sábado, 14 de Fevereiro de 2015 04:29h Atualizado em 14 de Fevereiro de 2015 às 04:35h. Jotha Lee

Metalurgia na região continua em crise

Setor demite e opera com apenas 27% de sua capacidade produtiva

A crise que afeta a indústria em todo o país afetou violentamente o parque industrial da região Centro-Oeste de Minas Gerais, cuja referência é a metalurgia. No ano passado, o setor fechou com uma das maiores altas no índice de desemprego, em razão da redução nas vendas especialmente para o mercado externo.
Para Afonso Gonzaga, presidente da Regional Centro-Oeste da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), ainda é difícil prever a reversão desse quadro. “A queda nas exportações, aliada à baixa competitividade do produto nacional frente aos importados, são fatores decisivos por essa instabilidade”, opina.
De acordo com Afonso Gonzaga, a indústria na região passa por uma de suas maiores crises, sem que haja boas perspectivas. Ele alerta que o setor metalúrgico é o mais afetado, principalmente pela queda nas exportações. De acordo com Afonso Gonzaga, dos 19 fornos existentes na região, apenas quatro estão em funcionamento. “A indústria metalúrgica da região está operando com apenas 27% de sua capacidade produtiva desde o ano passado”, informou.
Em Divinópolis, o início do ano foi trágico para o setor metalúrgico. A Siderúrgica União, uma das mais fortes produtoras de ferro e aço da cidade, encerrou atividades há 15 dias, demitindo 150 trabalhadores. No ano passado a Ciafal, uma das gigantes do mercado mineiro, entrou em processo de recuperação judicial atolada em uma dívida de R$ 300 milhões, feita em investimentos cujos contratos com os bancos credores não foram cumpridos. A Ferdil também encerrou atividades em 2014, com cem trabalhadores demitidos.

 

EMPREGO
Como resultado na crise do setor industrial na região, veio o desemprego, que afetou todos os setores deste segmento da economia. De acordo com dados já fechados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em dezembro do ano passado, o fechamento de vagas com carteira assinada no setor industrial de Divinópolis subiu 33,86%, com 535 demissões. Somente no setor metalúrgico foram 32 demissões.
Em todo o ano de 2014, a indústria divinopolitana também fechou no vermelho. O desemprego no período cresceu 21,78%, com um saldo de 609 demissões. O setor metalúrgico foi o que mais demitiu em 2014, com saldo de 454 trabalhadores dispensados.
Na microrregião de Divinópolis, formada pelos municípios de Carmo do Cajuru, Claudio, Conceição do Pará, Igaratinga, Itaúna, Nova Serrana, Perdigão, Santo Antônio do Monte, São Gonçalo do Pará e São Sebastião do Oeste, onde o setor metalúrgico se destaca no segmento da indústria de transformação, o saldo de demissões no ano passado foi de 951 empregos fechados.
Para Afonso Gonzaga, a crise na metalurgia está totalmente atrelada à queda nas exportações. “O setor de ferro gusa continua em dificuldades porque o mercado internacional não reagiu”, garantiu. Segundo ele, nos últimos anos as exportações do setor metalúrgico na região Centro-Oeste sofreram redução de quase 150%.
Gonzaga informa que em 2002 a região exportou 180 milhões de dólares. Já em 2008, as exportações regionais atingiram a marca de 1,4 bilhão de dólares. Entretanto, a partir daí iniciou uma curva descendente e, no ano passado, o volume exportado ficou em 600 milhões de dólares.

 

Crédito: Jotha Lee

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