quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2015 10:26h Atualizado em 26 de Fevereiro de 2015 às 10:34h. Pollyanna Martins

Moradores da região noroeste de Divinópolis questionam projeto de duplicação do Anel Rodoviário

Elaboração foi feita pela concessionária Nascentes das Gerais, mas comunidade discorda

As associações de moradores dos bairros Serra Verde, Conjunto Habitacional Osvaldo Machado Gontijo, Anchieta, Afonso Pena, Santa Clara, Alvorada, Nova Fortaleza I e Nossa Senhora da Conceição se reuniram na tarde de ontem com o promotor público Sérgio Gildim para discutir o projeto de duplicação do Anel Rodoviário, elaborado pela concessionária Nascentes das Gerais.
Os moradores não concordam com a proposta apresentada pela concessionária e apresentaram ao promotor um novo projeto. Segundo o presidente da associação dos moradores dos bairros Afonso Pena e Santa Clara, Josafá Anderson, a Nascentes não expos o projeto em uma audiência pública, conforme anunciado pela empresa. “A princípio nós apresentamos uma denúncia da forma que foi apresentado esse projeto sem a participação popular. Depois nós vimos várias falhas neste projeto, ou seja, nos acessos aos bairros. A gente viu que ia literalmente matar a entrada dos bairros Serra Verde e Alvorada”, explica.
Para tentar impedir que a concessionária realize a duplicação, os moradores fizeram um abaixo assinado e recolheram mil assinaturas. Conforme Josafá, o projeto, além de prejudicar os moradores da região, prejudica também os empresários e, para ter uma alternativa na duplicação, o dono de uma rede de supermercados em Divinópolis financiou um novo projeto.
“Nós fizemos um trabalho de mobilização e fizemos um abaixo assinado e protocolamos no Ministério Público. Nós fomos convidados pelo [supermercadista] Valdemar Amaral para conhecer um projeto que a empresa que ele contratou fez de acesso aos bairros, que no nosso ponto de vista é melhor do que o apresentado pela Nascentes das Gerais”, esclarece Josafá.

 

NOVO PROJETO
A associação elaborou um ofício em que detalha que há cerca de 20 anos se mobiliza no sentido de obter acesso seguro e eficiente ao restante da cidade. No documento, os moradores relatam que vários estudos e projetos feitos por seguidas administrações municipais indicam a Rua Itamarandiba como mais segura e eficaz para automóveis e pedestres circularem.
“Nós queremos que seja executado o segundo projeto que foi elaborado. Nele, o engenheiro achou inviável a saída pela Rua Itamarandiba e optaram pela Rua Ibirité. O projeto da Nascentes foi elaborado de uma forma muito econômica, que prejudica tanto as empresas quanto a população”, ressalta o presidente da associação de bairro.
O engenheiro que faz parte da equipe que elaborou o novo projeto, Mário Luiz Gontijo, explica que a nova proposta foi preparada para que o acesso tenha segurança de retorno. “O projeto da Nascentes  tem uma passagem, uma ligação, e na opção desse novo projeto é o retorno de veículos de maior porte, como carretas e caminhões, não só de veículos de pequeno porte. Essa alternativa melhora todo o acesso aos bairros e o fluxo das empresas do entorno, e a segurança dos pedestres, que nós priorizamos. A Rua Ibirité é a melhor passagem porque ela é uma via de mão dupla.”

 

ESCOLA E PAIS
Os pais dos alunos da Escola Estadual Ilídio da Costa Pereira também estão preocupados com a duplicação do Anel Rodoviário. Segundo a representante do colegiado da escola, Janete Aparecida Silva Oliveira, cerca de 200 pais estiveram reunidos nessa terça-feira para a apresentação e avaliação do novo projeto elaborado.
“A diretora abriu ontem a escola para a gente apresentar o novo projeto que vai melhorar o que a Nascentes das Gerais havia colocado. O projeto da concessionária não pensa nos alunos que têm que atravessar a rodovia todos os dias para poder ir para a escola nas vans ou nos carros. Esse novo projeto vai dar acessibilidade sem atrapalhar a vida escolar dos alunos. Ontem houve 100% de aprovação dos pais com o novo projeto”, revela Janete.

 

CONCESSIONÁRIA
A Nascentes das Gerais informou em nota que ouvirá as observações do Ministério Público e, em seguida, fará os esclarecimentos necessários.

 

Crédito: Pollyanna Martins

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