sexta-feira, 8 de Maio de 2015 11:01h Atualizado em 8 de Maio de 2015 às 11:03h. Pollyanna Martins

Moradores do bairro Jardim Copacabana convivem com esgoto a céu aberto há mais de dois anos

O jogo de empurra entre a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e a Prefeitura de Divinópolis tem obrigado os moradores do bairro Jardim Copacabana a conviverem com o esgoto escorrendo a céu aberto há mais de dois anos

Segundo moradores do bairro, desde que o conjunto habitacional foi inaugurado, em novembro de 2012, os problemas com a rede de esgoto são constantes.
Logo na entrada do bairro é possível perceber o problema. O mau cheiro toma conta do local, além de poças de esgoto estarem formadas ao longo das ruas. Cansados dos incessantes vazamentos das fossas, alguns proprietários realizaram ligações clandestinas na rede de esgoto. O metalúrgico Reni Alves de Oliveira alega que o esgoto brota no chão, pois não há destinação correta. De acordo com Reni, a falta de solução para o problema faz com que crianças se arrisquem a serem contaminadas com doenças, por terem que brincar em meio ao esgoto. “São crianças pisando no esgoto. Ninguém vem resolver nada. Eu já parei um carro da Prefeitura, e eles falaram que é Copasa, liguei na Copasa e eles falaram que o problema é da Prefeitura. Aí fica nesse jogo de empurra”, conta.
Quem sofre diariamente com o mau cheiro e esgoto escorrendo na porta de sua casa é o aposentado Valceli Dias da Natividade. Para entrar na residência do idoso é preciso pular um pequeno fluxo de esgoto, que escorre 24h por dia. O aposentado acompanha atentamente a situação do bairro junto aos políticos e informou que há um projeto para a construção de uma fossa comunitária. De acordo com Valceli, este projeto amenizaria o problema que os moradores enfrentam diariamente. Ele ressaltou ainda que o terreno já foi doado para a Prefeitura. “O vereador Edimar Máximo já disse que o Dnit já liberou o terreno para fazer a fossa comunitária, mas por enquanto só está no papel. O esgoto do bairro todo escorre nas Ruas 6, 7 e 8. Com isso, o mato é alimentado e cresce mais e mais, e aí entram baratas, ratos em casa. Os políticos vão à televisão, falam, prometem, mas continua do mesmo jeito”, desabafa.

 

SAÚDE
Segundo Valceli, durante a tarde o fluxo de esgoto que escorre na porta de sua casa é baixo. A situação piora após as 18h, quando os vizinhos chegam do trabalho e as crianças da escola. O aposentado conta que é frequente ver fezes escorrer em meio ao esgoto. “Quando é de tarde, na hora que o pessoal para do serviço, quando as crianças tomam banho, até fezes eu vejo escorrer aqui na porta. De um dia para o outro já fica aquela crosta esverdeada. Aqui o cheiro é muito forte, com isso a casa tem que ficar fechada 24h”, relata.
Conforme Valceli, ele já teve problemas de saúde devido ao mau cheiro que convive todos os dias. O morador reclama que já esteve internado na Unidade de Pronto Atendimento Padre Roberto (UPA 24h) com dores de cabeça fortes, e teme que a saúde piore, caso o problema não seja solucionado. “Eu já estive na UPA duas vezes por causa de dor de cabeça forte, e eu tenho medo dessa dor de cabeça continuar, porque eu já tenho outros problemas de saúde. Sou cardíaco e hipertenso.”

 

PREFEITURA
A Prefeitura de Divinópolis disse, através de sua assessoria de imprensa, que a Usina de Projetos está apenas aguardando a liberação do terreno, por parte do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para que as obras da fossa comunitária se iniciem.

 

COPASA
Em nota, a Copasa afirmou que o Jardim Copacabana trata-se de bairro implantado com solução provisória individual (fossa sem sumidouro) conforme definições da Prefeitura, antes de a Companhia assumir o sistema de esgotamento sanitário de Divinópolis.
A companhia também informou que essa solução alternativa foi adotada até que as redes coletoras do sistema público implantadas possam ser colocadas em carga e utilizadas – o que neste momento não é possível pela ausência de ponto de lançamento adequado para os efluentes gerados nos imóveis. Na nota, a companhia alegou que a implantação de interceptores e estações elevatórias e a consequente entrada em operação destas redes estão previstas, conforme Contrato de Programa, até 2016.
Sobre o desentupimento e/ou manutenção das redes coletoras, a companhia informou que “não tendo sido efetuadas ligações às redes coletoras, não cabe desentupimento e/ou manutenção pela concessionária, devendo cada morador e/ou entidade responsável zelar pela conservação e adequado funcionamento da solução individual provisória implantada, visto não se caracterizarem como integrantes do sistema público conforme definições estabelecidas no Contrato de Programa e nas Resoluções da Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (Arsae).”

 

Crédito: Pollyanna Martins

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