sexta-feira, 4 de Março de 2016 10:34h Atualizado em 4 de Março de 2016 às 10:38h. Pollyanna Martins

Moradores convivem com lixão no bairro São Lucas

Quem vai ao local se assusta com a quantidade de lixo jogada em vários lotes. Garrafas, pneus, vasilhas, televisões, entre outros itens, viram verdadeiros berçários do mosquito Aedes aegypti

Um berçário do mosquito Aedes aegypti prolifera no bairro São Lucas, em Divinópolis, em razão de dois lixões formados em lotes vagos. O problema ressurgiu há cerca de um ano, após ser resolvido há nove anos. De acordo com o presidente do bairro, Edmilson Marques de Carvalho, o “lixão” começou em 2007, quando os lotes foram tomados por entulho.

 

 


O presidente do bairro conta que, na época, procurou o Ministério Público para que uma medida fosse tomada. O pedido foi acatado pelo então promotor do meio ambiente, Márcio José, que determinou a retirada do lixo do local. Nos lotes, eram encontrados até animais mortos, que Edmilson diz ser de uma clínica veterinária da cidade. “Nós já encontramos aqui 18 cães mortos, queimados, que clínicas veterinárias descartavam. O Dr. Márcio José [promotor público] ficou muito sensibilizado e irritado com a situação que o bairro estava e determinou que os lotes fossem limpos. Na época, foram tirados 232 caminhões de entulho dos lotes”.

 

 


Após a limpeza dos lotes, o promotor público determinou que o lote fosse fechado. Segundo Edmilson, bloquetes de cimento foram colocados em volta do lote, e o problema – até então – solucionado. Para a surpresa do presidente do bairro, há pouco mais de um ano, o dono do lote retirou o bloqueio e, mais uma vez, o lixo começou a ser depositado no bairro. “Os donos de caçambas voltaram a jogar entulho no lote. Cada um arrumou o seu espaço e voltou a jogar lixo. Eu já encontrei 62 pneus, no lote”, relata.

 

 


Quem chega ao local se assusta com a quantidade de lixo que é descartada. São descartados irregularmente garrafas de vidro quebradas, televisores, pneus, móveis, restos de fundição, manequins de roupa, vasilhas, animais mortos, entre outros itens. “Deve ter hoje mais de 500 garrafas long neck jogadas lá. Colocaram fogo nessas garrafas, elas estouraram e viraram focos do mosquito da dengue. Lá é um verdadeiro lixão. Eu quero pedir para cercar o local de novo, que seja só isso”, solicita.

 

 


SEM SOLUÇÃO
No local, é encontrado lixo nos dois lados da rua de chão. Um lado da rua virou um abismo do lixo, que fica próximo à Escola Municipal João Gontijo da Fonseca. Logo mais à frente do lote, na Rua Inácio Loyola, há um segundo lixão, onde até bolsa de colostomia é encontrada. Quem anda pelas ruas de terra, tomadas pelos lixos, encontra vários urubus comendo os animais mortos. Quando se olha para o céu, lá estão as aves à procura de mais comida. O presidente do bairro afirma que, para tentar resolver a situação mais uma vez, ligou na Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), solicitando a retirada do lixo do local há cerca de três semanas, mas o órgão não resolveu o problema. “O que eu fico indignado é que o pessoal do bairro está apavorado com essa epidemia de dengue, Zika vírus. Eu liguei na Semusa e um dia me falaram que o caminhão que tira o lixo estava quebrado, no outro dia liguei de novo e a atendente disse que os agentes não tinham vindo aqui, porque estavam muito ocupados”, relata.

 

 


CASOS DE DENGUE
Enquanto o berçário da dengue se prolifera a cada dia no bairro, os casos notificados de dengue aumentam a cada dia. Já foram notificados 1.195 até terça-feira (2). De acordo com o último balanço da Semusa, foram notificados dois casos de dengue no bairro São Lucas. O presidente do bairro contou os casos de dengue que ele tem conhecimento no bairro. “Aqui no bairro São Lucas são cinco pessoas com dengue, no bairro São Geraldo tem oito [pessoas com dengue]. O nosso medo é de acontecer algo pior. Tem casas lá perto dos lixões, onde moram idosos, crianças”, ressalta.

 


Edmilson diz ainda que se sente impotente diante da situação. “Eu fico revoltado com essa propaganda enganosa que passa, mandando a gente tirar 10 minutos do nosso dia para poder limpar a nossa casa. A minha casa está limpa, eu tento fiscalizar o bairro, mas não tenho apoio. A Semusa já está ciente do problema e eu estou esperando o caminhão para tirar o lixo há três semanas. Os agentes de saúde vão fazer ação no campo do Guarani no dia que o time vai jogar e o lixo continua aqui”, reclama. 

 

 


PREFEITURA
De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Divinópolis, os moradores devem entrar em contato com o setor de posturas e formalizar a denúncia. Em nota, o órgão explicou que a denúncia “pode ser feita pelo site da prefeitura ou na ouvidoria. Assim, será gerado um protocolo, que permitirá o cidadão a acompanhar todo o processo. Uma vez formalizada a denúncia, é feita uma vistoria no local, notificando o proprietário do imóvel a tomar providências. Caso isso não ocorra, o mesmo está sujeito à penalidade”, a Prefeitura alegou ainda que a demanda por esse tipo de serviço é alta e o atendimento é feito mediante a data da realização da denúncia.

 

 


Na nota, o órgão informou que “as denúncias envolvendo possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti também foram atendidas ao longo de 2015, somaram 479. Todos os locais foram vistoriados e tiveram os proprietários notificados e, nos casos mais extremos, quando o risco à saúde era eminente, tiveram os objetos depositados neles eliminados pelos agentes de endemias”. A assessoria disse ainda que há muito que ser feito “e a Prefeitura de Divinópolis não se furta em realizar o que lhe compete. Entretanto, é necessária a conscientização de muitos, evitando o descarte irregular do lixo. Caso a população identifique alguém cometendo esta prática, pode, e deve, fazer contato de imediato com a Diretoria de Meio Ambiente, para que seja feita, de imediato, a notificação do infrator.”

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