terça-feira, 3 de Março de 2015 10:19h Atualizado em 3 de Março de 2015 às 10:23h. Jotha Lee

Ministério Público do Trabalho investiga situação de trabalhadores da UPA

Inquérito Civil apura denúncias de irregularidades na relação trabalhista da Santa Casa de Formiga

A crise na Fundação Santa Casa de Formiga, entidade responsável pela administração da UPA 24h, em Divinópolis, continua intensa e nos últimos dias agravou-se ainda mais, sendo necessárias intervenções administrativas na tentativa de conter problemas que surgiram após a intervenção determinada pelo Ministério Público em dezembro do ano passado. Atolada em uma dívida de R$ 16 milhões, a Fundação continua enfrentando dificuldades para pagar servidores e o corpo médico, além de ser denunciada no Ministério Público do Trabalho.
A primeira medida tomada em janeiro foi o afastamento de Rui Sobreira, provedor indicado para substituir ao médico Geraldo Couto, que comandava a Mesa Administrativa acusada de irregularidades na aplicação dos recursos da entidade, o que motivou a intervenção. Sobreira ficou pouco mais de 30 dias no cargo e já foi substituído por Sidney Pereira. Na semana passada, nova mudança nos cargos de primeiro escalão da entidade, com o afastamento de Mariana Xavier, da Diretoria Administrativa da entidade.
Para piorar ainda mais a situação da Fundação Santa Casa, a Procuradora do Trabalho em Divinópolis, Florença Dumont Oliveira, acaba de instaurar inquérito civil para apurar as relações entre a entidade e seus servidores. Há várias denúncias que envolvem assédio moral, atraso em salários e perseguições a funcionários, que estão sendo apuradas. De acordo com a procuradora “constam evidências de lesão à ordem jurídica e a direitos sociais constitucionalmente garantidos” que justificaram a instauração da investigação.

UPA 24h
O inquérito civil em andamento no Ministério Público do Trabalho investiga, também, denúncias feitas pelo Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis (Sintram). Recentemente o Sintram recorreu à Secretaria Municipal de Saúde, na tentativa de encontrar uma solução para a relação entre a diretoria da UPA e servidores do município que prestam serviços à unidade. Ontem o diretor do Sintram e médico plantonista da UPA, Alberto Gigante Quadros, confirmou que o sindicato já fez várias denúncias de irregularidades junto ao Ministério do Trabalho.
Alberto Gigante afirma que a unidade está vivendo um verdadeiro "desgoverno", que vem causando transtornos e prejuízos aos servidores e à população. O médico afirma que há privilégios oferecidos aos contratados que são negados aos servidores e assegura que mais grave ainda são as incoerências na aplicação do protocolo de triagem de risco, fazendo com que pacientes esperem horas sem receber atendimento. Segundo ele, essa situação é agravada por encaminhamentos equivocados provenientes de outras unidades de saúde de Divinópolis e região.
O médico diz ainda que há alta rotatividade de contratados que não apresentam o perfil ideal do servidor destacado para atuar em urgência e emergência. “Isso se agrava pela falta de direção, de uma coordenação segura na UPA”, garante. Ainda de acordo com o diretor do Sintram, há condutas conflitantes devido a inexistência de rotinas que orientem os novos contratados e o esfacelamento das equipes treinadas para os atendimentos de urgência e emergência.
Ontem, ao confirmar denúncias feitas junto ao Ministério do Trabalho, Alberto Gigante garantiu que houve queda significativa na prestação de serviços. "A qualidade do atendimento na saúde caiu muito no município. É preciso reestruturar a direção e a formação das equipes de atendimento, caso contrário muito pouco se faz pela população. O clima na UPA é de total desgoverno, pois a cada dia temos um novo contratado, que assume funções e comandos para os quais não tem a devida experiência", finalizou.
A reportagem do Gazeta do Oeste tentou durante toda a tarde de ontem contato com algum dos representantes da Mesa Diretora da Santa Casa para falar sobre as denúncias feitas pelo Sintram e abordar o inquérito civil instaurado pelo Ministério Público do Trabalho. O atendimento via telefone na Fundação mostrou que há um clima de desorganização. Vários funcionários atenderam à reportagem, mas nenhuma deles soube informar quem deveria falar sobre o assunto. O provedor Sidney Ferreira não retornou ao pedido de entrevista.

 

Crédito: Jotha Lee

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