quarta-feira, 2 de Março de 2016 09:48h Jotha Lee

Médicos suspendem internações no CTI do São João de Deus

Informações desencontradas deixam dúvidas sobre a nova crise

A crise sem fim que derrubou o Hospital São João de Deus (HSJD) teve um novo capítulo essa semana, após a decisão dos 35 médicos que atendem no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) da instituição. Insatisfeita com a falta de pagamento dos salários, atrasados há quase um ano, a categoria decidiu iniciar um manifesto que pode afetar toda a região. Desde ontem estão suspensas novas internações no CTI da unidade e somente os pacientes que já se encontravam internados continuarão recebendo atendimento médico.

 


A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do HSJD, que alegou, porém, não ter maiores dados sobre o movimento dos médicos. O presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, Edimilson Andrade (PT), em pronunciamento na sessão de ontem, disse que o manifesto é em protesto pela falta de salários e para a contratação de novos servidores para o CTI, já que os atuais são considerados insuficientes para atender à demanda.

 


Ontem, o médico Marco Antônio Leão, diretor do CTI, não deu informações sobre a decisão dos médicos de suspender as novas internações. Através de sua secretária, ele disse que já havia concedido entrevista à assessoria do hospital, que deveria repassar as informações para a imprensa. Entretanto, a assessoria do HSJD negou que o médico tenha prestado qualquer informação.

 


ESTADO
De acordo com o vereador Edimilson Andrade, a falta de pagamento aos 35 médicos do CTI do HSJD foi motivada pelo atraso na chegada de R$ 1,5 milhão, liberados pelo Estado para quitação salarial do corpo clínico em meados de fevereiro. No dia 18 do mês passado, o secretário de Estado da Saúde, Fausto Pereira, publicou resolução, através da qual liberou os recursos que seriam destinados ao pagamento dos salários atrasados dos médicos HSJD. Essa é a primeira parcela da verba de R$ 4,5 milhões que serão repassados pelo governo estadual, para que o hospital quite a dívida trabalhista com o corpo clínico.

 


Em janeiro desse ano, diante do iminente fechamento do hospital, ocorreu uma reunião de emergência em Belo Horizonte, na qual o Estado e o município se comprometeram a conceder um reforço de caixa ao hospital para garantir seu funcionamento. O problema imediato a ser resolvido é o pagamento dos médicos e o Estado se comprometeu a repassar R$ 4,5 milhões em quatro parcelas. A dívida do HSJD em salários atrasados somente com os médicos chega a R$ 9 milhões. Esse dinheiro repassado pelo Estado vai garantir o pagamento dos salários do mês, enquanto outros recursos garantirão a amortização parcelada do débito salarial em atraso.
Na resolução publicada pelo secretário de Estado da Saúde, a primeira parcela de R$ 1,5 milhão já deveria ter sido liberada. O presidente da Comissão de Saúde da Câmara garantiu que o dinheiro será liberado no máximo até amanhã e a situação será resolvida. O HSJD não se pronunciou oficialmente sobre a decisão dos médicos em suspender os serviços do CTI.

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