segunda-feira, 20 de Maio de 2013 10:16h Atualizado em 20 de Maio de 2013 às 13:15h. Mariana Gonçalves

Mobilização pela luta Antimanicomial é realizada em Divinópolis

A busca pelo fim do preconceito é o principal objetivo das manifestações

Na manhã de ontem Divinópolis realizou importantes comemorações, dentre elas a celebração do Dia Nacional da Luta Antimanicomial organizada pela Clínica São Bento Menni. O evento ocorreu na Praça do Santuário com a apresentação musical dos pacientes e a exposição de artesanato e trabalhos realizados dentro da clínica.

Para a terapeuta ocupacional Laura Marques, a intenção da clínica foi comemorar a data mostrando para a população que não há motivos para preconceitos, “trouxemos aqui os nossos pacientes cantando, dançando, mostrando mesmo o seu trabalho para a sociedade ver que eles são pessoas capazes nós não focamos na loucura e sim na normalidade” conta.

Ainda conforme Marques o preconceito não gira somente em torno das pessoas com problemas mentais, tanto os profissionais quanto as clínicas psiquiátricas são vítimas de uma visão antiga da sociedade. “Os pacientes não recebem tratamento de choque e nem são amarrados na cama como as pessoas imaginam. A reforma psiquiátrica veio justamente para limpar essa ideia porque antes todas as pessoas com problemas mentais eram excluídas. A sociedade escondia essas pessoas e muitas das vezes elas ficavam sem nenhum tratamento, sofriam maus tratos e ainda ficavam sem alimentação.

Porém, com a reforma psiquiátrica isso mudou. Ela veio para reafirmar que essas pessoas com problemas mentais tem o direito e o dever de conviver em meio a sociedade e as clínicas de psiquiatria não são para maus tratos e sim para apoio a quem precisa” explica Laura.
Ao final das atividades na praça, funcionários e pacientes do Bento Menni soltaram balões coloridos.

Em entrevista anterior a Gazeta a nutricionista da clínica, Jeannine Oliveira, salientou uma importante questão, os serviços de psiquiatria do município precisam trabalhar em um sistema de rede conjunta.“Não temos intenção de manter o paciente internando na clínica por muito tempo, às vezes o tratamento é prolongado não por determinação da clínica mas por determinação judicial.  A instituição é um local que o paciente vai ser acolhido e tratado para que possa novamente ser inserido na sociedade sempre tendo o apoio das outras instituições, por exemplo, o paciente vem e faz todo um tratamento e quando sair tem que ter uma  referência lá fora para continuar”enfatiza Oliveira.


DIREITOS IGUAIS

O Movimento Antimanicomial conhecido também como Luta Antimanicomial se refere a um processo de transformação dos Serviços Psiquiátricos derivado de uma série de eventos políticos nacionais e internacionais.

O Movimento Antimanicomial tem o dia 18 de maio como data de comemoração no calendário nacional brasileiro. Esta data remete ao Encontro dos Trabalhadores da Saúde Mental, ocorrido em 1987, na cidade de Bauru, no estado de São Paulo. Esse movimento está ligado à Reforma Sanitária Brasileira da qual resultou a criação do Sistema Unico de Saúde (SUS) e está ligado também à experiência de desinstitucionalização da Psiquiatria desenvolvidas em Gorizia e em Trieste, na Itália, por Franco Basaglia na década de 60.

Como processo decorrente deste movimento, temos a Reforma Psiquiátrica, definida pela Lei 10216 de 2001 (Lei Paulo Delgado) como diretriz de reformulação do modelo de Atenção à Saúde Mental, que transferiu o foco do tratamento que se concentrava na instituição hospitalar, para uma Rede de Atenção Psicossocial, estruturada em unidades de serviços comunitários.

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