato da crise, a instituição não suportará os próximos três meses e terá que fechar suas portas. Tão logo retornou de férias no início do mês passado, o médico, cuja identidade será preservada, não se conteve e enviou uma mensagem ao deputado estadual Fabiano Tolentino (PPS), um verdadeiro pedido de socorro para evitar a falência definitiva do maior hospital filantrópico da região.
Na mensagem encaminhada ao deputado, o médico revela que uma grande quantidade de medicamentos está em falta, diversos setores estão parados (cardiologia, urologia, hemodiálise) e outros correm o risco de parar definitivamente já nos próximos dias. Disse que já não há mais diálogo com a direção da empresa interventora que administra o hospital desde 2012 por determinação do Ministério Público e informou que os atrasos salariais agravam ainda mais a relação de médicos e administração. A reportagem do Jornal Gazeta do Oeste apurou que a clínica de fisioterapia é a próxima que deve suspender o atendimento.
O aprofundamento da crise não levou a nenhuma reação da Dictum, empresa interventora que administra a instituição. A reportagem solicitou um posicionamento sobre as denúncias, porém não obteve resposta. Uma fonte informou que a insatisfação é geral dentro do Hospital e que os funcionários estão revoltados com a forma de condução da unidade. Disse ainda que até o básico está faltando e há dias que não há lençóis limpos para a troca das camas.
 

 

EMERGÊNCIA
A crise do hospital São João de Deus se arrasta desde 2012, quando foi afastado o então superintendente da Fundação Geraldo Correa, Ronan Pereira Lima, que deixou a instituição com um rombo de R$ 85 milhões. Por determinação do Ministério Púbico, a empresa Dictum foi nomeada interventora e desde 2012 é responsável pela gestão do HSJD. Três anos depois de assumir a função, a empresa não conseguiu estancar a crise, que só aumentou, inclusive com o crescimento da dívida, que já chega a R$ 130 milhões.
A possibilidade eminente de fechamento do HSJD levou o promotor Sérgio Gildin, curador das Fundações no Ministério Público do Estado de Minas Gerais, a convocar uma reunião de emergência para o próximo dia 22. Foram convocados os três deputados representantes de Divinópolis, além de autoridades municipais e estaduais e a direção do Hospital. De acordo com o deputado Fabiano Tolentino, a reunião terá como objetivo encontrar uma solução imediata para estancar a crise. “O promotor vai nos passar o raio-X real do São João de Deus e de como poderemos buscar junto aos governos municipal, estadual e federal formas para ajustar essa situação. Nessa reunião teremos também maior clareza dos fatos para sabermos o que de fato está ocorrendo dentro do hospital”, esclareceu.
Para Fabiano Tolentino, é preciso encontrar imediatamente uma forma para garantir pelo menos que o hospital continue funcionando. “Nós precisamos reequilibrar as contas do Hospital São João de Deus. É preciso encontrar formas de garantir, pelo menos, o seu funcionamento”, assegurou.
Para o deputado federal Domingos Sávio, grande parte da responsabilidade pela crise do HSJD é do governo do Estado. Ele não poupa críticas ao governador Fernando Pimentel. “Durante a campanha, o Pimentel esteve em Divinópolis e prometeu solucionar a crise do São João. Agora, com quase uma ano de mandato, ele retorna e promete liberar R$ 17 milhões. Não mandou nenhum centavo, enquanto o Hospital São João de Deus em gravíssima dificuldade, correndo o risco de parar a qualquer momento e o senhor Pimentel brincando com o povo de Divinópolis prometendo que vai ajudar na solução da crise e mentindo dizendo que está mandando dinheiro e não mandou”, disparou.
Para o deputado federal Jaime Martins (PSD), o HSJD entrou em definitivo para o CTI e cobra mais transparência na gestão. “São necessárias ações urgentes que possam salvá-lo. A gestão do hospital não tem conseguido se articular de forma adequada para fazer esse enfrentamento. Existe um desentendimento interno e o próprio corpo clínico tem dificuldades de confiar na gestão”, analisou. “Temos que buscar apoio do Estado e da União para o hospital cobrir o déficit que tem mensalmente”, finalizou.

 

Créditos: Jotha Lee

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