terça-feira, 20 de Setembro de 2016 14:59h Pollyanna Martins

Moradores do Grajaú reclamam de má conservação de ônibus que atendem a região

Conforme os moradores, é impossível utilizar do transporte público sem sujar a roupa de poeira

Além da falta de infraes­trutura na região nordeste de Divinópolis, os morado­res precisam enfrentar dia­riamente a má conservação dos ônibus que atendem os bairros Grajaú, São Simão e Nova Suíça. Conforme o assistente de logística, Lucas César Mourão, todos os dias os ônibus que fazem a linha 43 transitam pelos bairros completamente empoeirados. O estudante de direito recla­ma do estado de abandono que as ruas dos bairros estão. Sem asfalto ou calçamento, a poeira toma conta da região e a situação reflete diretamente no transporte público. “Não é possível utilizar o transporte coletivo, que tem o preço da passagem a R$3,45, sem sujar a roupa e ter uma viagem com­pletamente desconfortável, pela quantidade enorme de poeira”, reclama.

De acordo com Lucas, o problema é antigo e nenhuma providência foi tomada para solucioná-lo. O assistente de logística frisa que os bairros que são atendidos pela linha de ônibus não têm nenhuma infraestrutura e o calçamento e asfalto prometidos na última campanha do prefeito de Di­vinópolis, Vladimir Azevedo, nunca saíram do papel. Con­forme o estudante de direito, apesar da precariedade dos bairros, a empresa do ônibus poderia amenizar a situação com uma limpeza diária nos veículos. “Os ônibus dessa linha já saem da garagem completamente imundos. Não é uma situação onde o ônibus sai da garagem limpinho e vai se sujando ao longo do dia, a realidade é que a empresa manda os ônibus sujos, do dia anterior, da forma como ele ficou”, detalha.

O estudante de direito de­sabafa e diz que os moradores da região nordeste pagam o mesmo valor da passagem que moradores de bairros da região central e merecem um serviço com qualidade. “Os moradores da região não merecem ser tratados dessa forma, os empresários e o Poder Público são responsá­veis por dar um atendimento minimamente digno ao passa­geiro”, cobra.

O estudante de direito tirou fotos da situação de um dos ônibus da linha 43 para mostrar a realidade que os moradores da região nordeste enfrentam. As fotos mostram o veículo tomado pela poeira. Segundo Lucas, do primeiro horário ao último atendido no bairro, os ônibus estão na mesma situação. “A gente pode pegar ônibus às 5h ou 6h, ele vai estar naquele es­tado”, relata. O assistente de logística ressalta ainda que os passageiros que utilizam a linha de ônibus que atende aos bairros são moradores da região periférica da cidade, trabalhadores e estudantes, que têm sua dignidade violada todos os dias ao utilizarem o transporte público.

Lucas cobra ainda uma fiscalização da Prefeitura com o serviço que é oferecido à população. “Ainda que a Pre­feitura seja omissa nas suas políticas públicas, de não conseguir efetivar a pavimen­tação, ela deve fiscalizar a empresa, porque a empresa é uma prestadora de serviço e ela tem uma responsabilidade social com os clientes dela”, enfatiza.

OUTROS PROBLEMAS

Lucas conta ainda que, além do problema com a sujeira nos ônibus, os mora­dores enfrentam também o atraso nos horários. Segundo o estudante de direito, já foram feitas várias reclamações na empresa, porém a explicação dada é que o site da empresa está desatualizado. “Está infor­mando no site que o ônibus sai às 7h, entretanto, o ônibus não sai do bairro às 7h, ele sai às 7:15h, às vezes quase às 7:30h. A gente entra em contato com a empresa para questionar, e eles falam que o horário do site está desatualizado. Mas como fazem um site e ele está com a informação errada?”, questiona.

Conforme Lucas, junto ao atraso e à poeira, está a falta de ônibus em época de chuva. Com a falta de infraestrutura nos bairros, quando chove, os moradores precisam andar quilômetros em meio ao barro e buracos para ter acesso ao transporte público. “Quando o ônibus não vai até o bairro, os moradores da região têm que descer, caminhar por quilô­metros por ruas esburacadas, tomadas por lama, e isso viola todos os direitos de dignidade da pessoa, afinal, é um serviço pago pela população”, frisa.

PROVIDÊNCIAS

O assistente de logística diz que, diante da negligência da empresa e do péssimo aten­dimento que os moradores têm, ele irá formalizar uma denúncia no Ministério Pú­blico para ter uma resposta. “A empresa sabe que a região é predominantemente de pessoas carente, com pouca instrução, que reclamam do transporte coletivo, mas re­clamam entre si. Eu já tentei entrar em contato com a em­presa, e eles não ligam, não se importam, vamos ver se abrir um inquérito no Ministério Público, eles respondam com devida atenção, com o devido respeito que os moradores merecem”, ressalta.

PREFEITURA

Em nota enviada pela as­sessoria de comunicação, o município informa que a segunda etapa das obras do Pró-Transporte tem previsão para começar em outubro. De acordo com o cronogra­ma da Usina de Projetos, o Grajaú será um dos bairros beneficiados, além do Belve­dere, Candelária, Santa Rosa, Dona Rosa, Santa Lúcia, Nova Fortaleza, Nova Holanda, Oli­veiras e Nações. Conforme o relatório apresentado, serão 190 mil metros quadrados de calçamento poliédrico e 90 mil metros quadrados de passeio. Ainda segundo a proposta, serão 14 mil metros quadrados de asfalto e rede de drenagem com seis mil metros nas ruas do itinerário do ônibus.

TRANSOESTE

A assessoria de comunica­ção do Consórcio responsável pelo transporte coletivo ressal­ta que “os veículos que operam nestas linhas são seminovos e todos os dias são lavados na garagem da empresa, porém, com as péssimas condições do piso e a poeira em excesso chega ser impossível o atendi­mento”. “Estamos estudando uma solução junto a Prefeitu­ra”, finaliza.

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