sábado, 23 de Agosto de 2014 05:57h Atualizado em 23 de Agosto de 2014 às 05:58h. Jotha Lee

Milhares de peixes agonizam no Rio Itapecerica

Promotor do Meio Ambiente chama Polícia Militar para registrar ocorrência

A situação do Rio Itapecerica, que agoniza sob aguapés e muita poluição, foi exposta mais uma vez ontem de forma brutal e chocante. Registros feitos em redes sociais do enorme volume de peixes que estão em agonia causaram comoção e manifestações indignadas.
A reação de quem presenciou as cenas no local também não foi diferente. No início da tarde, várias pessoas se aglomeravam na ponte de ferro que liga os bairros Porto Velho e Esplanada, onde a agonia dos peixes é vista com mais facilidade. O estudante, João Marcos Alves dos Anjos, 17 anos, residente no bairro Porto Velho, resumiu o sentimento de quem assistia às chocantes cenas. “O prefeito deveria passar aqui agora”, disse.
O comerciante, Paulo Assis, 39 anos, relatou que a agonia dos peixes está ocorrendo há vários dias. “Isso não começou hoje. Passo aqui todo dia e esses peixes estão morrendo desde o início do mês. É uma visão cruel”, afirmou. Piabas e tilápias, duas espécies que predominam no rio, estão morrendo aos milhares em toda extensão na área urbana. Os peixes de menor porte são os mais afetados e vão se amontoando nas margens na tentativa de sobreviver.
Ainda não se tem uma análise concreta sobre as causas e responsabilidades por mais um crime ambiental. Porém, desta vez, de enormes proporções. Ontem eram milhares de peixes tentando sobreviver. Os alevinos estão procurando os locais mais rasos do rio, se refugiando nas margens e em um balé mortal saltam para fora da água vezes seguidas, provavelmente em busca de oxigênio. Patos, capivaras e outros animais estão se alimentando dos peixes já mortos e daqueles que já não têm forças para fugir dos predadores.
Chama a atenção o fato de que os peixes estão se agrupando em locais onde não há aguapés. Como esses trechos sem a planta são raros na área urbana, eles se agrupam aos milhares em pequenos espaços, como ocorre sob a ponte de ferro na altura do bairro Esplanada. No local a água está parada, escura e fétida, mas há bastante sombra.
O ambientalista, Jairo Gomes Viana, disse que percebeu a situação no dia 13 de julho. “Já procurei o Ministério Público e a Prefeitura na expectativa de que seja pelo menos feita uma análise da água, pois o volume de peixes em agonia me faz acreditar que não seja somente a poluição. Não sou técnico, mas acredito que pode até estar ocorrendo algum tipo de contaminação”, avalia. Segundo ele, é preciso adotar medidas imediatas, pois no seu entendimento há riscos até para a população.

 

 

 

 

MINISTÉRIO PÚBLICO
O promotor, Alessandro Garcia da Silva, titular do Ministério Público do Meio Ambiente, informou que tomou conhecimento da situação na quinta-feira. “Tão logo chegou a denúncia solicitei a presença da Polícia Militar para que fosse feita uma ocorrência criminal, para que as medidas possam ser tomadas. Ainda não recebi a ocorrência, mas estamos atentos ao que está acontecendo”, afirmou. O promotor disse ainda que solicitou apoio técnico de um especialista da Funedi/Uemg para uma avaliação inicial do que pode estar provocando tamanho dano ambiental.
No dia 21 de julho, em reunião ocorrida na Câmara de Dirigentes Lojistas, o Ministério Público do Meio Ambiente deu ultimato à Prefeitura para uma ação emergencial de retirada dos aguapés do leito do Rio, além da adoção de medidas concretas para conter a mortandade de peixes. De prático mesmo, até agora nada foi feito. O promotor disse ainda que no dia 17 de setembro ocorrerá nova reunião do Ministério Público Ambiental, quando a empresa contratada pela Prefeitura para fazer o diagnóstico do Rio deverá apresentar os resultados preliminares.
Em nota, o prefeito, Vladimir Azevedo (PSDB), informou que a máquina papa-aguapés chega a Divinópolis na próxima terça-feira. Alessandro Garcia disse que não recebeu nenhum comunicado oficial da Prefeitura sobre a chegada do equipamento. “Fiquei sabendo pela imprensa e estou na expectativa de que isso realmente ocorra”, afirmou.
Sobre o crime ambiental verificado ontem, a Diretoria de Comunicação da Prefeitura informou que o município não havia recebido nenhuma notificação. Disse ainda que uma equipe da Secretaria Municipal do Meio Ambiente deveria ir ao local ainda na tarde de ontem para fazer uma avaliação inicial.

 

 

 

 

Crédito: Jotha Lee

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