sexta-feira, 20 de Janeiro de 2017 15:06h Atualizado em 20 de Janeiro de 2017 às 15:08h. Nayara Leite

Moradora procura por vacina em posto de saúde e não recebe

CSU do Interlagos se recusa a vacinar mãe e filho por falta de cartão do SUS e de vacinação

Na terça-feira (17), Ales­sandra Aparecida Lemos, de 42 anos, procurou uma uni­dade de saúde do bairro Nossa Senhora das Graças, onde mora. Acompanhada do filho de 17 anos, ambos queriam se vacinar contra a Febre Ama­rela.

O adolescente precisava atualizar o cartão de vacinação e Alessandra ser imunizada, pois passa por outros proble­mas de saúde no momento. Na unidade, foram informados que a vacina havia acabado, mas uma nova remessa chega­ria na quarta-feira (18).

Alessandra conta que, por estar de carro e saber da im­portância da vacinação em meio ao surto em algumas cidades mineiras, se dirigiu, com o filho, até o Centro Social Urbano (CSU), no bairro In­terlagos, onde foram avisados que a vacinação somente era feita até as 16h30, mas que ela poderia voltar no dia seguinte.

Já na quarta-feira (18), Alessandra voltou ao CSU por volta de 11h. “Meu filho e eu chegamos e éramos os primeiros para ser vacinados. Falaram que as enfermeiras responsáveis pela imunização estavam em horário do almo­ço. Esperamos e depois de fi­car mais de 1 hora na fila, per­cebi que várias pessoas foram chegando para vacinar. Em determinado momento, uma enfermeira chegou e disse que havia apenas nove doses dis­poníveis e nem sabia se ia dar as nove. Fiquei tranquila, pois éramos os primeiros,” explica.

Alessandra, que se mudou para Divinópolis há poucos meses, ainda não é creden­ciada a nenhum posto de saúde e estava sem o cartão de vacinação, que, segundo ela, foi perdido.

No CSU, uma das profis­sionais a informou que ela não poderia ser vacinada, pela falta do cartão do Siste­ma Único de Saúde (SUS) e residir em outro bairro. Já seu filho, estando com o cartão de vacinação, não foi imunizado por ser de outro bairro.

“Elas falaram que não po­deriam nos vacinar, pois não teria como lançar no sistema, já que não tínhamos o cartão do SUS e do posto. Eu disse que poderia fazer naquele momento, e me informaram que só é feito no meu bairro. E que somente seríamos va­cinados na unidade de saúde do bairro Nossa Senhora das Graças e com o cartão do SUS. Mas o pior foi a falta de educação das enfermeiras e secretárias. Fui muito mal atendida. Tentei fazer uma denúncia na Semusa, mas não consegui, nenhum telefone atende”, detalha a moradora, que ficou indignada.

Ainda na quarta-feira (18), Alessandra voltou à unidade no bairro Nossa Senhora das Graças, que já tinha rece­bido mais doses da vacina. Segundo ela, estavam sendo distribuídas senhas, pois havia muitas pessoas. E mesmo sem cartão do

SUS, de vacinação ou do posto de saúde, após aguardar, o filho e Alessandra receberam a vacina. “O único cadastro feito foi com meus dados pessoais básicos, endereço, te­lefone. E fizeram, não apenas para mim, mas várias pessoas que estavam lá, um cartão de vacinação avulso. Todos que estavam aguardando no prazo de atendimento da unidade foram atendidos”.

Alessandra afirma que sabe que as vacinas devem ser feitas preferencialmente na unidade de saúde do seu bairro, mas pode ser feita em qualquer outro, até de outra cidade. “Agradeço muito o carinho e atenção da unidade Nossa Senhora das Graças, fui muito bem atendida, e percebi que todos os presen­tes também. O pessoal está se desdobrando para atender a todos. Porém, infelizmente, ouvi outras pessoas reclaman­do do CSU. E só queria alertar toda a população que a vaci­nação é um direito e a forma de se prevenir da doença”, finalizou.

PREFEITURA

A diretoria de comunica­ção da Prefeitura informou que não há distinção de bair­ros e, mesmo quem não tem o cartão de vacinação, pode comparecer às unidades de saúde para verificar se precisa receber a vacina, a exceção são pessoas acima de 60 anos. Os idosos que já receberam uma dose devem receber o reforço 10 anos após a primeira, e os que nunca foram vacinados contra Febre Amarela ou estão sem o cartão de vacinas devem procurar um médico.

Qualquer irregularidade deve ser denunciada à Semu­sa, para que os procedimentos corretos sejam realizados.

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